Números são números. Bem mais unívocos e por isso dificeis de "torcer". Ao contrário das palavras que, nas mãos de especialistas, permitem dizer praticamente tudo e o seu oposto. 22 são 22 e 19% são isso mesmo. Mas, em função do contexto, casa pode ser um edifício, 3ª pessoa do presente do indicativo do verbo casar, abertura no tecido para um botão, emparceirar bem, lar, local de nascimento, residência, quadrado num quadriculado...
Portanto, procurando evitar na medida do possível alargamentos de conveniência, onde passe a caber quase tudo, resolvi fazer um pequeno quadro agrupando os resultados autárquicos no concelho de Tomar, de 2005 a 2013:
Resultados eleitorais em Tomar 2005 - 2013
2005 2009 2013
PS..............................4.236...18,02%............4.756......20,89%.............5.479.....27,55%
PSD...........................9.985...42,53%............7.959......34,96%.............5.198....26,14%
IpT............................4.948...21,05%.............4.756.....20,89%..............3.094....15,56%
CDU.........................1.445...6,15%...............1.667.......7,32%..............1.827......9,19%
CDS............................767...3,26%................1.210......5,31%................560.......2,82%
BE.............................672...2,86%...................829......3,23%................585......2,94%
MPT.................................xxx.....................................xxx...................1.369......6,88%
Brancos..............................3,67%.................................2,62%............................4,73%
Nulos..................................2,45%.................................2,02%...........................4,19%
ABSTENÇÃO..................39,00%...............................41,21%.........................46,07%
Perante este quadro de resultados oficiais, cabe acrescentar o seguinte, para melhor proveito dos leitores. Sobretudo se também são eleitos ou -cereja em cima do bolo- dirigentes partidários:
A - Em 3 consultas eleitorais sucessivas, o PS local progrediu apenas 9,53%, todavia o suficiente para conquistar a autarquia ao PSD.
B - Durante esse mesmo espaço de tempo, o PSD baixou 16,39%, perdendo por isso a presidência.
C - Os IpT entraram em grande em 2005, mas desde então já perderam 5,49%.
D - Inversamente, a CDU foi subindo. Passou a contar com mais 3,04% É pouco, mas os do PCP vêem longe...
E - O CDS praticamente não sai do mesmo patamar. Perdeu apenas 0,44% entre 2005 e 2013, apesar de um pequeno espicho em 2009, com um ganho de 2,05% em relação à consulta anterior. Mas foi sol de pouca dura. Quando arranjarem uma "figura local" para encabeçar a lista, parece-me natural uma acentuada subida. Dependerá da figura e só dela.
F- O BE está praticamente como o CDS. A mostrar mais uma vez que também por aqui os extremos se tocam.
G - O surpreendente resultado do MPT em 2013 reforça o que escrevi em E, servindo também para demonstrar que há no concelho muita fruta eleitoral madura, a colher por quem souber trabalhar.
H - Os votos brancos pouco evoluíram. Apenas um acréscimo de 1,06%. Já os nulos aumentaram um pouco mais -1,74%. São mau sinal para uma democracia já com 42 anos. Indicam que em vez de se aperfeiçoar a mesma se vai esboroando.
I - A evolução da percentagem de abstenções é outro importante sinal de alarme. Aumentou 7,07% em pouco mais de 10 anos, o que não é nada tranquilizador. Porque sem eleitores não pode, como é óbvio, haver democracia, Que de resto também seria sem objecto.
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