quarta-feira, 17 de agosto de 2016

No melhor pano cai a nódoa...

Entre o muito pouco de bom que esta gerência autárquica tem feito, avulta o melhoramento dos sanitários da Calçada de S. Tiago. Foi mesmo uma obra muito útil e oportuna. Que nem sequer terá custado muito dinheiro. E teria ficado óptima, não fora um pequeno descuido. Quem escolheu os mosaicos para o revestimento de solo não sabia, ou não se lembrou, que devem ser sempre tipo granito natural, ou semelhante, para disfarçar a inevitável acumulação de sujidade. Trata-se afinal de um local público, logo muito frequentado. E para fins nada limpos.
Resolveram usar no piso mosaicos brancos com cercadura cor de tijolo. E até ficou bonito, uma vez que as paredes também são brancas. Infelizmente, o resultado é o documentado nas fotos:




Até parece que aquilo não é limpo há décadas, quando afinal é cuidado todos dias e está geralmente impecável, com papel e sabão.
No melhor pano cai a nódoa. Neste caso caiu. Mas quero crer que quem manda nestas coisas vai ter a coragem de dar o braço a torcer. Substituindo os actuais mosaicos em branco-sebento por outros em granito natural cinzento claro, ou parecido. Que aquilo como está é uma vergonha que não dignifica ninguém. E se levasse também um daqueles seca-mãos eléctricos dos mais modernos, como os do WC do Continente, por exemplo, seria ouro sobre azul.
Aqui ficam desde já os meus antecipados agradecimentos. Para o caso de...

Mais uma asneira

Acabo de receber do leitor e antigo aluno Rui Lopes este texto, com estas ilustrações. Publico com todo o gosto. Não só por defender sempre o direito de opinião e à informação. Também  porque não se trata propriamente de um turista. E se até os indígenas se queixam, imagine o leitor o que não dirão, ou pelo menos pensarão, os infelizes visitantes que tiveram o azar de escolher Tomar como objectivo.
Trata-se afinal de mais uma das centenas de asneiras plantadas por esse concelho fora, com particular incidência na cidade, por razões óbvias. Tudo isto apesar de haver, no quadro do pessoal superior da autarquia, ao que me disseram, uma engenheira especificamente encarregada da sinalização. Se há mesmo, não se nota. A não ser pelas evidentes argoladas de bradar aos céus.
Aproveito para esclarecer que, se existe mesmo,  não conheço a referida funcionária, pelo que logicamente nada tenho contra ela como pessoa. Nem contesto o seu direito ao emprego. Limito-me a comentar resultados. Para lembrar a quem tenha poder executivo que é sempre urgente mudar, quando as coisas não vão bem. Como é manifestamente o caso.






terça-feira, 16 de agosto de 2016

O acesso à informação é um direito fundamental

Fechando por agora o tema da sinalização turística, julgo útil vincar dois aspectos: 1 - O acesso à informação é um direito fundamental, de resto legislado em todos os países democráticos. (Em Portugal consta da Lei 46/2007). 2 - Para os turistas, que são todos potenciais crianças ao chegar a uma localidade desconhecida, a boa informação é absolutamente essencial a uma boa estada e posterior recordação agradável.
Infelizmente, como em qualquer outra matéria, há sempre por parte da administração pública, que o mesmo é dizer dos seus funcionários, duas atitudes de base. Ou se empenham naquilo que fazem e procuram sempre executar o melhor possível; ou, pelo contrário, ficam-se pelo mínimo empenhamento possível, do tipo "para o que é, serve muito bem".
No país e em Tomar estamos como todos sabemos. Não aprendemos. Esquecemos quase sempre o velho aforismo "Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti". Na área da sinalética ou sinalização turística, aqui vão alguns exemplos desse "deixa andar", para não dizer desmazelo propositado...
Em Tomar indicam-se os parques P1-Praça da República e P2 - Estádio municipal (que já foi...). Com um pouco mais de empenhamento, indicava-se também a capacidade de cada um e se é unicamente para ligeiros. Os potenciais utentes ficavam logo mais descansados e melhor impressionados. Como em Versalhes (França):


Em Tomar praticamente não há sinalização turística para visitantes pedestres. Apenas um caso, dos muitos possíveis: O infeliz turista/campista que chega à estação da CP ou à Rodoviária, vê-se em palpos de aranha para saber onde ficam o parque de campismo, os monumentos ou os recursos hoteleiros. Em tempos esteve lá uma planta da cidade, por sinal muito bem feita. Onde isso já vai...
Em Paris, apesar de grande metrópole, os habitantes e os visitantes são tratados com mais cuidado. Têm sinalética específica para peões, que até lhes indica os endereços úteis:


Apesar de sermos (ainda?!?) das principais cidades turísticas do país, os pouco mais de 200 mil visitantes anuais do Convento de Cristo são uma insignificância, quando comparados com os 3 milhões do Alhambra, em Granada, ou os 5 milhões do Louvre, em Paris. Mas atrás de tempo, tempo vem, pelo que convém ir lembrando que "candeia que vai à frente, alumia duas vezes".
Mostrando que respeitam os cidadãos-visitantes e se empenham no seu bem-estar, as autoridades francesas até informam os turistas que fazem fila para entrar nos monumentos sobre o provável tempo de espera até entrarem. As duas fotos foram colhidas junto ao Museu do Louvre. O tempo de espera era de hora e meia. Apesar do elevado custo das entradas. Quando se é bem tratado, pouco ou nada cansa. Entenderam senhores camaristas locais?



segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Há cada uma !!!

É um protótipo de notícia estival. Estranha e manifestamente para "encher chouriços". Nada tem a ver com Tomar, porém nestas coisas nunca se sabe. Não vá algum autarca local tentar copiar a original campanha, resolvi publicitar a coisa:


Temos assim que alguns moradores alfacinhas e respectiva Junta de Freguesia resolveram atacar a evidente falta de civismo pelo lado menos óbvio. Arranjando uma tinta que, diz o texto, repele a urina, atirando-a para as pernas de cada prevaricador aflito. Têm mesmo a certeza que assim será?
Não tenho dúvidas de que, ao impermeabilizar a parede, a referida tinta contribuirá para retardar  e reduzir a incidência do futuro salitre, consequência inevitável da decomposição da urina. Agora o resto está-se mesmo a ver que não passa de balela de verão. Atirar a urina para as pernas do urinador? Não me façam rir! Só se ele for completamente estúpido, ou estiver tão carregado de álcool que já não consiga pensar um bocadinho. Caso contrário, bastará pôr-se de esguelha em relação à parede-mictório. Ou a apregoada tinta também é inteligente e, uma vez detectada a mudança de posição, começa logo a devolver nessa mesma direcção?
Não sendo lisboeta nem morador da citada freguesia, não posso contudo deixar uma pergunta, que admito algo incómoda: Não seria melhor deixar-se de histórias da carochinha e instalar sanitários nos locais visados?
Não conheço ninguém equilibrado que, tendo sanitários mesmo ao lado ou próximo, decida fazer contra a parede. Por conseguinte, instalem lá os sanitários, fixos ou móveis, que até terão uma vantagem suplementar: Os cidadãos beneficiários deixarão de se estar cagando para os autarcas e os políticos em geral, uma vez que poderão defecar tranquilamente sentados, quiçá meditando nas vantagens da democracia participada...

anfrarebelo@gmail.com

Cá e lá

É um velho aforismo árabe: As viagens formam a juventude. Mas toma cautela; se mandares o teu asno à Meca, ele voltará tão burro como à partida. Bem ciente disso, continuo viajando, usando a cabeça e sempre comparando aquilo que vejo com o que já conheço.
Desta vez regressei a terras de além-Pirinéus, a minha segunda casa. Revisitei Paris e arredores durante alguns dias. Mesmo ao lado do Hotel de Ville, a câmara de Paris, e da praça homónima, encontrei as indicações que a foto documenta:


Sanitários a 150 metros, Rua de Rivoli/Rua Lobau, Câmara Municipal, Centro Pompidou, Notre Dame. Tudo acompanhado pelo ícone de um pedestre ou peão.
Alguém imagina algo semelhante, ali ao cimo da Corredoura, ou mesmo da Praça? Assim do tipo
Sanitários a 50 metros, na Calçada de S. Tiago, Câmara Municipal, Convento de Cristo, Castelo dos Templários, Senhora da Conceição? E Sinagoga noutro painel? Era bom era! Mas dá trabalho. E trabalhar, tal como pensar, cansa. E depois há a estética urbana, desculpa que serve para muita coisa.
No meu tosco entendimento, o que esta diferença abissal mostra é uma triste realidade. Enquanto além-Pirinéus políticos eleitos e funcionários com poder decisório pensam nos seus deveres para com a República e nas necessidades dos seus concidadãos pagadores de impostos, que lhes asseguram afinal os respectivos vencimentos, aqui pela margens do Nabão tudo indica que a música é outra. Os funcionários com poder decisório estão-se marimbando para a República, seja lá isso o que for. Apenas estão interessados em cada fim de mês. Quanto aos políticos eleitos, além de pensarem na respectiva conta bancária, também se preocupam de quando em quando com os votos, dos quais depende afinal a dita conta. Mas como os turistas não votam em Tomar, estão sempre lixados. E com lixa da mais grossa. Pelo que, nem sequer o edifício dos Paços do Concelho ostenta qualquer identificação. Quem quiser saber o que aquilo é, que pergunte. 
Mas tirando estes detalhes, afinal coisa pouca, somos todos muito hospitaleiros, ó se somos! É também devido a isso que a ainda cidade tem cada vez  mais habitantes. Ou não?

anfrarebelo@gmail.com

domingo, 14 de agosto de 2016

Tentativa fortuita de assassinato político?

A notícia é d'O Mirante. Está na página 16 da edição de 11 deste mês de Agosto:


Para quem seja seguidor habitual da política nabantina, não traz nada de novo. É portanto tudo fraseado recozido. Foi de resto esse aspecto que despertou a minha atenção. Porque o Mirante é um semanário sério, responsável, isento, imparcial e feito por bons profissionais. Nestas condições, porquê esta notícia requentada, visivelmente fora de tempo útil, que o mesmo é dizer jornalístico? Simples manobra política, a tentar complicar o já confuso jogo político tomarense? Creio que o Mirante não se prestaria a semelhante coisa, uma vez que JAE tem demonstrado ser uma pessoa de bem.
Resta, porém, a intrigante publicação daquela foto de Lourenço dos Santos. Que resolvi ampliar, para melhor elucidação dos leitores:


Nela o conhecido e estimado ex-governante e empresário tomarense aparece com todo o ar de amante da noite e dos seus vários prazeres líquidos em excesso. Eventualmente até, já com alguns problemas hepáticos, prematuros para a idade. Tudo traços pouco atractivos para boa parte do eleitorado concelhio. Tentativa de assassinato político subliminar? Deliberada? Fortuita? Só JAE poderá esclarecer, se assim o entender.
Mas o estrago irreparável já está feito. Trata-se de um sério golpe baixo na pré-campanha de Lourenço dos Santos, mesmo se totalmente involuntário.
É pena!

anfrarebelo@gmail.com

O oráculo parisiense tem razão

"Quando o total de funcionários municipais ultrapassa a relação um por mil e quinhentos habitantes, esse concelho está condenado à morte a médio/longo prazo. Isto porque a população dá corda aos sapatos, demasiado castigada por exorbitantes impostos e taxas locais, indispensáveis para pagar funcionários nitidamente excedentários".  Assim falou o meu oráculo parisiense, a quem chamei secretário do Lafontaine, (nesta altura a residir em Versalhes por ser mais barato que Paris e distar apenas 16 quilómetros), conforme disse no texto anterior. Trata-se agora de verificar se tem razão.

Vista parcial do palácio de Versalhes, com a longa fila de visitantes no primeiro plano. Apesar do custo muito elevado, cada ingresso custa 25 euros/pessoa, o tempo de espera chega a ultrapassar nesta altura do ano a hora e meia.

Analisemos então, de forma forçosamente sumária, o caso de dois concelhos vizinhos, praticamente confinantes: Leiria e Tomar. Segundo dados do INE, em 1981 Leiria tinha 96.517 residentes e Tomar 45.672, ou seja praticamente metade. Trinta anos mais tarde, em 2011, a situação é já bastante diferente. A população leiriense aumenta para 126.897, enquanto que a de Tomar diminui para 40.677. Passou de metade para apenas um terço. Um crescimento populacional de 30.380 habitantes em Leiria, contra uma redução de 4.995 em Tomar. Porquê uma tão acentuada diferença, entre concelhos que distam apenas 40 quilómetros entre si?
Cada um só poderá encontrar as respostas que procurar. Infelizmente em Tomar, a autarquia que temos não tem o hábito de formular perguntas, quanto mais agora de procurar respostas, que sabe de antemão serem desfavoráveis e muito incomodativas. No caso presente, partindo do axioma referido no primeiro parágrafo, actualmente o concelho de Leiria tem 113.124 eleitores inscritos e emprega 633 funcionários. Ou seja, um funcionário por cada 1.787 habitantes. Inversamente, o concelho de Tomar está reduzido a 37.281 eleitores inscritos, mas conta com 520 funcionários. Um funcionário por cada 710 habitantes. E apesar desta diferença abissal, nesta abençoada terra outrora capital templária, há falta de pessoal, designadamente para limpar as ervas dos passeios. Ou para recolher o lixo atempadamente.
Na minha opinião está assim confirmada a hipótese indicada pelo meu oráculo parisiense. Pagamos por exemplo a água mais cara de toda a zona centro, devido às taxas exorbitantes que lhe estão agregadas, sobretudo para pagar funcionários municipais supérfluos. O que me leva a dizer que, na actual situação, não temos infelizmente uma autarquia ao serviço de toda a população. Temos apenas um município ao serviço dos funcionários que asila. Lamento dizê-o, mas é assim que vejo as coisas.
É claro que nada tenho contra os ditos funcionários, a quem reconheço o direito ao emprego e à segurança do dito. Sucede contudo que também estimo muito os militares, mas não toleraria umas forças armadas nitidamente excedentárias e por isso parcialmente supérfluas...
Concluindo. Com medo de perder os respectivos votos, os aprendizes políticos que vamos tendo por estas bandas nada ousam contra este triste estado de coisas. Aparentemente não os apoquenta o facto de a população tomarense ir encolhendo cada vez mais, contando agora com menos 3 mil residentes em relação a 2006.
Por este caminho, para onde vamos? 
Depois não venham dizer que ninguém vos avisou!

anfrarebelo@gmail.com