sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Apontamentos


Mário Cobra
António Rebelo


Há nesta pobre terra gente sem vergonha nenhuma na cara.


Jura-se que é verdade. Num comentário, (anónimo pois claro! O jeito que o anonimato dá a algumas víboras locais.), que pode ser lido aqui, alguém teve o desplante de escrever, supomos que sem se rir, "Pobres trabalhadores municipais, explorados e mal pagos, a terem que aturar "marretas" e um janota como este."
O pensamento é livre e em democracia a opinião também. Convém no entanto ter sempre presente aquele axioma que se menciona em todas as escolas de jornalismo: "A opinião é livre, mas os factos são o que são. A Terra é redonda. Goste-se ou não."
No caso dos "pobres funcionários municipais, explorados e mal pagos..." é público e notório que, exceptuando a varredura, a recolha do lixo, o serviço de atendimento único, o apoio à presidência e pouco mais, o trabalho camarário não mata ninguém. Pelo contrário. E quem escreve estas linhas sabe do que fala. Um saber de experiência feito:


Quem diria...

Em entrevista ao Cidade de Tomar, diz Luís Ferreira, ex-chefe de gabinete no executivo actualmente em funções, posto a andar pelos seus camaradas: "As pessoas melhor colocadas para exercer funções no município, sou eu e o Luís Boavida." Porquê? perguntamos nós, uma vez que as entrevistadoras o não fizeram. Certamente porque já estavam esclarecidas.
-Por serem os dois Luís?
-Por frequentarem os dois a mesma loja?
-Por saberem das problemáticas  contas municipais?
-Por comerem bastante frango assado?
-Por serem os dois anafados?
-Por ambos usarem sapatos pretos de cabedal?
-Por se encontrarem os dois na prateleira, um no PS, outro na autarquia?
-Porque um é Boavida e o outro nem tanto?
Para quem ainda não saiba, Luís Boavida, ex-chefe da divisão financeira da autarquia, foi colocado na prateleira pelo actual executivo, apesar de antes ter sido convidado para integrar a lista PS em 2º lugar, e deste serôdio elogio de Luís Ferreira, na altura todo-poderoso. Olha se não fosse considerado tão competente! Seria desterrado?!

Nem tudo está perdido... em Lisboa

Segundo o jornal Público

"Lisboetas preferem jardim a parque de estacionamento"

"Um novo espaço verde de acesso público, no lugar do planeado parque de estacionamento com 86 lugares, a construir num terreno com 8 mil metros quadrados, de propriedade municipal. É esta a proposta pela qual se bate um conjunto de cidadãos das freguesias da Penha de França e de Arroios, entre as quais se divide a encosta denominado de Caracol da Penha, onde começaram, há poucos dias, a ser feitos os preparativos para instalar um parqueamento, a explorar pela Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa - EMEL. Trata-se de uma parcela semi-abandonada no meio do tecido urbano, mas de uma grande riqueza vegetal."
Olha se fosse em Tomar! Já andavam simplesmente a procurar a melhor maneira de obter um dístico de estacionamento gratuito. Tomarense é assim. Sobretudo se mora na Alameda.

Começam mal


Li isto no Tomar  na rede, nos comentários àquele texto sobre as nomeações camarárias atrasadas. No meu pobre entendimento, começam mal, conquanto a causa seja nobre e louvável. Em democracia, sobretudo nas cidades pequenas como a nossa, onde tudo acaba sempre por se saber, o anonimato apenas revela cobardia, vergonha, falta de transparência... Por isso venham de lá os nomes. E boa sorte!



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Leitura em diagonal dos jornais locais de hoje

A cada semana que passa, a imprensa local é um viveiro de notícias e/ou de ausência delas. Porque há coisas de que os jornais tomarenses e o outro do JAE  jamais falarão. Os leitores sabem quais são e porquê. 
Esta semana justamente, pode ler-se no outro do JAE que afinal aquele caso das "câmaras problemáticas para o PS", noticiado no Público, não passou de um "lapso jornalístico". (Pág. 19) Só nos faltava esta: um jornal de referência que publica lapsos.
Ainda no outro do JAE, a informação de que Anabela será a candidata do PS em Tomar, uma vez que os socialistas já decidiram a nível nacional recandidatar todos os actuais presidentes de câmara. Por conseguinte, os laranjas nabantinos só não ganham em 2017 se não quiserem. Até já sabem quem são os adversários, com um ano de antecedência...
Destaque também para este naco de prosa do semanário da Chamusca:

Afastaram-no, agora aturem-no!

Bitaites por bitaites, aqui vai mais um do mesmo Luis Ferreira, neste caso copiado de Cidade de Tomar:


Sempre demasiado modesto, este Luís Ferreira!

Entrevistado pelo venerando semanário, além do dito bitaite, ficamos a saber mais umas coisas dignas de registo: Em 2013, Rui Serrano foi a 3ª escolha, após as recusas de Luís Boavida e Miguel Pombeiro; Bruno Graça exerce influência abusiva sobre Anabela Freitas; há nepotismo na autarquia; Luís Ferreira é contra a coligação com a CDU e não faz parte dos seus planos candidatar-se à presidência da edilidade tomarense. Ainda no Cidade de Tomar isto:


É como nos jogos de cartas, baralha-se e volta-se a dar?

No Templário, limitei-me a ler a colaboração de António Freitas sobre o Círio, na qual advoga que o padre Mário deve ser mantido mais à distância nestas coisas das festas. Mas o melhor será ler a dita prosa na sua totalidade. E se não entenderem alguma coisa, perguntem ao Freitas.

anfrarebelo@gmail.com

Ironia tomarense

Esterco na corredora, na manhã de quarta-feira, entretanto já removido. O que mostra que os serviços municipais de limpeza funcionam. Não muito bem e nem sempre. Mas lá funcionar funcionam! Têm é muita falta de pessoal trabalhador. Há chefes em excesso e carência de índios. Pirâmide invertida. É um problema comum nas autarquias, que têm vindo a ultrapassá-lo privatizando serviços. Mesmo autarquias PS. Mas aí trata-se já de uma opção ideológica a sobrepor-se à lógica das coisas.

O facto é tão raro que merece destaque. Mas vamos por partes. Como é sabido, e isto não é uma crítica. Apenas uma constatação: os tomarenses de nascimento podem e devem ser divididos em dois grandes grupos, muito desiguais. Um imenso, que engloba a quase totalidade da população. São os conformistas conformados. Não reagem nem parecem interessar-se pelas coisas da sua cidade. Autistas? Digamos que gostam mais de olhar para dentro. São aqueles a quem me refiro, quando escrevo "Pobre gente; pobre terra". Expressão que tem o condão de os irritar. Porque não gostam do retrato. E acham que a culpa é do retratista.
O outro grupo, ínfimo,  integra os poucos que escrevem, falam ou de qualquer forma intervêm, por obrigação ou por mera devoção.
Nesse ínfimo grupo que também integro, o mais comum é o ar grave, o estilo empolado, a má disposição permanente. Assim um ar de indigestão crónica.  E depois há umas almas raras que conseguem levar quase tudo na brincadeira, usando a ironia como arma. 
Pois foi uma dessas almas felizes, que cultivam a ironia fina, que me abordou um dia destes com um pedido insólito: -"Diga lá no seu blogue para fazerem a Festa dos Tabuleiros ainda este ano". Como se calcula, não sendo íntimo daquele meu conterrâneo, fiquei surpreendido. O que me levou a tentar remediar a situação: -Mas a festa foi o ano passado e costuma ser no verão... -"Pois, mas como costumam lavar as ruas por ocasião da Festa dos Tabuleiros e elas agora estão tão porcas..."
Sorri, contente. Finalmente, um tomarense com sentido de humor e de oportunidade, ao serviço da cidadania. É tão raro que aqui reproduzo o seu pedido, com todo o gosto. Porque, tudo devidamente ponderado, aquele nosso conterrâneo bem disposto até é capaz de ter razão. É certo que vem aí a chuva de inverno não tarda, pensará o leitor, com toda a razão. Todavia, com cada vez mais gente a pedir chuva, não sei se tais bátegas chegarão para todos e se depois ainda sobrará  alguma água para lavar as artérias citadinas.
De forma que, à cautela, pelo sim e pelo não, se puderem, façam mas é uma edição invernosa da festa grande de Tomar. Ou então limitem-se a lavar as ruas quanto antes. Sempre fica mais barato. E a malta irónica agradece. Somos poucos? É verdade. Mas há muita gente que nos ouve.
Termino com dois versos. Um bem conhecido, de Manuel alegre. Outro muito tosco, que é meu.

Mesmo na noite mais triste
Em tempos de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não

Manuel Alegre, Praça da Canção

Já não é a servidão
Mas a noite ainda é triste
Sofre muito quem resiste
E quem ousa dizer não

António Rebelo, Praça da República

anfrarebelo@gmail.com

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Crónica de um naufrágio provocado

                   Foto copiada de Tomar na rede, por causa  das adequadas nuvens negras...

Escrevo sobre o Politécnico de Tomar e faço-o com profunda tristeza. Porque gosto muito desta minha terra e porque o Politécnico faz falta para o desenvolvimento local. Mas quê?! De ano para ano avolumam-se os sinais de naufrágio. A recente publicação dos resultados da primeira fase das candidaturas ao ensino superior, revelou o que já se suspeitava: o Politécnico de Tomar é afinal, com os seus 11 cursos em Tomar e 4 em Abrantes, uma mini-escola superior. Uma escolinha de adultos obstinados.

Politécnicos por ordem decrescente de vagas oferecidas em 2016, excluindo Lisboa, Porto e Coimbra

                               Entidade                            Total de cursos             Vagas em 2016


Não há portanto dúvida possível. Estamos mesmo e infelizmente na cauda do pelotão. Temos menos cursos, menos vagas e muito menos candidaturas. Sinal de que a moléstia tende a agravar-se. Porquê?
O capitão e os membros da sua tripulação, vão proclamar onde puderem que não é tanto assim, que a crise é passageira, que as críticas são injustas, que nas fases seguintes...
Esclareço uma vez mais que nunca fui nem sou candidato a qualquer lugar naquela casa, pelo que nada me move contra o triste estado a que aquilo chegou, com a complacência de todos. Estou tão só a tentar alertar. Para que não restem quaisquer dúvidas, aqui têm mais um quadro, antes de passar a outros aspectos da questão:
Não sou portanto só eu, que nem vou ao facebook, a criticar o politécnico tomarense. Os próprios alunos não me parecem assim muito entusiasmados. Em 39 votos, metade mostrou que não gosta. Dito de outro modo e numa só frase, o ensino superior em Tomar tem poucos cursos, poucas vagas, pouca procura, pouca qualidade e uma péssima imagem na Net:

Foi assim que cheguei às votações do Facebook, que não frequento. Limitei-me a abrir a página IPT, no Google.

Vejamos mais em detalhe tão triste situação.
A formação em Turismo ofereceu este ano à escala nacional, (excepto Açores e Madeira), 1028 vagas. Dessas, apenas 27 eram no Politécnico de Tomar. Terminada a 1ª fase de candidaturas, restaram só 79 vagas disponíveis no continente, mas ainda 12 em Tomar. É ou não é alarmante? Além de Tomar, apenas apresentaram vagas em turismo, disponíveis para a 2ª fase, Beja, Idanha a Nova, Guarda e Santarém. Ou seja tudo cidades com fracos recursos turísticos, três delas muito periféricas, com tudo o que isso significa. No extremo oposto, as escolas que preencheram todas as vagas na primeira fase: Algarve, Coimbra, Évora,  Estoril, Peniche, Tràs os Montes e Alto Douro, Viana do Castelo  e Viseu.
Se considerarmos que em Tomar, apesar de apenas ter preenchido pouco mais de metade das vagas oferecidas (15 candidatos para 27 vagas), o curso de Gestão turística e cultural foi mesmo assim o terceiro mais procurado, temos uma ideia da gravidade deste naufrágio provocado.
Falo deliberadamente de naufrágio, porquanto a gestão e o corpo docente do IPT, agarrados aos lugares como lapas às rochas, o que se compreende, pois os lugares bem pagos e pouco exigentes não abundam por esse país fora, parecem ter tendência para considerar que se trata apenas e só de uma tempestade passageira. E portam-se em consequência. Vão estando. Mas nada fazem para alterar o presente e preocupante estado das coisas. Recusam obstinadamente preparar o futuro. Pensam, se calhar, que vai ser apenas a repetição do passado e do presente, mas com mais candidaturas. Acreditam em milagres. São afinal, em termos de mentalidade e modo de estar, muito parecidos com alguns eleitos e funcionários superiores municipais. Influência do clima?
Julgo que estão a ver mal. Deliberadamente ou não. Do que se trata, penso eu, é de um barco médio que mete cada vez mais água, devido a repetidos erros do capitão e da sua equipagem, que foram provocando sucessivos rombos no casco ao longo da rota. É por aí que a água entra, sendo por isso urgente repará-los. Que rombos são esses? Escolha reduzida, cursos pouco apelativos, currículos inadequados, professores nem sempre da melhor qualidade, compadrios vários, fraco entrosamento com a comunidade produtiva, exageros vários de alguns membros da classe docente, cuja imagem é bastante negativa, devido a alguns consumos excessivos, pedagogia a rever quanto antes, avaliações que valem o que valem, imagem fortemente degradada...
Se nada for feito entretanto, quando dentro de algum tempo começarem a afogar-se, (embora alguns, mais cautelosos, já usem colete salva-vidas e saibam para que bote saltar quando for oportuno), lembrem-se que alguém vos alertou em tempo útil.
Porque me parece óbvio que o governo, seja qual for a sua cor  e/ou a sua boa vontade em relação a Tomar, muito dificilmente poderá continuar a manter em funcionamento um estabelecimento cuja frequência definha a olhos vistos de ano para ano. Daí, ou Santarém ou Leiria. Afinal, a Escola Superior de Artes das Caldas, que faz parte do Politécnico de Leiria, anunciou 350 vagas este ano, enquanto a Escola Superior de Desporto de Rio Maior, uma dependência do Politécnico de Santarém apresentou 345 vagas. Por conseguinte, ambas muito parecidas com o IPT em número de vagas. Exagero?! Olhem que não. Subtraindo as 115 vagas de Abrantes, restam ao IPT - Tomar apenas e só 362 vagas. Uma ninharia no contexto nacional. Que ainda por cima apenas conseguiu atrair 44 candidatos na Escola de Gestão = 34,4% e 104 na Escola de tecnologia = 44,35%.
Por tudo isto, pode também suceder que, acossados por Bruxelas e outros credores, os governantes prefiram ou sejam constrangidos, mais prosaicamente, a mandar colocar trancas na porta. de uma vez por todas. Oxalá me engane, ou esteja a ver mal o problema!
Entretanto, ainda estão a tempo. Basta de auto-satisfação e de auto-condescendência. Enxerguem-se! Tenham a coragem de se olhar ao espelho com olhos de ver. E depois ajam em consequência!

ADENDA
Sobre está matéria, recomendo vivamente a leitura de comentários com acusações gravíssimas, que podem ser vistos aqui.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O cacarejar da rapaziada do PSD

Mário Cobra

"Rapaziada do PSD vai a todas as festas", titulou o conceituado Cidade de Tomar. Um respigo do Facebook. Decerto uma postagem com cheirinho a arraial popular. Pelo escrito, a citada rapaziada vai às festas promover o charme eleitoral. O povo presente olha-os de soslaio e pergunta, com a boca cheia e os beiços gordurosos, de onde serão aqueles miúdos. Responde logo um comparsa: "-Não estás ver que são miúdos de frango?" E aponta para uma pratada de moelas, pescoços e fígados.
Alguém, sabido nessa coisa da política local, esclarece que a rapaziada daquelas mesas é do PSD, e anda a fazer pela vida autárquica. Futuros secretários de vereadores. Futuros assessores de casos pouco acessíveis. Há também chefe de gabinete, assim sobeje um gabinete. O que esta rapaziada não faz por essas mordomias! Comem frangos nas festas. Alguns até dançam (tangos e valsas), fazendo saltar o verniz. Outros ainda, até dizem que gostam muito de tintol, enquanto vão empinando imperiais. Que sacrifício!


Estamos a ver a rapaziada nos fins de semana festivos, sextas, sábados e domingos. Três dias, três, a comer frango. Palatos inflados pelo piripiri. Confidenciava há tempos alguém de um conjunto musical (nesse tempo chamavam-se conjuntos...), assíduo nos bailes das festas, que, cansados de comer sempre o "penoso" assado, passaram a especificar nos contratos "Actuação inclui jantar por conta da comissão organizadora, sem frango assado". Foi remédio santo. Passaram a comer sempre febras assadas. Na mesma linha, também Jerónimo de Sousa, o conhecido líder do PCP, confessava algures, numa entrevista recente, que um dos transtornos das campanhas eleitorais reside no enjoo de andar quinze dias seguidos a comer lombo assado. Lombo assado decerto por ser para ele, que é camarada secretário-geral, e para agora se ir habituando a engolir sapos no âmbito da geringonça. Porque nas autárquicas há menos lombo assado e mais coiratos. E até alguns coirões. Ainda crus, mas já muito queimados.
Estamos daqui a ver, nas próximas autárquicas, na altura do voto, a tia Maria para o marido desde há 40 anos "-Ó Zé, de que partido era aquela rapaziada que comeu tantos frangos durante a festa?" "-É do PSD, aquele da seta a apontar para o boneco." "-Ponho aí a cruz?" "-Tem que ser mulher. É essa  a nossa cruz."
Diz ainda o tal facebook que, enquanto isso, a rapaziada do PS, ainda não anda pelas festas. Devem pensar que os votos hão-de vir de Lisboa. Como quase tudo o resto. Deduzimos nós que esta rapaziada socialista por enquanto se enrola nas esplanadas da cidade, se calhar enviando mensagens de "Boas férias" à presidente e/ou perguntando entre si "-Viste por aí o vereador Serrano? Desde que entregou a encomenda com os pelouros, nunca mais o encontrei." Calhando, acrescentamos nós, é o único da futura grelha do PS que já anda pelas festas populares, a comer frango para as próximas eleições. Contudo, um conhecido militante socialista local até já aventou a hipótese de o ex-vice-presidente abrantense e tomarino (ou vice-versa) se encontrar em retiro espiritual. Expediente a que recorre por vezes uma outra figura citadina, nascida alhures, para estar longe da legítima, mas bem acompanhado, durante duas semanas seguidas. Há homens com muita sorte...


Naturalmente, o senso comum não vê qualquer inconveniente no facto da rapaziada PSD andar pelas festas a saborear frango assado e a molhar a goela, enquanto vai comendo a moela. Até contribuem para aumentar  as receitas dos certames, o que as respectivas comissões agradecem. Contudo, em nossa  humilde opinião,  um dos perigos será essa rapaziada, depois de vencer as eleições, vir a exibir-se por aí de cristas levantadas. Outro perigo será, se perderem as eleições, virem a lastimar o tempo perdido nestas estratégias de aviário, tipo cada asa de frango um voto. Tanto mais que o excesso de hormonas ingeridas pode implicar problemas como a calvície. E, dizem os especialistas, que também pode provocar homossexualidade. Mas são dois falsos problemas. Por um lado, nunca ninguém viu burros carecas. Por outro lado, nos tempos que correm, ser homo assumido é até uma vantagem. Passa-se a beneficiar da protecção às minorias oprimidas.
Pela nossa parte, aconselhamos moderação, não aconteça que, por comerem tantos frangos, nos futuros cargos, tanto na vereação como na Assembleia Municipal, em vez de empolgadas intervenções políticas, a rapaziada se limite a cacarejar.
Seja como for, esta poderá até vir a ser uma forma de o PSD escolher o seu cabeça de lista para a câmara, nas próximas eleições: O dirigente que tenha comido mais frangos assados nas festas populares. Ou o que cacareje mais e melhor. Idealmente, o que tenha comido mais frangos assados e cacareje mais e melhor, terá praticamente a vitória garantida.
O problema é que não cacareja bem quem quer. Só quem pode e sabe. A Cristas que o diga. À cautela, o melhor será portanto olvidar transitoriamente os frangos e as imperiais, escolhendo entre Santos e pecadores mais ou menos ingénuos, por enquanto ignorantes das ratoeiras da vida. Sem esquecer que boa vida é bom, mas só para certas coisas. Depende do contexto.
Outrossim, seria muito perigoso baralhar certas realidades. Os Santos são do âmbito celeste, ambos estudaram lá por cima, o que não significa todavia que as celestes sejam santas ou estejam sequer na graça de Deus, que é como quem diz nas preferências dos eleitores. Porque só se pode gostar daquilo que se conhece, e  o domínio celeste é praticamente desconhecido. Ao contrário do que sucede com os Santos, que até já foram do governo e depois trabalharam em Paris, na OCDE. Pois é!
Quanto aos socialistas, é fora de dúvidas que a Ana continua bela, mas não ganha. Nunca ganhou. O PSD é que perdeu de antemão, ao insistir participar na corrida autárquica com um macho coxo em vez de um cavalo de raça. Convirá por isso lembrar-lhes, aos socialistas -tanto mais que há ateus militantes nas suas fileiras- que uma eleição é sempre uma viagem rumo ao desconhecido e que, se S. Cristóvão é o santo padroeiro dos viajantes, convém ter  também em conta que, para percursos acidentados, com muitas subidas e descidas, como é  e vai ser manifestamente o caso, dá muito jeito ter um parceiro com experiência das serras. Um serrano, pois claro. Cuidado porém.  Geralmente taciturno, na política um serrano não aprecia muito uma viagem com graça.
Amem!

Texto editado por António Rebelo

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Estamos na mesma como a lesma



Estas fotos foram tiradas ontem. Não são as de 2013. O leitor fará o favor de procurar as diferenças.

Queixam-se os numerosos visitantes e com razão. É lastimável o estado em que se encontram as paredes da Sinagoga de Tomar. Leprosas, cheias de salitre, a pedir reparação urgente. Que afinal até nem é nada de muito complicado. Em 2 dias um pedreiro e um servente resolvem aquilo. Desde que não sejam funcionários públicos. Se forem, a coisa levará mais tempo. Bizarrias, diria um alentejano.
Conheço há anos os actuais eleitos do executivo tomarense. O suficiente para assegurar que não são anti-semitas. Mas parecem, tal é a falta de empenhamento que demonstram nas obras de manutenção da sinagoga, que até são de pouca monta. Picar, rebocar e pintar.
O problema arrasta-se há anos. Já em Julho de 2013, antes portanto da campanha eleitoral desse ano, aqui se abordava o assunto. Faça o favor de procurar aqui o texto Promessas..., de 02 de Julho de 2013. Aí, se gostar pouco de ler, o que acontece a muito boa gente, pode ir directamente para o último parágrafo. (Peço desculpa mas não consegui linkar directamente o texto. Sou um aselha em informática, que nunca ninguém me ensinou, porque jamais frequentei qualquer curso dessa área.)
Por essa altura, os senhores autarcas terão alegado, se calhar, que não havia dinheiro para as obras, mentido descaradamente porque aquilo é uma insignificância nos proventos camarários. Veio a seguir, nas eleições de Outubro, a relativa maioria socialista. Forçada a aliar-se à CDU. Mas tudo continuou como dantes, até com o ex-vice-presidente de Abrantes na área das obras e afins.
Entretanto passaram milhares de turistas, que viram o estado miserável do templo judaico. Os portugueses nada disseram ou fizeram, porque já estão habituados. Sabem muito bem o que a casa gasta. Com os estrangeiros porém, as coisas são diferentes. Têm outro olhar e outra atitude. Ficam envergonhados ao constatar que, num país da UE, ainda há chagas assim. E agem em consequência.
Ao que nos foi dito, noruegueses entregaram um elevado donativo, destinado a custear as obras. Uns falam em 40 mil euros, outros em 100 mil euros. A ser verdade, onde está esse dinheiro? A autarquia nada tem a dizer? A oposição não tem nada a perguntar a esse respeito?
De estudo em projecto, de projecto em parecer, de parecer em despacho, de despacho em visto, de visto em cabimentação, a câmara lá vai protelando as ditas e insignificantes obras de simples manutenção. Agora juram que é para Janeiro. É claro que já ninguém acredita. E têm boas razões para tanto. A julgar pelas obras, a actual gerência camarária apenas vai estando. Em todo o caso,  cá por mim concordo com o S. Tomé: Ver para crer.

domingo, 11 de setembro de 2016

Mais um...


Os turistas devem adorar fotografar o património construído da antiga Praça de D. Manuel I, a pincipal da cidade, com aqueles stands de cor modernaça, automóveis em exposição e afins. Fica lindo, não fica? Pense lá um bocadinho, caro leitor. Quando visita outras terras gosta de encontrar coisas assim? Não bastavam já os pilaretes?

Ontem houve mais um evento na Praça da República. A noite branca. O barulho durou até bem depois da meia-noite. Já não mora ninguém na velha praça e os residentes das ruas circundantes que se lixem. Podem dormir de dia, que é o que fazem geralmente, a julgar pela sua costumeira atitude cívica, pensam se calhar os distintos autarcas que temos.
Como é habitual, funcionários municipais instalaram grades, contentores e até uma torneira com água gratuita. Para o povo poder dar de beber à dor. Que por estes lados não é pouca. Os organizadores, por sua vez, montaram um palco, sistemas de iluminação e de som, e até colocaram  um automóvel em exposição. Sem qualquer relação com o evento e, pasme-se! de uma marca alemã que foi multada a nível Europeu por falsificar deliberadamente os testes de poluição dos seus motores diesel. Houve também lugar para três balcões precários de venda de bebidas alcoólicas. Com destaque para os dois da Sagres, no seu vermelho berrante.
Compreendo a lógica dos fabricantes de cerveja. Fazem publicidade à borla ou quase, a qual ainda por cima não exibe a obrigatória advertência "O álcool faz mal à saúde. Beba com moderação". E até podem servir álcool a menores de idade que ninguém repara. Quanto às igualmente obrigatórias facturas,  como garantia de boa cobrança do IVA... É festa, é festa!
Não entendo (certamente por incapacidade minha) o que leva os senhores autarcas a autorizarem estas coisas. A câmara cobra os serviços que presta? Não se sabe, pois aquela casa nunca informa. Funcionam em circuito fechado. Como se não dependessem no fim de contas dos eleitores.
Estão abertos actualmente na praça 5 estabelecimentos 5, que vendem bebidas alcoólicas. Três cafés e dois restaurantes. Assim sendo, que razão ou razões levam os ilustres autarcas a autorizar os tais balcões precários de cervejeiras e afins?  Temem que os estabelecimentos existentes não cheguem para as encomendas? Não é evidente que esses balcões efémeros, também porque não têm sanitários, fazem concorrência desleal a quem paga as suas obrigações fiscais e arca com avultadas despesas fixas?  Não se está mesmo a ver que a generalidade da clientela compra ali as bebidas, mas vai urinar nos limítrofes cafés e restaurantes?
Também não entendo e fico até triste com a atitude dos comerciantes e industriais (a restauração é uma indústria) sistematicamente prejudicados mas que não protestam. Têm receio? Ou é apenas feitio?
Pobre terra! Triste gente!