terça-feira, 6 de setembro de 2016

Comparando resultados...

Números são números. Bem mais unívocos e por isso  dificeis de "torcer". Ao contrário das palavras que, nas mãos de especialistas, permitem dizer praticamente tudo e o seu oposto. 22 são 22 e 19% são isso mesmo. Mas, em função  do contexto, casa pode ser um edifício, 3ª pessoa do presente do indicativo do verbo casar, abertura no tecido para um botão, emparceirar bem, lar, local de nascimento, residência, quadrado num quadriculado...
Portanto, procurando evitar na medida do possível alargamentos de conveniência, onde passe a caber quase tudo, resolvi fazer um pequeno quadro agrupando os resultados autárquicos no concelho de Tomar, de 2005 a 2013:

Resultados eleitorais em Tomar 2005 - 2013


                                  2005                            2009                               2013
 PS..............................4.236...18,02%............4.756......20,89%.............5.479.....27,55%

PSD...........................9.985...42,53%............7.959......34,96%.............5.198....26,14%

IpT............................4.948...21,05%.............4.756.....20,89%..............3.094....15,56%

CDU.........................1.445...6,15%...............1.667.......7,32%..............1.827......9,19%

CDS............................767...3,26%................1.210......5,31%................560.......2,82%

BE.............................672...2,86%...................829......3,23%................585......2,94%

MPT.................................xxx.....................................xxx...................1.369......6,88%

Brancos..............................3,67%.................................2,62%............................4,73%

Nulos..................................2,45%.................................2,02%...........................4,19%

ABSTENÇÃO..................39,00%...............................41,21%.........................46,07%

Perante este quadro de resultados oficiais, cabe acrescentar o seguinte, para melhor proveito dos leitores. Sobretudo se também são eleitos ou -cereja em cima do bolo- dirigentes partidários:

A - Em 3 consultas eleitorais sucessivas, o PS local progrediu apenas 9,53%, todavia o suficiente para       conquistar a autarquia ao PSD.

B - Durante esse mesmo espaço de tempo, o PSD baixou 16,39%, perdendo por isso a presidência.

C - Os IpT entraram em grande em 2005, mas desde então já perderam 5,49%.

D - Inversamente, a CDU foi subindo. Passou a contar com mais 3,04% É pouco, mas os do PCP     vêem longe...

E - O CDS praticamente não sai do mesmo patamar. Perdeu apenas 0,44% entre 2005 e 2013, apesar de um pequeno espicho em 2009, com um ganho de 2,05% em relação à consulta anterior. Mas foi sol de pouca dura. Quando arranjarem uma "figura local" para encabeçar a lista, parece-me natural uma acentuada subida. Dependerá da figura e só dela.

F- O BE está praticamente como o CDS. A mostrar mais uma vez que também por aqui os extremos se tocam.

G - O surpreendente resultado do MPT em 2013 reforça o que escrevi em E, servindo também para demonstrar que há no concelho muita fruta eleitoral madura, a colher por quem souber trabalhar.

H - Os votos brancos pouco evoluíram. Apenas um acréscimo de 1,06%. Já os nulos aumentaram um pouco mais -1,74%. São mau sinal para uma democracia já com 42 anos. Indicam que em vez de se aperfeiçoar a mesma se vai esboroando.

I - A evolução da percentagem de abstenções é outro importante sinal de alarme. Aumentou 7,07% em pouco mais de 10 anos, o que não é nada tranquilizador. Porque sem eleitores não pode, como é óbvio, haver democracia, Que de resto também seria sem objecto.

anfrarebelo@gmail.com

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Os factos aí estão...



Devo estar a precisar de ir ao oftalmologista. Ou no mínimo ao optometrista. Isto a ajuizar pelos comentários supra, copiados de tomarnarede.blogspot.com. Vejamos. O meu anónimo contraditor começa por  usar linguagem empolada, vocabulário requintado e fraseado lisonjeiro, para logo a seguir espetar o punhal até ao cabo na minha dignidade de cidadão: Segundo ele, anónimo que ninguém sabe quem seja, (se calhar nem ele próprio),  sou um reles mentiroso, pois discordo da sua versão dos factos! Por conseguinte, um de nós está a ver mal. De certeza certa!
Quando escrevi há dias, metaforicamente, que o insidioso e anónimo comentador estava decerto sentado  na sanita quando escreveu, tendo em conta o resultado publicado, diz que menti. Afinal garante que estava sentado "numa almofada folgazona", seja lá isso o que for. Mas em contrapartida nada esclarece quanto à forma, conteúdo ou qualidade do escrito por si então produzido. É pena.
Quando avancei que a comparação entre a saída do vereador Serrano e o corriqueiro conto infantil do rei que vai nu me parecia pouco adequada, detalhando até que na realidade local terá havido mais de dois alfaiates aldrabões, escreve ele que voltei a mentir. Afinal, esclarece só agora e como se eu fosse um néscio nessa matéria, tratava-se apenas da transcrição literal do citado conto. Mas nada acrescenta quanto à evidente desadequação entre o aludido texto literário e o problema Serrano. Que continua assim por esclarecer em boa parte. É outra vez pena.
Finalmente, assevera que menti pela terceira vez, "em matéria do [meu] interesse - a defesa aflitiva do renunciado eleito -vá-se lá saber porquê, quando [deturpo e altero] a sequência e cronologia dos acontecimentos vividos pelo personagem, porque alguém foi posto no olho da rua..." Perante tais enormidades e evidentes dislates, sou forçado a perguntar: Quando escreveu semelhante relambório, sentado na sanita ou na aludida almofada, o meu assanhado contraditor anónimo estava mesmo são, sóbrio, sereno e na plena posse de todas as suas faculdades? Onde é que conseguiu pescar essa balela do meu "interesse na defesa aflitiva do renunciado eleito"?
Que o dito e visivelmente peculiar anónimo não goste da minha prosa, ou a ache agora embaciada, está no seu direito. Que não concorde de todo com aquilo que escrevo, idem  idem. Agora que pretenda fazer crer aos leitores que eu minto sempre e quando a minha interpretação dos factos não coincide com a orientada e marcada narrativa dele, isso não! Não posso calar nem consentir! Porque sei tratar-se na realidade da posição de determinada força política.
Acresce que toda esta sua prosa insidiosa, plena de prosápia, foi mandada para o Tomar na rede e não para aqui, como seria lógico, uma vez que sou eu o alvo e o texto comentado foi difundido aqui e não no outro blogue. Daí resultou que só tive conhecimento de tal obra-prima de dissimulação e de má-fé graças à ajuda de pessoa amiga, que a leu e me alertou. Qual foi afinal a vera intenção do anónimo e/ou de quem lhe puxa os cordéis de comando? Poupar-me a emoções mais fortes? Tentar evitar a minha resposta? Se foi, pode descansar. Vivo há tantos anos neste purgatório tomarista que praticamente já pouco ou nada me surpreende ou abala. E se tentaram evitar que eu respondesse, perderam.
Outro sinal que julgo curioso e muito significativo é o conteúdo do último e demasiado concordante comentário, anónimo como não podia deixar de ser, também acima reproduzido, e que até agonia com tanto cheiro a ranço. Lê-se e pensa-se inevitavelmente nas missas: -Palavra do senhor! clama o celebrante. -Amem! respondem em coro os fiéis. Infelizmente para si, anónimo, e demais irmãos na doutrina,  já todos os que andamos nesta faina há muitos anos sabemos bem que só há na sociedade portuguesa duas organizações capazes de orquestrar coisas assim. Não as nomeio por pudor, mas os leitores deduzirão facilmente.
Concluiu o amável contraditor anónimo com esta bem burilada frase, com algo de queirosiano: "E porque, com ruins defuntos não se deve gastar muita cera, por aqui definitivamente se fica! Desde que algo lido em matéria de religião, mesmo qualquer ateu materialista sabe bem que é justamente com os "ruins defuntos" que se deve gastar mais cera. Justamente para tentar que consigam enfim abandonar o purgatório, rumo ao Céu dos bons e dos justos.
Um sítio que na minha tosca opinião o ora infeliz contraditor anónimo nunca alcançará decerto. Sobretudo desde que o Ramon Mercader usou a picareta de mina para assassinar o outro, a mando de quem sabemos. E de tudo o que se seguiu durante décadas por essa Europa fora, acobertado pelo silêncio cúmplice dos comparsas daqui. Mas isso já é outra história. As ideias e o modus operandi é que pelos vistos ainda perduram  por estas bandas. Infelizmente.

anfrarebelo@gmail.com

domingo, 4 de setembro de 2016

Estacionamento, moradores, autarcas e assessores

Como é sabido por quem lê regularmente este blogue, apresentei na altura própria uma queixa ao Provedor de justiça, por me sentir discriminado naquele lamentável caso dos 70 estacionamentos gratuitos reservados aos moradores da Alameda. Continuo aguardando serenamente o respectivo desfecho.
Entretanto Tomar na rede resolveu difundir a minha reclamação, o que desencadeou uma dúzia de comentários. Todos anónimos como é hábito nesta linda terra onde nasci. Alguns de uma qualidade que me abstenho de qualificar. Como este, por exemplo:


Na altura calei-me, pois em geral casos como este não têm remédio. Estão remediados por natureza. Mas ficou-me na mente aquela do "muito pequenino se nunca viu medidas destas um pouco por todo o lado." Confesso agora que o atabalhoado e injusto comentador tem razão nesse detalhe, mas só nele. Realmente nunca vi medidas destas. Nem um pouco por todo o lado, nem em mais lado algum. Só mesmo em Tomar. Terra que adoro, mas cujos habitantes...
Se calhar porque nas outras urbes os moradores são realistas e não gosmas ou elitistas; os autarcas não andam a caminhar ao lado dos respectivos sapatos e os assessores jurídicos informam atempadamente os eleitos sobre aquilo que podem validamente deliberar. Não é manifestamente o caso de Tomar e isso nota-se quase todos os dias.
Para que dúvidas não restem no espírito de quem ler esta prosa, aqui vai um exemplo de "medidas destas um pouco por todo o lado", para usar parte da infeliz frase do citado comentador:



Conforme se pode constatar, não escolhi nenhum exemplo alógeno, tipo Paris, Rio de Janeiro, Tóquio ou Nova Iorque. Contentei-me com o Porto, terra de gente trabalhadora e honrada, habituada a dar sempre a cara, carago!
O que consta deste exemplo? Que a autarquia da segunda cidade do país deliberou alargar o estacionamento tarifado a mais uma série de artérias, mas não reservou qualquer bolsa de estacionamento gratuito para os respectivos moradores, o que seria ilegal e portanto nulo. Limitou-se por isso a anunciar uma avença paga para qualquer residente da cidade ou do concelho, a partir de Janeiro próximo. Naturalmente com um abatimento igual para todos, cuja percentagem o jornal todavia não menciona. Ou seja: Fizeram exactamente aquilo que é comum fazer-se por esse mundo fora. Excepto em Tomar. Porque aparentemente só aqui nas idílicas e edílicas margens do Nabão se verificou até agora essa desgraçada convergência de moradores elitistas e gosmas, autarcas lorpas e mal informados, assessores jurídicos sornas e incapazes, que redundou na caricata deliberação instituindo 70 lugares de estacionamento privativo para uso exclusivo e gratuito da auto-proclamada crème de la crème da Alameda. Todos os outros são cidadãos de 2ª. Ou pior ainda...
À falta de melhor, valha-nos nossa senhora da Agrela, que não há santa como ela!

anfrarebelo@gmail.com












sábado, 3 de setembro de 2016

Suputações tomareiras de Verão

Mário Cobra

Reconhecido pelo recente alvitre para eventual autor do texto da farsa "o calvário do executivo templário e dos eleitores templeiros" (com letra pequena, numa terra pequena, com gente pequena), ocorrem-me as seguintes achegas para cenas putativas:
A - O Fatias de Cá já levou aos palcos "Sonho de uma noite de verão" Sugere-se agora a versão burlesca "Pesadelo de uma agonia nabantina".
B - O papel mais difícil de definir será o desempenhado pelo vereador CDU, Bruno Graça. Mera caixa de velocidades da desconchavada "carreta" (a fazer pensar no funeral da cidade e do concelho, para o qual já faltou mais...), em que já só funcionam a marcha atrás e o ponto morto?
Dos outros vereadores ainda se entendem os respectivos e tristes papéis, tendo em conta os correspondentes vencimentos e/ou gratificações como figurantes. Mas outro tanto não acontece com o eleito CDU, que se assume como actor amador em termos remuneratórios. Se o problema dele é como ocupar o tempo, alvitra-se a sua transferência para o Fatias de Cá. Onde de resto já actua com bastante êxito um eventual futuro candidato laranja.
C - O fio condutor da rábula poderá ser o burlesco óbvio de o executivo municipal ter confundido no seu guião (programa eleitoral) "evoluir" com "proibir". Exemplo: Na zona histórica, em vez da evolução, avulta a proibição -os pilaretes. Além de ter optado por sucessivos monólogos em vez de diálogos francos.
D - Caso Carlos Carvalheiro aceite encenar a coisa, aventa-se desde já que recorra previamente à assessoria de  um gabinete de psicólogos. Talvez até de psiquiatras, porque o Serviço Nacional de Saúde Mental não reconhece os psicólogos, dado não poderem prescrever medicação. Ou talvez que, ó eleitores!, no caso do actual executivo, já nem os genéricos resultem. Só mesmo tratamento alternativo.
E - Tendo em conta a recente e intempestiva saída de cena a tempo inteiro do actor Rui Serrano, ignora-se por enquanto se pela direita alta, se pela esquerda baixa, julga-se útil informar o leitor que pelo centro da cena normalmente só saem os que inadvertidamente caem do palco. Dito isto, ocorre-me como título de filme "Vereador em fuga bate sempre duas vezes com a porta". Nesta fase do folhetim, o dito vereador contesta em especial a falta de qualidade da actual protagonista para desempenhar o papel de presidente. Porque não indica alternativas? Talvez a Glenn Close de "Ligações perigosas" e "Atracção fatal"? (Não se indicam actrizes portuguesas, mesmo de telenovela, porque, no actual estado do país são bem capazes de aceitar um papel autárquico, ainda que pífio, desde que bem remunerado...)
F - Por impossibilidade prática de participar em termos de escrita assídua no folhetim "Mal-vindos a Tomar", em especial porque a "Opinião" está de férias, formulo ao Tomar a dianteira votos de continuidade na sua incómoda função de inconformado com o actual desleixo autárquico. Em termos de leitorado, basta frisar que o Correio da Manhã edita 112 mil exemplares diários, enquanto o Público não passa dos 18 mil. Aí está o país que temos. Aí está o concelho que não temos.
G - Quando refiro que a "Opinião" está de férias, posso concretizar que o expectável "Tomar opinião" está na praia. Que pensa o Tomar opinião sobre a entrega dos pelouros por parte do vereador Serrano? Não se sabe. O blogue está a banhos salgados. Na sorna. De resto, mesmo se não estivesse de férias, os seus estatutos fundadores não prevêem dedicar-se a essas diatribes da politiquice caseira. Optam antes pelos temas de incidência universal. Do zero ao infinito, sem nenhum escalão intermédio. Donde se pode deduzir que, em política e comentário, quem quer ir longe não deve emitir opiniões. Sabe-se, por exemplo, que o PSD Tomar exige eleições autárquicas já. Não se sabe o que o PSD Tomar, ou os hipotéticos futuros candidatos pensam/opinam sobre temas do tipo "Como bem receber os visitantes?"
H - Ficou a saber-se a seu tempo e por exemplo, a estratégia de António Paiva. Optou pelo turismo de elite em detrimento do turismo de pé descalço. Daí que tenha mandado encerrar o Parque de campismo, demolir o parque de merendas e construir quatro campos de ténis, cuja utilidade tem sido evidente desde então. Mas continuam os eleitores sem saber onde e como tenciona o futuro presidente da autarquia captar verbas sem recorrer ao saque no estacionamento pago.
I - Dos actuais supostos candidatos a candidatos sabe-se apenas que esperam vencer as eleições por antes terem vencido as oposições internas sempre ávidas, baseando-se todos em exclusivo no grande conceito estratégico que dá pelo nome de senhora inércia. De resto, faltam opiniões e propostas sobre um concelho onde a indústria definhou, o comércio agoniza e nos serviços salvam-se apenas o veraneio das esplanadas e a restauração da baixa citadina. A restauração da comida. Não a dos imóveis, que bem precisam. Mesmo alguns da autarquia.
J - De tudo isto e o mais que não me ocorreu ao bestunto, junto seguem em termos de rábula teatral algumas propostas de resolução dos inquinados e, pelos vistos, insolúveis problemas autárquicos:
1 - Venda do concelho aos chineses, uma vez que eles compram tudo.
2 - Entrega de metade do concelho a Ourém e outra metade a Ferreira do Zêzere.
3 - Caso Ourém e Ferreira recusem, o que é provável, procurar outros interessados.
4 - Mesmo de tendência iconoclasta, arrisco ainda  a hipótese de convite ao Papa Francisco para cabeça de lista nas próximas autárquicas. Se aceitar, vencerá sem qualquer dificuldade e com larguíssima maioria, pois todos sabemos que só mesmo um milagre pode evitar a derrocada deste circo tomarense. E aí, a não ser Nossa Senhora de Fátima ou Santa Iria, que não são deste mundo baixo, quem mais a não ser o jesuíta Francisco?

Texto editado por Tomar a dianteira.
                         

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Pobre terra...

Pobre terra que tal gente tem. De cada vez que escrevo essa frase, ou algo parecido, arranjo mais uma mão cheia de inimigos de estimação. Compreende-se. Quando a foto não é mesmo nada bonita, ninguém gosta de se ver retratado. E como não têm maneira de rasgar a foto, vingam-se como podem. Culpam o fotógrafo. Já dizia o Confúcio: Quando o dedo aponta para a Lua, os idiotas põem-se a olhar para o dedo. É a vida, costumava dizer o Guterres.
O recente murro na mesa (em sentido figurado, claro) do vereador Serrano teve, entre outros, o mérito de vir confirmar integralmente o que escrevi aqui. Inesperado para a generalidade dos leitores, o seu  "basta" caiu como a primeira grande bomba outonal  no peculiar sector informativo local. Até agora, decorridas mais de 48 horas e publicados os semanários locais, ainda ninguém arriscou comentar a atitude do vereador. Porquê?

Foto Tomar na rede

As excepções, como o leitor bem sabe, são as duas do costume: Tomar a dianteira e os comentários quase sempre anónimos de Tomar na rede. Desta vez, os habituais escrevinhadores de serviço sem coragem para se identificar, foram manifestamente apanhados de surpresa. E logo quando estavam sentados nas sanitas, como provam alguns comentários de merda que produziram e que podem ser lidos no post Vereador Rui Serrano "bate com a porta". O primeiro e o último então são mesmo de almanaque.
Aquele porque me parece que o seu autor nem mediu bem aquilo que escreveu. Vejamos. Diz ele, de forma atabalhoada, que o rei (o vereador) vai nu porque dois alfaiates aldrabões o enganaram. O que não corresponde de todo à verdade. Tentando seguir o raciocínio do ilustre mas distraído comentador, julgo útil precisar o que segue. Inicialmente, para convencer Serrano a integrar a lista PS foram vários os aldrabões de serviço, encabeçados por Luís Ferreira. Após o primeiro murro na mesa, em Janeiro deste ano, os aldrabões de serviço já foram em parte outros, capitaneados pelo vereador da CDU e pela presidente. Por conseguinte, a haver alfaiates aldrabões e o rei nu, aqueles foram muito mais do que o comentador escreveu. A não ser que o dito comentador tenha considerado que os dois alfaiates aldrabões são afinal o PS e a CDU. Creio porém que não será o caso, porquanto o dito cujo até está inscrito, se não erro, numa dessas duas formações políticas. Mas tudo é possível nesta abençoada terra.
Quanto ao último comentário, aquele que fala da PIDE, visivelmente fora de época , que fazer senão sorrir melancolicamente?
Perante tal realidade, vem-me à memória a letra daquele velho fado: Tudo isto existe/Tudo isto é triste/ Tudo isto é fado.
E dá-me ganas de trocar a ordem  das vogais de fado. Lá isso dá!

Aditamento

Já aqui comentei em tempo oportuno o comunicado do PSD Tomar, na sequência da renúncia parcial de Rui Serrano. Resta agora precisar que, sendo uma reacção de circunstância, não pode ser considerado de forma alguma um comentário. Será isso sim apenas "música ambiente". Infelizmente para todos. Incluindo os seus autores. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Drama e fuga

É dos livros. A História nunca se repete. Quando na aparência isso acontece, se da primeira vez foi uma comédia, na segunda é um drama. Estamos exactamente perante esse caso. Em Janeiro, o vereador Serrano entregou os pelouros, o que levou a presidente a retirar-lhe a vice-presidência. Nem um nem outro julgaram então útil informar os cidadãos que os elegeram. Curiosa noção de democracia e do direito à informação da parte de ambos...
Constatou-se mais tarde, dissipado o deliberado nevoeiro informativo, que afinal tudo não passara de mais uma daquelas comédias políticas em que esta bela terra é pródiga. A  liderança efectiva da geringonça local passou de facto para o vereador da CDU, Hugo Cristóvão assumiu a vice-presidência, Serrano recuperou alguns pelouros, com o respectivo vencimento, continuou calado e a vida prosseguiu. Tudo no segredo dos gabinetes, como é costume nesta formosa cidade.
Oito meses volvidos, a roda da história voltou a acelerar bruscamente. Desta vez Serrano, se calhar instruído pelo falhanço da comédia de Janeiro, resolveu ser dramático. Enviou à reduzida e parcialmente entorpecida informação local um texto extremamente claro e agreste. Nele acusa explicitamente a presidente de não ter competência para exercer o cargo que ocupa e de sistematicamente pôr em causa decisões dele, vereador que ora a acusa. Contextualmente deixa subentender que a reiterada anulação das suas decisões resulta do facto de ela própria ser dominada politicamente por outrem: o companheiro, o vereador CDU, ou por ambos.
Face a tudo isto, os cidadãos que pagam impostos, designadamente para beneficiarem do direito à informação, que é fundamental em democracia plena, ficaram na expectativa de uma explicação-resposta-defesa da senhora presidente. Pois nada! Duas linhas num texto rapsódico deram a saber aos leitores mais atentos e só a eles que, poucas horas após a renúncia de Serrano, a presidente deu corda aos sapatos. Fugiu. Nada disse aos seus conterrâneos. Não julgou necessário. Ou não sabe como defender-se, face às graves queixas do seu vereador e ex-número 2 na lista?
Oficialmente foi de férias. Ignora-se por quanto tempo. E nem sequer se sabe preto no branco quem ficou encarregado de ir despachando os assuntos correntes enquanto a senhora veranear. Prenúncio de longas férias, eventualmente até às próximas autárquicas? Uma repetição do acontecido com Corvêlo de Sousa? Nesta terra que adoro já vi tanta coisa, que já pouco ou nada me surpreende.
Dito isto, pergunto: Quem está oficialmente mandatado para despachar os assuntos correntes, durante a indisponibilidade da senhora presidente? O Cristóvão? O Bruno? Ambos? Nem um nem outro?  Um terceiro? Ninguém? Quando é que a gerência PS tenciona finalmente informar cabalmente os tomarenses sobre aquilo que se passa no seu seio? Falta a coragem? O modus faciendi? A capacidade redactorial? Um pouco disso tudo?
Tudo isto me leva a pensar, caros leitores, que no fim de contas estamos perante mais uma tragicomédia nabantina. Só falta agora o Carlos Carvalheiro, generoso génio teatral local, resolver levá-la à cena. Que tal em 12/12, às 15H15, com lanche ajantarado a 23,23€, no salão nobre dos Paços do Concelho ?!?!
Com Joana Jacob como Anabela, Jorge Neves como Serrano, Lourenço dos Santos como Bruno, Hugo Cristóvão e Luis Ferreita como eles próprios Texto de Mário Cobra, encenação de Carlos Carvalheiro, narração de Virgílio Saraiva. Seria sucesso garantido. Mesmo sem subsídio camarário ou outro... Como é habitual no Fatias..

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O PSD tem razão, mas...

Tal como previ no texto anterior, a oposição que temos, ou pelo menos uma parte substancial dela já embandeira em arco. Os laranjas locais comunicaram à população que lastimam o sucedido e exigem eleições antecipadas. Estão cheios de razão. Também me parece não haver nesta altura outra solução tão boa como novas eleições locais. Para as quais, convém dizer, nenhuma formação está minimamente preparada. Se vieram a ocorrer, todos terão sido apanhados por assim dizer com as calças na mão. À antiga portuguesa.
E depois há óbices. No meu entender pelo menos dois principais, a saber. O tipo de eleição e a sua inevitabilidade. Quanto ao tipo de eleição, convirá a todos saber antes se serão eleições intercalares, só para concluir o mandato actual; ou eleições antecipadas, para um novo mandato de 4 anos. Parece-me mais lógico, mais proveitoso e mais barato que sejam antecipadas. O que estipula a legislação eleitoral?
No que concerne à inevitabilidade de novas eleições, a música é outra, bem mais complexa. O PSD exige eleições mas, sendo um partido de gente moderada, nada fará para as provocar. Argumentarão os seus dirigentes que usualmente quem provoca eleições nunca as ganha. Conversa fiada.
Em todo o caso, já escreveram no seu comunicado que "...o futuro, governado apenas pela presidente Anabela Freitas e os vereadores Hugo Cristóvão e Bruno Graça, nada de bom augura." Maneira de admitir que vão aguardar que o que resta do grupo governante venha a cair de maduro. Atitude duplamente errada, penso eu. Por um lado, porque o trio Anabela-Hugo-Bruno só poderá continuar em funções com a ajuda de pelo menos mais um elemento do actual executivo. Seja ele do PS, do PSD ou dos IpT. Por outro lado, porque exigir eleições é afinal limitar-se a aproveitar a situação. E a isso chama-se oportunismo político.
Por conseguinte, julgo que os tomarenses saberão na altura própria agradecer nas urnas a quem tiver tido antes a coragem de colocar em tempo útil o que resta do executivo em minoria, assim forçando a ainda presidente nominal a convocar eleições. Mas para isso terá de haver antes negociações sérias entre Serrano, Tenreiro e Pedro Marques. Será assim tão difícil chegar a um acordo sólido, para logo em seguida comunicar a Anabela Freitas que deixou de ter condições para continuar na cadeira do poder, uma vez que apenas dispõe de 3 votos, legalmente insuficientes num órgão de 7?
É isto ou o naufrágio geral daqui a um ano, que a população está farta de cantigas ao desafio. E já os nossos antepassados latinos deixaram gravado no mármore RES NON VERBA. Obras. Chega de palavras!
Aqui ficam o humilde aviso e a tosca opinião de um leigo ignorante das coisas da vida e da política. Boa sorte a todos!