quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Vereador Serrano volta a dar um murro na mesa

Há uma semana, em Tomar a sangrar, referindo-me ao vereador Serrano, escrevi: "De qualquer forma, é visível a olho nu que deixou de se sentir confortável como elemento do actual elenco." Posso portanto dizer agora, perante o novo murro na mesa dado ontem por Serrano, ao enviar  à informação local uma complexa mensagem comunicando a sua 2ª renúncia aos pelouros neste mandato, que era previsível. Tal como acontece com o futuro político do actual executivo. Com Serrano, mesmo coxo vai até ao fim, mas poucas hipóteses tem de vencer em 2017. Sem Serrano está perdido. Salvo inesperadas e muito improváveis novas alianças...

Foto Rádio Hertz (modificada)

Tomar na rede, um dos raros sítios onde se pode ler de quando em vez boa análise política local, ainda que acobertada em nomes supostos, titulou ontem a sua notícia "Vereador Serrano "bate com  a porta". Não me parece de todo que seja o caso. Desde logo porque o vereador socialista não saiu. Limitou-se por agora (?) a "dar um murro na mesa". Ou, para quem preferir, resolveu "falar alto", de maneira a ser ouvido fora e conseguir assim que o passem a ouvir dentro.
Lida  e relida a carta de Serrano, concluí haver nela três partes distintas. Na primeira queixa-se veladamente da falta de liderança de Anabela Freitas e das abusivas intromissões do seu chefe de gabinete de então, que  forçaram o arquitecto/vereador a renunciar aos pelouros em Janeiro deste ano. Já então, como me parece lógico deduzir agora, com o intuito de tentar remediar mediante um gesto de força o que lhe parecia estar mal.
Na segunda parte reforça as suas críticas à camuflada liderança efectiva do vereador da CDU, já antes implícitas, designadamente com uma frase bem pesada mas fora de sítio. A que serve de título à carta aos tomarenses: "Este, claramente, não é o meu executivo". Esta sua atitude, nada colaborante  para com  o vereador Bruno Graça, resulta claramente do facto de, uma vez mais e tal como já sucedia antes de Janeiro deste ano, se sentir desautorizado de forma reiterada. Demasiado desautorizado: "...reiniciou-se o constante pôr em causa das responsabilidades que vinha assumindo, sempre no interesse dos tomarenses..."
Na terceira parte enfim, diz ao que vem, embora de maneira deliberadamente ambígua, creio eu: "Não havendo da minha parte confiança nesta liderança política, à qual não reconheço credibilidade para liderar os destinos do nosso concelho, nada mais me é possível fazer, porque acredito no valor das coisas e não no tempo que elas duram." 
Que liderança política? A da presidente, que não existe? A de Bruno Graça, que é demasiado óbvia? Ambas? Ao escrever "porque acredito no valor das coisas e não no tempo que elas duram", está a referir-se mais precisamente a quê? À "equipa" que venceu por pouco as eleições? À coligação? Às duas?
Perante esta acção política corajosa, mas também ambígua pelo menos por enquanto, creio que a fraca oposição que temos vai embandeirar em arco. Faz mal. Na verdade, a decisão de Serrano colocou-o por agora apenas e só no meio do rio. Entregou os pelouros mas decidiu continuar como vereador. Torna assim possível que a presidente lhe mantenha o vencimento enquanto ele "votar bem", alegando que não aceitou ainda a renúncia aos pelouros. E pode vir a demonstrar na prática que, se não é possível para Serrano trabalhar eficazmente com o PS nas difíceis circunstâncias actuais, com a oposição também não, por manifesta ausência de projecto coerente e realista..
Porque para mim, e julgo que para a generalidade dos eleitores que se interessam por estas coisas e têm mesmo cabeça para isso, é óbvio que, caso resolva emparceirar com os dois vereadores PSD e com Pedro Marques, o vereador dissidente "tem o executivo na mão". E pode vir a fazer praticamente o que quiser. Naturalmente em concordância prévia com os parceiros de circunstância.
Ou estamos apenas perante o primeiro grande acto público de preparação das próxima listas autárquicas do PS, que Serrano visivelmente não quer que sejam de coligação com a CDU?

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Mudam-se os tempos...

Em tempo que reputei útil, lastimei aqui que todos nós contribuintes tomarenses sejamos obrigados a participar nos custos provocados pelo uso nem sempre muito prudente nem adequado do autocarro municipal. Verifico agora que afinal, no caso da notícia então citada e que desencadeou o texto, se tratava de acompanhar o grupo de forcados amadores e nossos queridos conterrâneos a terras alentejanas. Não é bem o que a senhora presidente prometeu publicamente algum tempo antes, mas pronto. É mais uma promessa política que se vai rio abaixo. E mais uma, menos uma... 
Indo ao cerne da questão: Tenho pelos corajosos forcados nabantinos, como de resto por quaisquer outros amadores que não abusem da sua paixão para daí sacar benefícios pecuniários, carinho, admiração, consideração e respeito. Nada me move portanto contra eles. Ou contra os outros referidos. Não posso, não quero, nem devo porém calar o que sinto, em nome de conveniências caducas. Para mim, o que está mal, está mal!


Tempos houve em que qualquer grupo de forcados amadores era como os bons vinhos: não precisava de acompanhamento. Contentavam-se com bons toiros e muita sorte. Os tempos mudaram, tal como Camões já previa há cinco séculos: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades/Todo o mundo é composto de mudança/Tomando sempre novas qualidades. E como estamos em Tomar...é natural que vamos tomando coisas novas. Só não sei é se serão sempre qualidades...
No caso em apreço, uma vez que acabo de falar de mudança, peço licença ao autor da notícia tauromáquica, que não tenho o gosto de conhecer pessoalmente, (julgo eu!) para introduzir uma pequena achega no último parágrafo: "De salientar, de louvar E DE PAGAR, que de Tomar seguiu O AUTOCARRO DA CÂMARA com cerca de meia centena de pessoas para acompanhar o Grupo de Forcados tomarense."
Diz um secular provérbio popular que "Quem não tem dinheiro, não tem vícios". Pelo visto, já não é o caso, Até uma autarquia com sérias dificuldades pecuniárias leva gratuitamente gente para assistir a corridas de toiros. É mesmo como dizia Camões. Mudam-se os tempos... infelizmente nem sempre no bom sentido. Digo eu...

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Se fossem só os eleitos...

Não tenho porque me queixar. Preveni logo no recomeço que não queria comentários, e talvez também porque a audiência diária não ultrapassa os 150 leitores, Tomar a dianteira 3 tem escapado à praga dos comentários anónimos. Outro tanto não poderá dizer o José Gaio. Com um leitorado diário de vários milhares, o seu excelente e generalista Tomar na rede recebe e publica por vezes comentários e até opiniões, tudo anónimo ou sob nome suposto, cuja qualidade me abstenho de qualificar, por uma questão de decência.
Demonstra  tal fenómeno que respeitáveis cidadãos eleitores, ao mesmo tempo que são designadamente contra o uso da burka ou do burkini por acharem que todos devemos dar a cara, preferem contudo agir na sombra, acobertados e acobardados pelo anonimato ou pelo nome suposto, quando se trata de opinar na blogosfera de um país onde reina a liberdade de opinião Este sintoma esquizofrénico, digo eu que não sou médico, não augura nada de bom para o futuro desta desgraçada terra. Porque não conheço -e julgo que nunca houve- um exército vencedor de uma guerra sem soldados nem graduados aceitando dar o peito às balas. Por conseguinte, a minha amada Tomar jamais vai conseguir singrar de novo sem uma guerra decidida contra hábitos caducos que nos têm vindo a arrastar para o fosso onde nos vamos enterrando cada vez mais.
Mencionei mais acima "respeitáveis cidadãos" e "graduados". Duas categorias sociais que bastante me preocupam, num outro sintoma da grave doença nabantina. Refiro-me ao para já falhado blogue Tomar opinião. Sete tomarenses, entre os quais duas ou três cabeças das melhores que povoam a cidade, resolveram lançar um blogue "...de artigos de opinião e um espaço de expressão livre e responsável, diversificada e ampla".
Foi há quase seis meses e até agora o resultado é bem magro. Publicaram apenas 47 mensagens, com um pico de 18 em Março e apenas uma em Agosto. Uma média semestral de 6 mensagens por cada bloguista-fundador. Temos de reconhecer que é pouco. Uma lástima mesmo. A mostrar que uma pobre terra em que mesmo os melhores têm entradas de leão mas saídas de sendeiro, nunca poderá ir longe enquanto a sua população não aceitar arejar seriamente a cabeça.
Para que isso aconteça é indispensável que, quanto antes, cada um de nós interiorize esta verdade incómoda: Os eleitos que temos não têm sido nem são realmente de muito boa qualidade. Mas nós, a população em geral, também não. E nunca ninguém viu nespereiras a dar pêssegos...

anfrarebelo@gmail.com

domingo, 28 de agosto de 2016

Estranho. Muito estranho mesmo

Já lá vão anos desde que, tal como os outros tomarenses conscientes, preocupados com o presente e o futuro desta terra, tive de engolir esse sapo gigantesco que dá pelo nome "Caso ParqT". Os anos passaram, mas ainda não consegui digerir o dito monstro. Por isso, até já solicitei por duas vezes para aceder ao respectivo processo, ao abrigo da lei do direito à informação. Para tentar compreender. Tanto o presidente Carlos Carrão como a presidente Anabela Freitas me informaram por escrito que o dito conjunto de documentos se encontra no tribunal administrativo de Lisboa em segredo de justiça.
Porquê e para quê, eis o que ainda me falta saber. Enquanto tal não acontece, vou-me agarrando àquele anexim oriental que diz "Dá tempo ao tempo; o tempo dar-te-à todas as respostas". Mesmo se algo triste quando medito  naquele outro provérbio: "Quando alguém (eu, no caso) aponta para a Lua, os palermas olham para o dedo".

EXPRESSO - ECONOMIA, 27/08/2016, pág. 27

Este anúncio, se não erro mandado colocar por uma irmã da ParqT, ainda não dá directamente respostas. Mas incita a formular diversas perguntas:
1 - Se um parque de estacionamento com 90 lugares, bem situado em Coimbra, à ilharga do grande eixo viário da baixa daquela cidade de 145 mil habitantes, com bons acessos e dotado de um posto de lavagem de carros todo equipado, dotado de vigilância permanente e com 25 anos de existência = clientela fiel, vale apenas, segundo os seus proprietários, 480 mil euros; como é possível que um parque de estacionamento com apenas 160 lugares operacionais, mal situado em Tomar, porque afastado dos principais eixos viários desta cidade com apenas 40 mil habitantes, com acessos complicados e uma única e perigosa saída, sem posto de lavagem de carros, mas com uma pequena construção destinada a cafetaria e um ascensor, que nunca funcionaram, com menos de 20 anos e uma reduzida clientela a preços igualmente reduzidos; como é possível, repito, que um parque assim tenha custado aos tomarenses todos que pagam ao fisco, via orçamento municipal, mais de 6 milhões de euros, ou seja 14 vezes o valor do parque de Coimbra???  Está tudo louco, ou quê?!?!?
2 - Bem sei que foi uma decisão de um tribunal arbitral, mas perante tão abissal diferença de valores, agora documentada por este anúncio, não estaremos perante um acordo leonino, um autêntico roubo camuflado, como tal contestável no foro judicial?
3 - A câmara de Tomar, que reuniu por diversas vezes expressamente para debater o caso ParqT e suas consequências, já contestou judicialmente, no local próprio, a referida decisão final do tribunal arbitral? Se o fez em tempo útil, qual é o ponto da situação nesta altura?
4 - Em que se fundamenta a câmara para continuar a ocultar aos tomarenses toda a trapalhada relacionada com a ParqT?
5 - Se antes do litígio Câmara/ParqT, o parque P1 era privado e seria explorado por essa mesma sociedade privada, o que levou e como conseguiu a autarquia mandar instalar lá toda a parte ruidosa do seu sistema de ar condicionado, muito antes de tomar posse legal do monstro?
Espero que não me venham outra vez com a estafada desculpa do segredo de justiça, para evitar responder cabalmente às perguntas supra. Os tomarenses pagam impostos. Têm portanto o direito de saber. E as eleições são já no próximo ano...

anfrarebelo@gmail.com

sábado, 27 de agosto de 2016

Caracterizando o problema

A questão do privilégio de estacionamento, que o executivo municipal decidiu conceder aos moradores da Alameda, e que eu resolvi contestar junto do Provedor de justiça, está a provocar uma bela celeuma. O leitor interessado fará o favor de clicar Tomar na rede e aí ler os comentários ao texto "Cidadão apresenta queixa... contra câmara de Tomar", de 25-08-2016. Impõe-se por isso uma recentragem do problema, tanta é a ignorância aí revelada.
Antes da generalização do automóvel, os cidadãos dispunham da chamada tracção animal. Cavalos, burros, machos ou bois eram o motor de carros, carroças, galeras, tipóias, charretes, landaus e por aí adiante. Naturalmente que a sua disseminação era bem inferior à dos actuais veículos automóveis, mas por outro lado os seus "motores" eram outrossim bem mais poluentes, ainda que com poluições mais feias mas menos nocivas para a saúde.
Pois nesses tempos, que duraram entre nós até à primeira metade do século passado, cada proprietário de animais ou veículos de tracção animal era obrigado a dispôr de arrecadação para os carros e de curral ou cavalariça para as alimárias. Ainda hoje assim é, quando se possui animal de tiro ou veículo hipomovido. Donde me parece resultar que a autarquia não tem qualquer obrigação legal de propiciar lugares de estacionamento, gratuitos ou tarifados, para os cidadãos residentes, proprietários de veículos a motor. É apenas a ignorância histórica, a ganância e a mal disfarçada caça ao voto (necessidade a quanto obrigas!), que leva os senhores membros do executivo a confundir as coisas. 
Se assim não fora, pelo menos na cidade antiga e para já, bastaria uma deliberação tão simples quanto isto: É proibido o trânsito e o estacionamento fora dos locais tarifados em toda a zona da cidade antiga, excepto para cargas e descargas, veículos de urgência e acesso aos parques ou garagens.
Evitar-se-iam assim os desmandos que por aí há, a progressiva invasão dos inestéticos pilaretes e sinais de trânsito de todo o tipo, que geralmente ninguém lê nem respeita (como demonstra a colocação dos pilaretes), lembrando ao mesmo tempo na prática que é dever de cada cidadão cuidar dos seus pertences e necessidades essenciais, sem estar atido só à acção da autarquia ou do governo. 
Mas se calhar estou a pedir demasiado. O costume.

anfrarebelo@gmail.com

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Quem não tem vergonha...

É uma originalidade portuguesa, entre os países fundadores da actual União Europeia: Cada município tem o seu autocarro de turismo de modelo recente. Oficialmente, o dito veículo destina-se a prestar serviço às escolas que dependem da câmara, transportando gratuitamente as respectivas criancinhas nas suas visitas de estudo.
Na vizinha Espanha, em França, na Itália, na Bélgica ou na Holanda não existe tal "facilidade". Quando os professores dessas escolas resolvem organizar visitas de estudo para os seus alunos, não vão mendigar o autocarro à autarquia, alugam-no a uma empresa de turismo ou de transporte de passageiros. Evitam assim hipotecar o seu voto. O mesmo acontece quando a própria autarquia necessita de um autocarro para qualquer actividade sua: aluga no mercado. O que resulta muito mais barato e portanto menos gravoso para o orçamento municipal e para a depauperada carteira do contribuinte. Porque não tenhamos ilusões. São sempre os cidadãos-contribuintes que pagam as asneiras e as larguezas dos vários organismos públicos.
Aqui em Tomar, usualmente terra de anuais-excursões-comezaina-bailarico pagas pelas juntas e de autocarro camarário à borla para os amigos, volta e meia há chinfrim por causa disso mesmo. Usualmente pacatos, os tomarenses acordam transitoriamente e a polémica instala-se. Se bem me lembro, na última vez que tal aconteceu, justamente por causa do uso e abuso do autocarro camarário, a senhora presidente deu uma garantia aos eleitores. Disse em substância que podiam ficar descansados pois daí em diante o veículo da discórdia passaria a ser cedido unicamente para as visitas de estudo das crianças das escolas.

CIDADE DE TOMAR, 26-08-2016, última página

Lendo com atenção o texto acima, sabedor de que a nossa simpática presidente nunca falta à palavra dada em público, sou levado a deduzir que na sua antes referida garantia sobre o uso do autocarro camarário, terá pelo menos pecado por omissão. Omitiu um detalhe sobremaneira importante: Os tempos mudaram ao que parece. Agora as crianças das escolas também participam em visitas de estudo para assistir a corridas de touros, como se sabe um espectáculo muito adequado à sua idade, por não ser nada cruel. (Pelo menos os touros nunca se queixaram...) E até podem marcar lugar por telemóvel. Suponho que elas e/ou os papás. Mesmo sem filhos ou outros descendentes em idade escolar, desde que aficionados...
Concluindo: Siga a descarada compra de votos à custa dos contribuintes, que as eleições são já no próximo ano e o importante é vencer. O resto depois logo se vê. Também por isso, estamos cada vez melhor nesta abençoada terra.


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Não há pior cego...

Pois é! Não há pior cego que aquele que não quer ver. E aqui em Tomar vegeta, julgando viver, uma chusma dessa triste gente. Em todos os sectores da cada vez mais encolhida população residente. Com destaque para os políticos em funções e os funcionários superiores armados em césares de trazer por casa, nas áreas que de alguma forma procuram condicionar.
Quando confrontados com críticas resultantes da sua lamentável postura, tanto uns como outros reagem da mesma forma. Usam uma série de ideias/frases feitas, que nas cabecitas deles parecem explicar tudo, quando afinal não passam de desculpas de circunstância, visando de forma tosca esconder o óbvio: incompetência, inveja, soberba, incapacidade para reconhecer que, insistindo em infernizar a vida dos outros, estão afinal cavando a longo prazo a própria sepultura. Não intuem que autarquias falidas não podem manter ad eternum funcionários supérfluos, mesmo se venenosos e apadrinhados..
Essas ideias/frases feitas gravitam à volta da mãe de todas elas: "É sempre a mesma gente; são dois ou três ressabiados que querem é tacho; a opinião pública não é a opinião publicada..." Quando se referem ao autor destas linhas, como não podem recorrer à questão do tacho, derivam invariavelmente para "o gajo é muito violento, agressivo, tem mau feitio, talvez herança de uma juventude complicada..."
E assim vão procurando esses torcidos conterrâneos iludir os menos advertidos, que infelizmente são a esmagadora maioria do eleitorado concelhio. Fingem argumentar, como forma de recusar debater o fundo da questão -a competência e a devoção à causa pública. Até agora, com a informação tradicional controlada de facto pela questão publicitária, a dita e asquerosa pseudo-argumentação tem resultado: os políticos e os funcionários geralmente em questão continuam nos seus cargos e desde o 25 de Abril ainda não tivemos em Tomar um empresário, um industrial, um comerciante ou mesmo um investidor como presidente de câmara ou sequer como vereador a tempo inteiro. Tudo funcionários públicos ou equiparados. E membros do partido, pois claro. Exactamente como nos defuntos regimes de leste, de triste memória.
Não foi por mera teimosia que decidi escrever sobre matéria já tão apodrecida que chega a ser mal cheirosa. Fi-lo porque julgo ter vislumbrado uma pequena luz ao fundo do longuíssimo túnel do meu descontentamento. Encontrei nas redes sociais, como agora se diz, mais precisamente aqui, dois comentários. Que mesmo imperfeitos, me parecem prefigurar o renascimento desta terra de que gosto tanto. Pelo menos começam a aparecer reacções mais saudáveis do muito limitado leitorado concelhio: