domingo, 25 de setembro de 2016

Sobre estacionamento tarifado

Informação bastante útil, designadamente para os moradores na Alameda:

Correio da Manhã, 25/09/2016

Conforme os excelentíssimos leitores, nomeadamente os acima identificados, podem ver, não há bolsas de estacionamento gratuito para ninguém. Era o que faltava!
Há, isso sim, avenças a preço muito reduzido para os residentes em qualquer artéria da cidade. No caso, a 25 euros anuais, o que me parece muito pouco. Tal como os anteriores 400€ também anuais me pareciam muito exagerados. Julgo que o mais equilibrado seriam 120€ anuais para estacionar na rua e 250€ também anuais, para estacionar nos parques cobertos.
Falta acrescentar que o autor do texto é Rui Moreira, o independente presidente da câmara do Porto. Que, ao contrário de outros e outras, não se esconde no conforto do silêncio. Tem até a coragem de manter uma página semanal no Correio da Manhã, com o sugestivo título À moda do Porto.
Exactamente como sucede em Tomar. Ou estarei a ver mal?

PS Tomar: Nova travessia do deserto prevista para Outubro 2017


Camelos na travessia do deserto. Os de quatro patas são também designados como bestas de carga, pois é essa a sua principal utilidade. Os outros, por vezes, nem para isso servem...

É uma velha e gasta frase feita, essa segundo a qual a história nunca se repete. Isto porque o passado nos ensina que, quando à primeira  vista a história se repete, aprofundando concluímos que, no fim de contas, não houve bem repetição. Se da primeira vez foi um drama, na seguinte já foi uma comédia. E vice-versa.
Decerto alheio a semelhante tipo de raciocínio, Confúcio, lá do seu extremo-oriente e laureado pela patine dos séculos, aconselha olhar para o passado  como forma de entender o futuro. Seguindo tão ilustre e abalizado conselho, fui revisitar os anos 90 do século passado e o que se seguiu.
Embora o contexto seja diferente, Luís Ferreira acaba de repetir agora o seu gesto desses tempos idos. Por volta de 1996, se não erro, resolveu manter-se na Assembleia Municipal, mas incompatibilizou-se com Pedro Marques, presidente independente pelo PS, já no seu segundo mandato, para o qual conseguira 12.929 votos = 4 eleitos. Só quatro eleitos, apesar da excelente votação, porque o PSD também conseguira um óptimo resultado: 8040 votos = 3 eleitos. Todas as outras formações ficaram  fora do executivo. Rosas e laranjas puderam então cantarolar alegremente e durante quatro anos o conhecida música "Só nós dois é que sabemos".
Por causa dessa incompatibilidade tipo birra, protagonizada por Ferreira e Pedro Marques, o PS veio a atravessar a seguir um deserto de 16 longos anos, sempre com resultados inferiores a 50% do de 1993, excepto em 1997. Foi então o longo e infeliz reinado laranja. Com os grandes sucessos eleitorais de Paiva, mas igualmente com os tristes resultados no terreno, conhecidos de todos. 
16 anos mais tarde, em 2013, os socialistas lá conseguiram regressar ao poder, porém com uma votação miserável de apenas  5479 votos, contra 5198 do PSD, apesar de dramaticamente queimado por quatro mandatos consecutivos de mau desempenho. O que mostra bem o enorme degaste sofrido pelos políticos medíocres. Tanto os do poder como os da oposição.
Dirão os habituais treinadores de bancada, que sucedeu assim porque o PS não recandidatou Pedro Marques em 1997, devido à já referida quezília com Luís Ferreira. Porque se tem recandidatado... Creio que estão equivocados. A vitória não era certa.  Na verdade, Pedro Marques recandidatou-se em 2005, tendo obtido apenas 4.949 votos. Bem menos de metade dos averbados em 1993. E em 2013, 20 anos depois da encorpada vitória socialista/pedrista, a contagem foi ainda mais decepcionante para ele: apenas uns magros 3094 sufrágios. A evidenciar que, sem apoio partidário...
Perante isto, salvo manifesta inépcia dos laranjas locais, resta aconselhar Anabela Freitas e seus companheiros de luta a comprarem desde já vestuário sahariano. Nesta altura, tudo indica que a partir de Outubro de 2017 vão ter de iniciar uma nova e longa travessia do deserto. Com a ajuda desta nova birra de Luís Ferreira, é verdade. O manobrador-mor local aceita mal ser manobrado e resolveu passar ao ataque. Decerto apoiado naquela frase segundo a qual "a melhor defesa é um bom ataque". Adivinha-se o resultado adverso para o PS. Mas não será ele o único culpado. Como em tudo na vida, a habilidade, o desempenho, as circunstâncias, também contam muito... Ó se contam!

sábado, 24 de setembro de 2016

Agrava-se a divisão no PS Tomar

Foto Rádio Hertz (modificada)

Após o murro na mesa de Rui Serrano, a cabeçada de Luís Ferreira. Depois de Serrano ter decidido continuar como vereador, mas entregar os pelouros e o tempo inteiro, recuperando assim alguma margem de manobra, ao mesmo tempo que difunde o seu desacordo e o inerente protesto, Luís Ferreira, patrão do PS local durante mais de 10 anos, resolveu seguir-lhe as pisadas. Segundo a Rádio Hertz, numa carta entregue ao presidente da Assembleia Municipal e enviada também àquela rádio, o ainda influente socialista informa que se desvincula da bancada do PS naquele órgão municipal, passando portanto a independente de facto. Com a recuperada liberdade de actuação que isso implica.
É o evidente acentuar da divisão interna no PS tomarense, dilacerado entre os defensores e os adversários da actual coligação com a CDU e do concomitante protagonismo cada vez mais evidente do vereador Bruno Graça. Que segundo anteriores declarações de Luís Ferreira, em recente entrevista, exerce demasiada influência sobre a presidente Anabela Freitas.
Sendo Ferreira um político experimentado e indiscutivelmente inteligente, este seu gesto inesperado só pode ser o primeiro de uma longa série, que irá prosseguir até o ex-chefe de gabinete conseguir recuperar tudo o que perdeu. Ou, pelo contrário, admitir a derrota, sem esperança de reversão. O que não está na sua natureza. Assunto a acompanhar com todo o cuidado.
Fiel ao seu estilo de sempre, Tomara dianteira -3 tentou obter o ponto de vista de Luís Ferreira sobre esta matéria, mas até ao momento em que este texto foi redigido não obteve resposta.

Sobre o contentor da Levada

Rui Lopes
Veterinário, tomarense, residente no concelho

De antemão ressalvo o facto de nunca ter pertencido à Banda Nabantina, uma das bandeiras da cidade, que comemorou recentemente, entre outras coisas com um concerto, o seu 142º aniversário, anunciado com pompa e circunstância no site do município, como sempre deveria ser.
Foi assim que no passado dia 18, num passeio vespertino com a família pela Levada, nos deparámos com a actuação daquela banda filarmónica tomarense, no moderno palco, construído mesmo em cima do espelho de água do Nabão. (Ver foto) Tentámos encontrar um metro de muro livre para acompanhar o desempenho da dita banda, tarefa que não se revelou difícil, uma vez que o número de espectadores era residual. (Ver foto)




Rapidamente percebi porquê. Era uma tarde quente de Setembro, com temperaturas à hora da actuação bem acima dos 30ºC, o que logo à partida era pouco convidativo. Ainda por cima, estar ali de pé, à torreira do sol... Mesmo assim, ainda resistimos ao primeiro arranjo musical. Ao segundo, o mau cheiro proveniente do lixo dos ecopontos, ali mesmo ao lado e na altura a transbordar, tornou a nossa tarefa ainda mais difícil.
Por isso, ao terceiro arranjo, e num momento em que o som proveniente de camiões e motorizadas que passavam mesmo atrás de nós, se sobrepunha ao que emanava do contentor onde a banda estava escondida, decidimos abandonar o local.
Fomos em direcção ao jardim da Várzea pequena, onde as temperaturas, os bancos de jardim e a tranquilidade eram bem mais adequados para um calmo passeio dominical. E, coincidência ou talvez não, é precisamente ali que "mora" há 119 anos um dos coretos mais bonitos do país... (Ver foto)


Não sei quem terá sido o responsável pela infeliz escolha do local para a actuação da banda. Depressa porém concluí que o moderno e arrojado contentor é um autêntico atentado sensorial. Visualmente, esconde quem lá actua quase por completo. Em termos acústicos, está ao lado de uma rua que faz parte da estrada nacional 110, com intenso trânsito vindo de oeste. Pituitariamente falando, o pivete dos ecopontos não ajuda nada à festa. Por último, mas ainda mais importante, sente-se que vieram uma vez mais ao bolso do contribuinte, para uma obra cuja utilidade custa muito a engolir!

O título é de Tomar a dianteira
anfrarebelo@gmail.com

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Sinalização e ditadores de algibeira

Na Rotunda, entre a Rua da Graça e a Rua dos Arcos

Na Avenida Marquês de Tomar, antes daquela encrenca com uma hipótese de rotunda, junto ao jardim da Várzea pequena.

As duas fotos acima são outros tantos exemplos da triste e bafienta mentalidade que continua a reinar em certos gabinetes dos Paços do concelho. Por óbvia inépcia dos eleitos, que deviam dirigir aquela casa. Deviam...
Explicando melhor. Em ambos os casos documentados nas fotos o erro é flagrante, pelo que  a aselhice e a falta de liderança política saltam aos olhos. No primeira foto, aquele conjunto de indicações, colocado em plena Rotunda, entre a Av. Cândido Madureira e a Rua dos Arcos, devia estar antes, no final na Rua Everard. Única maneira de cumprir as normas internacionais que regulam a sinalização automóvel. Com efeito, esse normativo estabelece que os painéis indicadores devem estar sempre do lado direito da via e antes do local da manobra a executar. Assim sendo, na anómala situação actual, os condutores que queiram dirigir-se para o Turismo ou para o Convento, obedecendo à referida norma internacional, vão virar para a Rua dos Arcos. E sabe-se lá quantos o terão já feito. Levados ao engano por técnicos municipais, que serão excelentes pessoas, mas manifestamente erraram neste caso. E insistem no erro, dando a ideia de se estarem nas tintas para todos os condutores que não conheçam bem Tomar. Os outros, os conhecedores, não querem saber, como sempre. É o estilo tomarense. Por isso estamos cada vez melhor.
Sabe-se lá quantos os terão já feito, escrevi eu acima. Pois quanto ao outro painel, colocado na Avenida Marquês de Tomar, há pelo menos uma condutora que já foi enganada por aquela excelente sinalização municipal.
Detalhando. Ia eu a passar junto à Pensão Luanda, quando uma senhora, que circulava naquela via de acesso ao parqueamento tarifado, depois de me ter perguntado se eu era de Tomar, confessou estar perdida e solicitou o melhor caminho para... Caldas da Rainha!!! O que mostra bem a óptima qualidade da sinalização tomarense.
Expliquei-lhe pausadamente que devia fazer inversão de marcha ao fundo da Rua Sacadura Cabral e depois seguir as indicações IC 9 Leiria até ao IC 2, após o que devia seguir os painéis IC 9 Nazaré, até encontrar a indicação A 8 Caldas da Rainha/Lisboa.
Para grande surpresa minha, chegada àquela ridícula hipótese de rotunda, ali à ilharga do jardim da Várzea pequena, que nada justifica, dado que há espaço mais que suficiente para uma rotunda de tamanho normal, a senhora, escrevia eu, contornou aquilo e foi para a esquerda, rumo à Rua Dr. Sousa. Naturalmente, senti-me um pouco culpado, dizendo para os meus botões que se calhar não me explicara de forma assaz clara, pelo que a senhora não compreendera.
Só mais tarde percebi o óbvio: A condutora fora simplesmente induzida em erro pelo primeiro painel de sinalização que encontrou. Isto porque, se é correcto que o hotel e o Prado são no ramal para a direita, o que justifica a seta a 45 graus. o IC9 Leiria não é para a esquerda de forma alguma. Porque é a continuação da estrada nacional e não há qualquer ramal à esquerda. A não ser para a Quinta da Anunciada, como todos sabemos. Todos não. Os senhores dirigentes municipais, que mandam nesta coisas, pelos vistos não sabem.
Pior ainda. Não sabem nem querem saber. Ou antes, não querem dar o braço a torcer, porque isso seria admitir o erro. O que, pensam as aquelas cabecitas, lhes retiraria autoridade. É a tal triste mentalidade ditatorial de trazer por casa. Tipo Maduro, Mugabe, Castro, Zédu e por aí fora. Já perceberam decerto que as coisas não vão nada bem, mas recusam mudar o que quer que seja. Para preservar a sua autoridade e infalibilidade. 
Pois senhores ditadores de algibeira, continuem assim! Não mudem nada, que vão longe. Um dia virá quem bom de mim fará. E vos modificará. Ou vos levará a calçar os patins, que quem não está bem muda-se. É inevitável.  Mera questão de bom senso. E de paciência.
Porquê? Porque, na situação actual, a câmara de Tomar se assemelha a um camião com três motores. Um, o dos eleitos, que tenta puxar para a frente. Os outros dois, de alguns técnicos superiores, que pela calada vão puxando para trás, convencidos que estão a fazer uma grande obra. Afinal, é próprio dos menos dotados a nível cabeçal não intuirem atempadamente todas as consequências daquilo que fazem e/ou provocam.
Pobre gente. Pobre terra.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Leitura em diagonal da imprensa de hoje

Às quintas é sempre um fartote de leitura. Além dos habituais Público, Correio da Manhã e Le Monde, vejo os títulos da imprensa local, lendo depois só aquilo que me interessa. Que é pouco. Aí vai o que me pareceu importante desta vez.
No Mirante, o destaque vai para a secção Cor de rosa, na qual a brincar a brincar se escrevem coisas muito sérias. Ora leia:


Gostou? Então vamos a outra do mesmo semanário. Cartas de leitores, com assuntos relevantes para Tomar. O semanário da Chamusca tem muita sorte com os leitores. Escrevem melhor que alguns redactores. Porque será que os leitores de Tomar nunca escrevem assim?:
:

Habitualmente pacato em excesso, o decano Cidade de Tomar parece estar a querer sair da casca. Após a inesperada entrevista de Luís Ferreira, que causou bastante controvérsia, temos agora as declarações de Ivo Santos, ex-vereador PSD e ex-cabeça de lista CDS.
Entrevista bem mais consensual e até mais sucinta. O entrevistado apoia Anabela Freitas, de quem refere ser amigo pessoal, refere também não ter sido contactado para segundo da lista, condena a coligação PS/CDU e desanca no vereador Bruno Graça, que classifica como "um mito tomarense". Quem fala assim...


Ainda no Cidade de Tomar, uma notícia que confirma aquilo que já aqui foi largamente referido: o anunciado realojamento de alguns ex-nómadas do acampamento precário do Flecheiro no terreno camarário entre a GNR e a via férrea. A ver vamos se vai mesmo avante ou se é só conversa. Podendo até vir a começar e parar logo a seguir, devido a uma eventual providência cautelar dos vizinhos. Assunto a seguir com atenção.


Para terminar com a imprensa local, O Templário, que ainda não está nas bancas à hora a que escrevemos esta resenha, tem como tema de primeira página a multa de 40 mil euros imposta pela ASAE à Câmara, por causa do Parque de Campismo ter vindo a funcionar há anos sem estar munido da indispensável licença de utilização.
Tomar a dianteira sabia do assunto mas comprometera-se a nada dizer até novas indicações. Uma vez que agora o escândalo já é do domínio público, pode avançar que não se trata de uma só multa, mas de duas, num total de 80 mil euros. Além disso, a ASAE concedeu um prazo curto para a autarquia proceder ao encerramento do parque, que oficialmente não existe naquele local, designado como parque da cidade no plano de  pormenor, aprovado pelo município em tempo útil.
Agora a autarquia procura afanosamente soluções para os problemas resultantes da sua própria aselhice em mandatos anteriores. Quanto às multas, parece não haver nada a fazer. Há que pagar, naturalmente com dinheiro dos contribuintes e não de quem meteu o pé na argola. Sobre o encerramento, aponta-se nesta altura no sentido de onde está agora o parque passar a haver transitoriamente um encosto para autocaravanas.


Na imprensa internacional, referência para o prosseguimento da campanha anti-cancro, financiada pelo governo francês, desta vez com o tema "Prefiro ir a pé"
No  que se refere à imprensa portuguesa, um curioso lapso no PÚBLICO de hoje. Veja se consegue encontrar o Politécnico de Tomar nesta ilustração:


Não conseguiu? Não desanime. Está no ângulo superior direito. A preto e em letra pequena, ao contrário de todos os outros estabelecimentos de ensino referidos. Um lapso, bem entendido. Mas há certos lapsos que são como determinados silêncios -muito eloquentes. Ou significativos, se preferir.
Finalmente esta notícia do Correio da Manhã:


Temos assim que a câmara de Lisboa, também liderada por gente do PS, consegue reunir 5 milhões de euros para fundar, equipar e dotar um museu luso-hebraico. Desses 5 milhões, 1,2 milhões vêm de uma fundação do dono da Altice, o cidadão francês de religião judaica Patrice Draghi. O restante será custeado pela taxa turística. Um imposto pago pelos visitantes, que não existe em Tomar. Aqui quem paga são sempre os mesmos. Os desgraçados dos tomarenses.
Tudo isto apesar de na capital portuguesa não existir qualquer vestígio judaico de relevo anterior ao século XIX. Nós aqui em Tomar temos a sinagoga do século XV, a mais antiga do país, na qual está instalado desde o século passado o museu luso-hebraico Abraão Zacuto. Monumento que foi visitado por mais de 30 mil pessoas em 2015, quando em Lisboa apontam 60 mil visitantes por ano para o futuro museu.
Pois apesar disso e de até haver já um donativo norueguês importante para custear as obras, a câmara que temos ainda não foi capaz de mandar rebocar uma parede que está leprosa e em estado vergonhoso há mais de 5 anos 5. Estamos muito bem servidos de autarcas, não estamos?!
E pronto, Tem aqui muito para ler e meditar durante o longo fim de semana que se aproxima. Aproveite, porque Tomar a dianteira não vai durar sempre.

Na "selva" de Calais - França - 2

"Vamos instituir um "corredor de saída" que uma vez franqueado tornará o regresso impossível à "selva"

A governadora civil da região de Pas de Calais espera evacuar 2 mil pessoas logo no início da operação de desmantelamento

"A governadora civil do Pas de Calais está pronta. Aguarda apenas a ordem do ministro, que pensa não tardar. Na passada segunda-feira, 12 de Setembro, esteve novamente todo o dia em Calais. Na sua secretária improvisada, as plantas gigantes da "selva" misturam-se com fotografias aéreas deste bairro da lata, que ocupa grande parte do seu tempo.

Um aspecto da "selva" de Calais. No primeiro plano as tendas do acampamento "selvagem". Ao fundo os alojamentos em contentor do campo de acolhimento, inicialmente facultados pelo governo como solução provisória para o afluxo de migrantes que pretendem ir para Inglaterra. (Foto Charales Platiau/Reuters/Le Monde)

Fabienne Buccio diz ter aprendido com o desmantelamento da zona sul da "selva", em Fevereiro passado. Sabe que todos os que são voluntários para partir devem ser embarcados nos autocarros o mais depressa possível, antes que mudem de opinião. "Pretendo obter quanto mais autocarros melhor, para que todos os migrantes que o desejem possam partir imediatamente. Vamos instituir um"corredor de saída", que uma vez franqueado tornará o regresso impossível à "selva". É a partir desse mesmo "corredor de passagem" que tencionamos orientar cada pessoa, cada família, com a maior minúcia possível, para o local de acolhimento que melhor convenha à sua situação."
Alguns Centros de Acolhimento e de Orientação (CAO) dispõem de alojamentos para famílias. Outros ainda, têm dormitórios para homens sós. "Em nenhum caso poremos pessoas a dormir em pavilhões desportivos", insiste a governadora civil. Utilizada na região de Paris, esta fórmula não tem sido até agora muito convincente e os migrantes têm regressado aos acampamentos.
A governadora civil solicita, além de um acolhimento digno, autocarros em número suficiente para evacuar 2 mil pessoas logo nas primeiras horas da operação, mesmo se esta, acrescenta ela, vier a durar uma semana. "Ao entrar no autocarro, cada um indicará o nome, a idade e a nacionalidade, para que à chegada as associações saibam quem vão realmente acolher." O trajecto de cada autocarro será estabelecido a nível superior.



Zonas de 600 refugiados

No início de Setembro, a distribuição dos migrantes previa que o maior contingente iria para a Região Auvergne-Rhône-Alpes (1.800). A Nova Aquitânia e a Occitânia receberiam por sua vez 1.400 cada. uma. Estes números representam afinal  o total de lugares que o governo pretende impôr às regiões. Por enquanto, Auvergne-Rhône-Alpes ainda só desbloqueou 25%, a Auvergne 33% e a Occitânia 20%...
Entretanto, para que a operação de desmantelamento decorra o melhor possível, a governadora dividiu o acampamento em quadrículas, zonas de 600 migrantes cada, que serão desocupadas uma a uma, após as partidas voluntárias. "Vamos pedir a cada refugiado que desmonte a sua tenda antes de se ir embora", informa a governadora, que pretende evitar ao máximo as imagens de destruição de alojamentos precários. As mesmas que, difundidas pelas televisões do Mundo inteiro, aquando do desmantelamento da zona sul, em Fevereiro passado, mostraram o carácter da operação então em curso e impediram o ministério de aproveitar o ensejo para desocupar também a parte norte.
A governadora, que teve uma reunião de trabalho com todas as associações no passado dia 15, espera tê-las convencido a trabalhar em conjunto com o governo e a persuadir os migrantes que é do seu interesse abandonar o acampamento precário. Persiste todavia uma incógnita: Quem vai ser levado para para o centro de retenção administrativa (CRA)? Em Novembro de 2015 foram reservados lugares em 7 CRA de todo o país. Houve então tantos migrantes em retenção administrativa como em em centros de acolhimento."
Maryline Baumard, Le Monde, 18/19 Setembro 2016, página 10
Tradução e adaptação de António Rebelo