quarta-feira, 27 de julho de 2016

Crónica estival 8

Uma mulher faz sempre muita falta...

Pois é verdade e mais uma vez se constata: Uma mulher faz sempre muita falta. Basta reparar na foto abaixo.


A política local e sobretudo a gestão autárquica estão como se sabe. A pasmaceira de sempre. Com tendência para piorar. É tanto assim que quando ia a escrever "VÃO como se sabe", logo emendei para "ESTÃO como se sabe", pois é óbvio que isto nem ata nem desata. Não anda para a frente nem para trás. Está, simplesmente. Infelizmente. Desgraçadamente.
Mas alegrem-se eleitores tomarenses! Temos uma senhora na presidência! E uma mulher faz sempre muita falta. Porque assim é,  agora passamos a poder contemplar vistosas flores nas varandas dos Paços do Concelho e no edifício dos SMAS. Aplaudo sim senhora! Fica bem mais bonito.
Assalta-me porém, uma dúvida atroz: Será que as aqui e agora aplaudidas flores vão ter a mesma triste sorte das floreiras da Corredoura, do padrão da Várzea Grande ou da relva do Mouchão, vitimados pela falta de água e de cuidados? Quero crer que, caso tal venha a suceder, o vereador da CDU não deixará de clamar "De pé ó vítimas da sede!!!" Ao que a bancada PSD acrescentará que dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede, são preceitos católicos. Ocasião que Pedro Marques não deixará de aproveitar para murmurar a sua habitual litania -"No meu tempo não era nada disto!"

terça-feira, 26 de julho de 2016

Crónica estival 7

Gestão partilhada do Convento de Cristo?

A senhora presidente da câmara de Tomar manifestou recentemente, na presença do senhor ministro da cultura e no próprio monumento, o desejo de que a futura gestão do Convento de Cristo venha a ser partilhada entre o IGESPAR e a câmara de Tomar. Foi uma surpresa na cidade, pois praticamente ninguém reconhece a autarquia como boa gestora. Nem lhe credita qualquer competência para vir a gerir um monumento Património da Humanidade desde 1992.
É minha convicção que o súbito empenho da autarquia em conseguir aquilo que já lhe foi oferecido e que então recusou em 1993, aquando da transferência da Fazenda Pública para o então IPPC, assenta exclusivamente nas mais de 200 mil entradas anuais a 6 euros cada. Um milhão e duzentos mil euros assim de bandeja, seriam como água fresca no deserto orçamental nabantino.
Estou enganado? Pois então que o demonstrem. Cheguem-se à frente. Dêem a cara. Reclamem. Mostrem planos capazes para aquele tão maltratado conjunto monumental. Entretanto, não seria má ideia fazer chegar ao senhor ministro uma lista de mazelas de resolução pouco complicada e que só nos envergonham como comunidade:
1 - A iluminação da Torre de Menagem não funciona há mais de 6 meses. À noite o castelo templário não tem cabeça.
2 - Nenhuma das várias instalações sanitárias existentes dentro e fora do monumento permite o acesso de cadeiras de rodas, em desconformidade com as normas europeias que a todos obrigam.
3 - O estacionamento existente é manifestamente insuficiente durante os meses de verão.
4 - O horário do monumento não é o mais adequado aos tempos que correm. Fecha às 6 da tarde em pleno Verão, quando ainda há sol às 9 da noite. Abre às 9 quando às 7 da manhã já o sol vai alto. A título de exemplo, o museu do Vaticano abre às 8 da manhã...
5 - As instalações sanitárias do parque da Cerrada dos Cães são públicas. Não é por isso aceitável que o actual concessionário da cafetaria as tenha privatizado de facto, fazendo depender o respectivo acesso de prévia despesa.
6 - O actual acesso ao Convento é um verdadeiro atentado ao bom senso. Não permite o acesso em cadeira de rodas, nem a pessoas obesas.
7 - Não existe sinalização adequada para os visitantes que prefiram ir a pé da cidade para o Convento, e vice-versa.
8 - Visitar o Convento sem o acompanhamento de um guia competente, é assim mais ou menos como assistir a um bom filme russo sem dobragem nem legendas. Mas só há visitas guiadas mediante requerimento prévio...
9 - A limpeza do antigo Chouso conventual, mais tarde campo de jogos do seminário, já conheceu melhores dias. Em caso de incêndio, a Mata dos 7 Montes é mesmo ao lado...
10 - A Festa Templária teve pelo menos um mérito: durante a sua preparação e realização a porta junto à Torre da Condessa, que permite passar do castelo para a mata e vice-versa, esteve sempre aberta. Desde então está de novo fechada. Porquê?
Andamos todos fartos de conversa. E até já os antigos latinos diziam RES NON VERBA. Actos, chega de palavras, senhora presidente.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Crónica estival 6

O senhor de Lapalisse não diria melhor, mas ainda assim convém lembrar: Para resolver um problema, primeiro é preciso conhecê-lo bem. Sobre o estranho caso ParqT, houve uma alteração positiva nestas últimas semanas, a qual consistiu em transferir para a banca a dívida camarária de alguns milhões de euros, como forma de conseguir juros bastante mais baratos. Vai daí, um articulista local, abrigado no conveniente mas odiento anonimato, insurge-se contra o facto de tal transferência não ter sido feita antes, bastante antes. E barafusta contra a propaganda camarária a esse propósito.
Julgo que terá alguma razão, estando porém totalmente equivocado. Se voluntariamente ou não, é o que convirá esclarecer a seu tempo, como questão conexa. 
No meu tosco entendimento, se houve atraso na resolução do débito com condições mais confortáveis, o que é naturalmente condenável e pode configurar até um caso de gestão danosa, ACRESCE que não é esse o âmago da questão. Pelo que, empolar esse aspecto só pode contribuir para distrair a opinião pública da questão essencial: O que levou à ruptura do acordo entre a autarquia e a ParqT, livremente subscrito por ambas as partes?
Segundo julgo saber, foi o facto de António Paiva não ter respeitado uma das cláusulas dele constantes, nos termos da qual a câmara se abstinha de construir, mandar construir ou explorar qualquer outro parque de estacionamento na área urbana. Devido a tal atitude nunca explicada até agora, uma vez terminado o parque junto ao destruído estádio, triste obra do mesmo António Paiva, a ParqT defendeu os seus interesses. Recorreu aos tribunais.
Seguiram-se então episódios que me abstenho de mencionar,  ou qualificar, até mais ampla informação factual, que culminaram numa decisão arbitral obrigando a câmara a pagar à ParqT a soma total de 6 milhões de euros. Porquê, com que base ou bases, 6 milhões de euros? Qual o custo real final do parque junto aos Paços do Concelho? Quem aceitou ir para tribunal arbitral? Quem escolheu e nomeou a juiz que representou a autarquia? Com que objectivos? O que levou Paiva a romper deliberadamente o convénio que pouco antes celebrara livremente com a ParqT, em nome do município? Que movimentos bancários terá havido? Quem beneficiou?
Julgo que ninguém sabe na totalidade. E os que sabem de alguns detalhes continuam mudos como rochas. Até as sucessivas sucessoras de Paiva têm insistido até ao ridículo em manter um segredo que só actos condenáveis podem justificar. Mas é isto que, tarde ou cedo, vai ter de ser apurado. Porque é demasiado estranho, demasiado grave e demasiado pesado para as finanças municipais, que o mesmo é dizer para os bolsos de todos nós contribuintes.
Confirma-se portanto: Pela boca morre o peixe. A que se poderá aditar um outro anexim, igualmente bem conhecido: Quem escreve o que quer, arrisca-se a ler o que não gosta. É a vida! exclamaria o Guterres.
Entretanto vou continuar aguardando que, ao abrigo do disposto na lei do direito à informação, a autarquia tomarense me comunique onde e quando poderei consultar livremente o chamado "processo ParqT". É também para isso que pago impostos.

domingo, 24 de julho de 2016

Crónica estival 5

As contas das festas

Noticia o sempre bem informado Tomar na rede que, passado um ano, ainda não se conhecem as contas da última edição da Festa dos Tabuleiros. Agora imagine-se o tempo que vamos ter de aguardar para conhecer as contas da recente Festa Templária. Se alguma vez vierem a ser publicadas. Porque as coisas são o que são. A contabilidade criativa, como a própria designação indica, leva o seu tempo de gestação...
De forma mais clara: Vá-se lá saber porquê, desde sempre que os organizadores das festas urbanas tomarenses procuram esconder o óbvio -que elas são pagas por todos os contribuintes, via orçamento do Estado. Para manter tal segredo, do tipo gato escondido com o rabo de fora,desenvolvem esforços prodigiosos na área da contabilidade e da comunicação. Omitem grande parte das despesas, conseguindo assim transformar prejuízos evidentes em saldos positivos confortáveis.
No caso da Festa dos Tabuleiros, entre outros itens, nunca são mencionados nas respectivas contas finais o uso de meios da autarquia (veículos, combustível, pessoal, energia, terrados, transferências para as juntas, cedência de locais, cadeiras, palcos, sonoplastia...), o que permite depois apresentar contas com um pequeno fundo de maneio..
Até a família Azinhais Nabeiro, dos cafés Delta, que são o motor da economia de Campo Maior há mais de 40 anos, e por isso mesmo financiadores de todas as actividades de animação a nível local, já perceberam o óbvio: numa sociedade capitalista, tudo é pago; ou directamente por quem beneficia (os espectadores, por exemplo), ou indirectamente por todos os contribuintes de IVA, IRS, IRC ou IMI. É por isso que doravante a Festa da Flor que consiste na ornamentação das ruas, tal como na nossa festa, terá entradas pagas.
Outro tanto sucede em Óbidos, onde foram beber os honrados organizadores da tomarense Festa Templária, que todavia não perceberam ou perceberam mal o que viram e/ou lhes explicaram. Lá, há uma Feira Medieval, em recinto fechado, com animação a condizer e entradas pagas. Dura perto de um mês. Aqui fizeram uma palhaçada dita templária, sem entradas pagas. Com uma espécie de feira aciganada, dita medieval,  a título de animação, que durou um fim de semana. E degradou ainda mais o já bem castigado Mouchão. Mas houve jantarada dita real no refeitório do Convento. Os contribuintes pagam tudo, porque não têm outro remédio. Mas continuo convencido de que virá o dia em que... 
Afinal o salazarismo também durou quase meio século, até que, numa manhã radiosa de Abril, o até aí impensável aconteceu mesmo. Haja esperança! Porque os piores cegos são aqueles que têm olhos mas não querem ver.

sábado, 23 de julho de 2016

Crónica estival 4

O caso spotlight e o caso ParqT

Bom filme na passada quinta-feira, na piscina. Boa iniciativa do Cine-clube de Tomar, esta do cinema ao ar livre a um euro. É à quarta-feira, às 21H30. Aproveite!
O filme, premiado com o oscar de melhor filme do ano, tem por título "O caso spotlight". Mostra o grande jornalismo de investigação nos USA, com a mesma qualidade e eficácia daquele que permitiu derrubar o presidente Nixon, após o escândalo Watergate. Onde isso já vai!
Desta vez tratava-se de investigar e denunciar o escândalo da pedofilia de padres católicos, nos Estados Unidos e alhures, dado que, como se sabe, "as mesmas causas, nas mesmas condições exteriores, produzem sempre os mesmos efeitos. Tudo geralmente abafado na medida do possível pela hierarquia episcopal e cardinalícia...
Por falar em jornalismo de investigação, convirá registar ser coisa que praticamente não existe em Portugal. E nas pequenas cidades, como Tomar, não há meios humanos, não há recursos materiais, não há vontade, nem há coragem cívica para tanto.
Armado em D. Quixote, há anos que tento conseguir acesso ao processo ParqT. Pois apesar de existir uma lei que garante o direito à informação (46/2007) e portanto o acesso a todos os documentos administrativos que não sejam classificados, continuo no aguarda, como se diz na outra margem atlãntica. (ver documentos reproduzidos abaixo).
O que será que as sucessivas gerências autárquicas procuram esconder? Agora que, à primeira vista, já resolveram tão espinhoso assunto, graças aos esforços do vereador da CDU, vai ser finalmente possível consultar o referido processo? A minha curiosidade é muita. E as minhas dúvidas bem grandes.Tão grandes como a dívida à ParqT. E não tenciono desistir.




terça-feira, 19 de julho de 2016

Crónica estival 3

Já foi um belo jardim. Quando pertencia e era tratado pela então messe de oficiais. Agora, propriedade camarária, de todos nós afinal, está assim. Uma espécie de terreno vago num remoto arrabalde. A poucos metros do Museu dos fósforos, da estação e do Palácio da Justiça. É uma bela imagem que oferecemos aos turistas, não é mesmo?

 Na outrora bem cuidada Várzea Grande, frente ao Palácio da Justiça e no caminho de quem chega a Tomar pelos transportes públicos, temos este padrão, cuja base está tipo terreno baldio abandonado. O dito padrão comemora uma decisão da justiça do século VVII (17, para quem não saiba ler escrita romana), confirmando que a Várzea Grande pertence ao povo da cidade, naturalmente representado pelos seus eleitos autárquicos. Como se vê, valeu bem a pena...

Praticamente pau para toda a obra, a desgraçada da relva do Mouchão, que já foi a sala de visitas da cidade e era o orgulho dos tomarenses, está esta miséria.

O Paiva, que era meteco, achou por bem destruir o sistema de rega com origem na roda. Que era gratuito e não poluente. Foi substituído pela modernaça rega por aspersão. O pior é que agora a autarquia não tem dinheiro nem para mandar cantar um cego, quanto mais para assegurar a respectiva manutenção.

Entregue durante algum tempo a uma empresa privada, a manutenção do Mouchão parece estar agora entregue aos bichos e ao acaso. Este recanto, com lixo e arbustos, mostra que desde há meses nada ali é feito. Uma vergonha para todos.


As fotos acima mostram, sem lugar a dúvidas, a triste situação a que se chegou em Tomar. Com eleições no próximo ano, temos uma curiosa equipa autárquica. O que faz, faz geralmente bem. Só que, infelizmente, faz pouco. Quase nada. Longe, muito longe do mínimo olímpico aceitável. O que nos trouxe à situação miserável em que nos encontramos. Não conseguem estancar a hemorragia populacional, não conseguem atrair investimento, não conseguem reduzir a despesa corrente, não têm projectos feitos nem por fazer, não têm ideias próprias originais. Nem sequer conseguem assegurar uma gestão corrente minimamente aceitável. Parece que o fato que vestiram ao vencer as eleições de 2014, não lhes assenta, porque demasiado grande. A ser assim, como tudo indica, se calhar era melhor para todos despi-lo, pegar nos fatos de banho e procurar praias tranquilas. Se forem teimosos, vão caindo no descrédito. E pior ainda: no ridículo.
Anda por aí um camião municipal de recolha do lixo, no qual se pode ler, de ambos os lados, "Tomar cidade jardim". Olhando para as fotos supra, está-se mesmo a ver, não está?

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Crónica estival 2

Nota prévia
Se gosta de boa prosa e de quem denuncia evidentes e cada vez mais graves mazelas locais, logo que possa clique aqui  É do melhor que ainda se escreve a nível local.

Esclarecimento

Quem leu o meu texto anterior poderá ter pensado que coloquei no mesmo plano a Festa dos Tabuleiros e a Festa Templária. Assim é na verdade, porém só no que concerne ao respectivo financiamento, que infelizmente tem origem comum: a contribuição forçada de todos os que pagamos impostos, via orçamento de Estado. Quanto ao resto, tudo as separa.
Os Tabuleiros, a também designada Festa grande, é uma manifestação antiga. Tem uma tradição de séculos e está muito fortemente enraizada na população urbana e concelhia. Pode até dizer-se, sem exagero, que faz parte da alma tomarense. Infelizmente, o seu modelo organizativo deixou de ser o mais adequado aos tempos difíceis que correm, no que se refere à geração de recursos financeiros. O que constitui também um obstáculo de monta no caminho da candidatura que culminará, estou certo disso, na atribuição pela UNESCO ao cortejo de todos nós da dignidade de Património da Humanidade. Objectivo nada fácil, como poderão testemunhar Santarém e Marvão, por exemplo, que gastaram em vão avultadas somas com esse fito. Mas no que concerne aos tabuleiros tomarenses há solução e bem simples.
Outra coisa totalmente diferente é a Festa dita templária, que de festa pouco ou nada tem. Trata-se de uma coisa moderna, portanto sem qualquer tradição. Poderá ter tido alguma utilidade na área da captação de turistas enquanto se realizou em Maio, fora da época alta. Deixou de se justificar ao fazer-se em Julho. Em vez de atrair visitantes, aproveitou-se dos que já cá estavam, vindos com outros objectivos. E com apenas dois milhares de pessoas (estou a ser generoso) a assistir ao inventado combate entre o Almansor e o Gualdim, mais centena e meia e encher o bandulho na jantarada do refeitório conventual, é meu entendimento que nunca conseguirão os organizadores ir longe. Seja qual for o modelo organizativo, dependerão sempre da usual e errada disponibilidade do orçamento de Estado, da Cãmara, do Politécnico e dos senhores de Bruxelas. Ou estarei a ver mal, com o espírito toldado pelo álcool que não bebo?
Acresce que seria criminoso repetir o que este ano fizeram do e no Mouchão durante a citada "festa".
Ao que anunciaram, era uma "feira medieval". E nesse ponto acertaram em cheio. As condições higiénicas eram mesmo as desse tempo, com instalações sanitárias apenas na estalagem e no campo de jogos. Quanto à segurança, caso tivesse havido qualquer imprevisto, teria sido o caos. Na rua dos plátanos, por exemplo, era impossível o trânsito de qualquer veículo, ou mesmo o normal escoamento de pessoas.
Organizações à moda de Tomar. Uma pobre terra, cada vez mais longe de tudo e de todos. Mas isto é apenas mais um desabafo, que a esperança em dias melhores é cada vez menos...