segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Há cada uma !!!

É um protótipo de notícia estival. Estranha e manifestamente para "encher chouriços". Nada tem a ver com Tomar, porém nestas coisas nunca se sabe. Não vá algum autarca local tentar copiar a original campanha, resolvi publicitar a coisa:


Temos assim que alguns moradores alfacinhas e respectiva Junta de Freguesia resolveram atacar a evidente falta de civismo pelo lado menos óbvio. Arranjando uma tinta que, diz o texto, repele a urina, atirando-a para as pernas de cada prevaricador aflito. Têm mesmo a certeza que assim será?
Não tenho dúvidas de que, ao impermeabilizar a parede, a referida tinta contribuirá para retardar  e reduzir a incidência do futuro salitre, consequência inevitável da decomposição da urina. Agora o resto está-se mesmo a ver que não passa de balela de verão. Atirar a urina para as pernas do urinador? Não me façam rir! Só se ele for completamente estúpido, ou estiver tão carregado de álcool que já não consiga pensar um bocadinho. Caso contrário, bastará pôr-se de esguelha em relação à parede-mictório. Ou a apregoada tinta também é inteligente e, uma vez detectada a mudança de posição, começa logo a devolver nessa mesma direcção?
Não sendo lisboeta nem morador da citada freguesia, não posso contudo deixar uma pergunta, que admito algo incómoda: Não seria melhor deixar-se de histórias da carochinha e instalar sanitários nos locais visados?
Não conheço ninguém equilibrado que, tendo sanitários mesmo ao lado ou próximo, decida fazer contra a parede. Por conseguinte, instalem lá os sanitários, fixos ou móveis, que até terão uma vantagem suplementar: Os cidadãos beneficiários deixarão de se estar cagando para os autarcas e os políticos em geral, uma vez que poderão defecar tranquilamente sentados, quiçá meditando nas vantagens da democracia participada...

anfrarebelo@gmail.com

Cá e lá

É um velho aforismo árabe: As viagens formam a juventude. Mas toma cautela; se mandares o teu asno à Meca, ele voltará tão burro como à partida. Bem ciente disso, continuo viajando, usando a cabeça e sempre comparando aquilo que vejo com o que já conheço.
Desta vez regressei a terras de além-Pirinéus, a minha segunda casa. Revisitei Paris e arredores durante alguns dias. Mesmo ao lado do Hotel de Ville, a câmara de Paris, e da praça homónima, encontrei as indicações que a foto documenta:


Sanitários a 150 metros, Rua de Rivoli/Rua Lobau, Câmara Municipal, Centro Pompidou, Notre Dame. Tudo acompanhado pelo ícone de um pedestre ou peão.
Alguém imagina algo semelhante, ali ao cimo da Corredoura, ou mesmo da Praça? Assim do tipo
Sanitários a 50 metros, na Calçada de S. Tiago, Câmara Municipal, Convento de Cristo, Castelo dos Templários, Senhora da Conceição? E Sinagoga noutro painel? Era bom era! Mas dá trabalho. E trabalhar, tal como pensar, cansa. E depois há a estética urbana, desculpa que serve para muita coisa.
No meu tosco entendimento, o que esta diferença abissal mostra é uma triste realidade. Enquanto além-Pirinéus políticos eleitos e funcionários com poder decisório pensam nos seus deveres para com a República e nas necessidades dos seus concidadãos pagadores de impostos, que lhes asseguram afinal os respectivos vencimentos, aqui pela margens do Nabão tudo indica que a música é outra. Os funcionários com poder decisório estão-se marimbando para a República, seja lá isso o que for. Apenas estão interessados em cada fim de mês. Quanto aos políticos eleitos, além de pensarem na respectiva conta bancária, também se preocupam de quando em quando com os votos, dos quais depende afinal a dita conta. Mas como os turistas não votam em Tomar, estão sempre lixados. E com lixa da mais grossa. Pelo que, nem sequer o edifício dos Paços do Concelho ostenta qualquer identificação. Quem quiser saber o que aquilo é, que pergunte. 
Mas tirando estes detalhes, afinal coisa pouca, somos todos muito hospitaleiros, ó se somos! É também devido a isso que a ainda cidade tem cada vez  mais habitantes. Ou não?

anfrarebelo@gmail.com

domingo, 14 de agosto de 2016

Tentativa fortuita de assassinato político?

A notícia é d'O Mirante. Está na página 16 da edição de 11 deste mês de Agosto:


Para quem seja seguidor habitual da política nabantina, não traz nada de novo. É portanto tudo fraseado recozido. Foi de resto esse aspecto que despertou a minha atenção. Porque o Mirante é um semanário sério, responsável, isento, imparcial e feito por bons profissionais. Nestas condições, porquê esta notícia requentada, visivelmente fora de tempo útil, que o mesmo é dizer jornalístico? Simples manobra política, a tentar complicar o já confuso jogo político tomarense? Creio que o Mirante não se prestaria a semelhante coisa, uma vez que JAE tem demonstrado ser uma pessoa de bem.
Resta, porém, a intrigante publicação daquela foto de Lourenço dos Santos. Que resolvi ampliar, para melhor elucidação dos leitores:


Nela o conhecido e estimado ex-governante e empresário tomarense aparece com todo o ar de amante da noite e dos seus vários prazeres líquidos em excesso. Eventualmente até, já com alguns problemas hepáticos, prematuros para a idade. Tudo traços pouco atractivos para boa parte do eleitorado concelhio. Tentativa de assassinato político subliminar? Deliberada? Fortuita? Só JAE poderá esclarecer, se assim o entender.
Mas o estrago irreparável já está feito. Trata-se de um sério golpe baixo na pré-campanha de Lourenço dos Santos, mesmo se totalmente involuntário.
É pena!

anfrarebelo@gmail.com

O oráculo parisiense tem razão

"Quando o total de funcionários municipais ultrapassa a relação um por mil e quinhentos habitantes, esse concelho está condenado à morte a médio/longo prazo. Isto porque a população dá corda aos sapatos, demasiado castigada por exorbitantes impostos e taxas locais, indispensáveis para pagar funcionários nitidamente excedentários".  Assim falou o meu oráculo parisiense, a quem chamei secretário do Lafontaine, (nesta altura a residir em Versalhes por ser mais barato que Paris e distar apenas 16 quilómetros), conforme disse no texto anterior. Trata-se agora de verificar se tem razão.

Vista parcial do palácio de Versalhes, com a longa fila de visitantes no primeiro plano. Apesar do custo muito elevado, cada ingresso custa 25 euros/pessoa, o tempo de espera chega a ultrapassar nesta altura do ano a hora e meia.

Analisemos então, de forma forçosamente sumária, o caso de dois concelhos vizinhos, praticamente confinantes: Leiria e Tomar. Segundo dados do INE, em 1981 Leiria tinha 96.517 residentes e Tomar 45.672, ou seja praticamente metade. Trinta anos mais tarde, em 2011, a situação é já bastante diferente. A população leiriense aumenta para 126.897, enquanto que a de Tomar diminui para 40.677. Passou de metade para apenas um terço. Um crescimento populacional de 30.380 habitantes em Leiria, contra uma redução de 4.995 em Tomar. Porquê uma tão acentuada diferença, entre concelhos que distam apenas 40 quilómetros entre si?
Cada um só poderá encontrar as respostas que procurar. Infelizmente em Tomar, a autarquia que temos não tem o hábito de formular perguntas, quanto mais agora de procurar respostas, que sabe de antemão serem desfavoráveis e muito incomodativas. No caso presente, partindo do axioma referido no primeiro parágrafo, actualmente o concelho de Leiria tem 113.124 eleitores inscritos e emprega 633 funcionários. Ou seja, um funcionário por cada 1.787 habitantes. Inversamente, o concelho de Tomar está reduzido a 37.281 eleitores inscritos, mas conta com 520 funcionários. Um funcionário por cada 710 habitantes. E apesar desta diferença abissal, nesta abençoada terra outrora capital templária, há falta de pessoal, designadamente para limpar as ervas dos passeios. Ou para recolher o lixo atempadamente.
Na minha opinião está assim confirmada a hipótese indicada pelo meu oráculo parisiense. Pagamos por exemplo a água mais cara de toda a zona centro, devido às taxas exorbitantes que lhe estão agregadas, sobretudo para pagar funcionários municipais supérfluos. O que me leva a dizer que, na actual situação, não temos infelizmente uma autarquia ao serviço de toda a população. Temos apenas um município ao serviço dos funcionários que asila. Lamento dizê-o, mas é assim que vejo as coisas.
É claro que nada tenho contra os ditos funcionários, a quem reconheço o direito ao emprego e à segurança do dito. Sucede contudo que também estimo muito os militares, mas não toleraria umas forças armadas nitidamente excedentárias e por isso parcialmente supérfluas...
Concluindo. Com medo de perder os respectivos votos, os aprendizes políticos que vamos tendo por estas bandas nada ousam contra este triste estado de coisas. Aparentemente não os apoquenta o facto de a população tomarense ir encolhendo cada vez mais, contando agora com menos 3 mil residentes em relação a 2006.
Por este caminho, para onde vamos? 
Depois não venham dizer que ninguém vos avisou!

anfrarebelo@gmail.com

sábado, 13 de agosto de 2016

Afinal não encontrei o Lafontaine

É verdade. Fui a Paris e não consegui encontrar-me com o Lafontaine. Mas um seu secretário marcou-me encontro no 60º andar da Torre Montparnasse. Onde foi claro, conciso e objectivo.



Respondendo à sua dúvida, disse-me ele logo após os cumprimentos da praxe, se considerarmos que as cigarras são os dependentes do Estado e as formigas todos os outros, à cabeça dos quais os investidores e os empresários, há uma lei histórica que vou passar a expor-lhe.
A experiência demonstra que,  quando em qualquer país ou qualquer povoação, o total de cigarras ultrapassa um determinado nível por cada mil habitantes, esse país ou essa povoação estão condenados ao desaparecimento a médio/longo prazo. O último grande exemplo é bem conhecido de todos. Trata-se do colapso praticamente simultâneo da Alemanha de Leste e dos restantes países europeus ditos comunistas. Onde forçosamente todos dependiam do Estado que se considerava omnipotente.
Uma vez analisada essa triste ocorrência, conclui-se que essa via rápida para a morte é inexorável quando, seja em que aglomeração humana for, há mais de uma cigarra/funcionário por cada 1500 formigas/ habitantes. Isto porquanto, ultrapassando essa proporção, seja qual for a razão, os impostos produzidos pela labuta das formigas deixam de ser suficientes para sustentar as cigarras. O que força sucessivos aumentos de taxas directas e indirectas, que acabam provocando a debandada das formigas. O que se compreende. Ninguém gosta de ser esfolado vivo.
Regressei a Tomar matutando nestas palavras, e logo tive ocasião de as confirmar na prática, pelo menos em princípio. Numa viagem relâmpago a Espanha, feita ontem, paguei a gasolina a 1,16 euros, contra 1,42 euros em Portugal.  Em cada 5 litros, a diferença dá para pagar mais um litro...O que obviamente beneficia muito as formigas espanholas em relação às portuguesas, todas a laborar no mesmo mercado global...

domingo, 7 de agosto de 2016

Procurando o Lafontaine

Tomar a dianteira - 3 interrompe aqui a sua tarefa crítica. Vou até Paris. Ver se consigo lá encontrar o Lafontaine. Preciso muito de falar com ele. Por causa das suas conhecidas fábulas. Sobretudo aquela da cigarra e da formiga. Talvez ele me consiga explicar as razões que levam as cigarras tomarenses a singrar na vida, E a ganhar eleições. Enquanto as pobres formigas continuam labutando sem grandes resultados práticos...
Lá para  o próximo fim de semana, salvo qualquer imprevisto,  cá estarei de novo. A incomodar uns e outros. É também para isso que pago impostos. Contrariado, diga-se de passagem. Mas que remédio...
Desejo a todos uma boa semana.


Que rica sinalização turística! - Conclusão

Do aqui antes escrito e documentado em fotos, resulta claramente que nunca existiu nem existe na câmara nabantina qualquer plano articulado de sinalização turística. É mesmo provável que nem sequer saibam o que isso é realmente. Se assim não fosse, tanto os tomarenses como os forasteiros evitariam ser confrontados com situações assaz caricatas. Esta, por exemplo:


Aos automobilistas que descem a Rua de Coimbra, indica-se Fátima e Lisboa para a esquerda, via Rua Ângela Tamagnini.


Então porque é que, conforme documenta a foto, aos que vêm justamente dessa mesma rua, em sentido inverso, indicam Lisboa e Leiria, subindo a Rua de Coimbra?
Em que ficamos afinal? Lisboa e Leiria pela Rua de Coimbra? Fazer quase 10 quilómetros pró boneco?
Apenas uma falha, dirá o leitor. O pior, digo eu, é que não é só uma. São várias. 
Eis outro exemplo: Conforme mostrámos nas peças anteriores, o Centro histórico é de longe o mais indicado nos painéis existentes. Ainda bem? Ainda mal! Porque ninguém sabe do que se trata de facto. Se nem o tomarense comum sabe o que é o centro histórico, qual a sua área e quais os seus limites, como querem que os turistas saibam?
Desta confusão resultam situações que seriam cómicas se não fossem demasiado tristes. Exemplo: 


Quem desce a Norton de Matos é confrontado com um dilema. Em primeiro plano, indica-se Centro histórico para a direita. Em terceiro plano, indica-se Igreja de Sta. Maria dos Olivais para a esquerda. Quer dizer que a dita igreja, a segunda mais antiga de Tomar, não faz parte do Centro histórico? Ou traduz apenas o desejo implícito dos senhores autarcas de que todos os automobilistas se dirijam para a Praça da República, ou melhor, para o Parque pago?
Se é isso, trata-se de uma asneira monumental. Chegado à nossa praça principal, o visitante não encontra qualquer sinalização turística. E para ver há apenas a Igreja de S. João, que até pode estar fechada (se for à 2ª feira, por exemplo), a Câmara, que não é visitável...e o Gualdim de perfil, que esse sim, vale realmente a visita:

Os leitores terão decerto reparado que apenas referi, nas peças anteriores, a sinalização para turistas motorizados. A isso fui forçado, pois sinalização para turistas a pé é coisa muito rara nesta terra de turismo que é Tomar. Exceptuando aquelas nódoas lá em cima no Convento, que mesmo assim têm o mérito de existir, só conheço dois casos; a Sinagoga (obra de particulares) e o Museu dos fósforos:




Este último, ali junto ao antigo Convento de S. Francisco, a demonstrar que, quando querem, os numerosos senhores técnicos superiores camarários até sabem fazer as coisas em condições. Mas o clima é tão quente no verão e tão agreste no inverno...
Só mais três parágrafos, para expressar a minha preocupada angústia. Se a câmara e os seus  mais de 500 funcionários (de cuja competência não me atrevo a duvidar), não são capazes de resolver problemas tão pouco complicados, como este da sinalização, a manutenção dos jardins, a conclusão do saneamento na cidade antiga ou a limpeza adequada dos passeios, serão capazes de resolver a questão do desenvolvimento económico do concelho, que condiciona afinal tudo o resto?
Diz o povo desde há séculos que "Presunção e água benta, cada qual toma a quer quer". Os nossos políticos e alguns técnicos superiores camarários têm mostrado ser grandes consumidores da primeira...
E a população continua calada e pachorrenta. Até quando?