sexta-feira, 29 de abril de 2016

Maus políticos

Maus políticos dificilmente farão outra coisa além de má política. E má política provoca inevitavelmente maus resultados. Aqui temos um exemplo disso, que será o meu testemunho final nesta fase.

                   
                        Com os meus agradecimentos ao autor, um reputado profissional local.

Até mais ver

Tomar a dianteira 3 interrompe aqui a sua publicação. Por três motivos convergentes. Primeiro porque vou arejar e só conto voltar, salvo algum imprevisto, lá para o início de Julho. É claro que, com os actuais recursos disponíveis, até poderia continuar a escrever cada dia que passa. Afinal, Tomar na rede até tem o seu local de trabalho em Zurique, na Suiça. 
Sucede contudo que -segundo motivo- tal seria para mim pouco agradável, uma vez que resolvi viajar não só mas também para deixar de ver certas coisas tomarenses que me chocam. Como por exemplo a passividade, o conformismo, oportunismo, o optimismo balofo, o deixa andar, a auto-suficiência e a evidente incompetência da esmagadora maioria dos eleitos. Tudo isto a confirmar que quando se fazem panelas, fazem-se igualmente as tampas para elas. Por outras palavras: Se a população é em geral como está à vista, queriam eleitos à altura? Só de importação, ou quase.
Terceiro e por ora derradeiro motivo, como bem sabem aqueles raros habitantes da urbe que ainda insistem no hábito saudável de pensar, ler e escrever, é cada vez mais árduo viver nesta desgraçada terra, cada vez mais uma lamentável pasmaceira. Por um lado, fruto da evidente e acelerada decadência, escasseiam os temas. Por outro lado, a confrangedora subserviência da informação local também não ajuda nada, desencorajando as eventuais colaborações desinteressadas. Tudo naturalmente em nome da sobrevivência económica, que impõe, julgam os implicados, obediência cega, prudência canina e sobretudo um eufemismo nabantino chamado boas maneiras. O tal que permite alcunhar a minha escrita habitual de agreste e o seu autor de agressivo e mal educado. Sem se darem conta das terríveis implicações daquilo que dizem. Designadamente porque pensar cansa a cabeça. E a inteligência é uma faculdade muito mal distribuída, que ou se tem ou não. Não adianta disfarçar.
Por tudo o que antecede, e o resto que não seria muito educado mencionar agora, até mais ver. Que o mesmo é dizer, até ao meu eventual regresso à escrita. Obrigado pela paciência que tiveram para me aturar por escrito, apesar da minha alegada agressividade e falta de educação.
Sejam felizes, se puderem! 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Desculpa de mau pagador

Perguntada sobre o açude indispensável para a roda do Mouchão funcionar, Anabela Freitas alegou que o Nabão ainda tem demasiado caudal, pelo que só mais tarde será possível tal construção. É uma desculpa de mau pagador. Conforme bem mostram as fotos, colhidas esta manhã, o caudal do rio é o normal nesta época do ano. Só os cegos não vêm isso. O "ladrão" está fechado, o mesmo acontecendo com a adufa do Moinho velho.



O que pode muito bem estar a suceder é que a penúria orçamental não permita para já conseguir os materiais necessários à montagem do açude. Explico-me. Má pagadora crónica, das piores do país segundo os dados oficiais disponíveis, a autarquia sofre as respectivas consequências. Que são geralmente bem gravosas.
Os fornecedores habituais, que já estão fartos de conhecer os hábitos da casa, facturam em conformidade, inflacionando bastante os custos. Os fornecedores ocasionais, como é o caso no que toca aos materiais para o açude, só entregam contra pagamento. E tanto quanto sei, devido a variadas tranquibérnias legais, nesta altura do campeonato a câmara estará um bocado desprevenida na área da disponibilidade imediata de numerário. E sem dinheiro, não há palhaço.
É mais um problema arreliante, que me leva a sugerir à nossa simpática presidente que coloque em local de fácil leitura diária, para obrigatória e proveitosa meditação, o célebre verso de Camões, que apesar de zarolho via longe: Erros meus, má fortuna, amor ardente. No caso presente ao contrário, para respeitar a cronologia: Amor ardente, erros meus, má fortuna...
A vida é dura e não vale nada. Mas nada vale uma vida.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Um leitor equivocado

O leitor João Ferreira teve a amabilidade de comentar o meu texto sobre o escrito de António Lourenço dos Santos no Tomar opinião. Escreveu a dado passo que "As pessoas querem é soluções, pois os problemas estão identificados", acrescentando depois que as soluções não serão fáceis, dado o nível de endividamento da autarquia.
Trata-se de um triplo equívoco. Ponto um, os problemas não estão todos identificados. Quanto mais não seja porque aquilo que para uns é um problema, para outros mais não será que uma falsa questão.
Ponto dois, ao criticarem, reclamarem, ou pedirem providências, os cidadãos estão face aos políticos eleitos como os doentes perante os médicos. Dizem onde lhes dói. Cabe depois aos políticos encontrar e implementar soluções. Aos médicos identificar a maleita e prescrever a respectiva terapêutica. Não será assim, estimado leitor Ferreira? Portanto, não cabe aos analistas políticos nem aos críticos avançar soluções, como condição para poderem escrever.
Ponto três, o endividamento camarário é realmente excessivo, mas não é argumento convincente para explicar a evidente inércia e a falta de aptidão política da actual gerência autárquica. O défice galopante dessa extravagância chamada transportes urbanos, com um prejuízo diário superior a 500 euros; o problema do trânsito e estacionamento no centro histórico, ou o erro monumental que consiste em proibir que os autocarros de turismo possam descer a estrada do Convento, ai estão para demonstrar o contrário. Em qualquer dos casos citados, a solução é tendencialmente gratuita: A - Acabar com os transportes urbanos, porque são praticamente desnecessários na sua estrutura actual e um sorvedoiro de recursos; E porque andar a pé faz bem, evita a obesidade. B - Suprimir o trânsito e o estacionamento na centro histórico, excepto para urgências, cargas/descargas e acesso às garagens, porque se trata de uma área com menos de 500 metros de largura ou comprimento. E porque andar a pé faz bem à saúde; C - É um gesto bem simples inverter o sentido do trânsito de autocarros na estrada do Convento: em vez de subirem, poderem descer. Assim sendo, os eleitos que temos, estão à espera de quê?
Há até um situação assaz embaraçosa para a nossa simpática mas ineficaz presidente. Refiro-me às portagens na A13 e na A23, cuja redução solicita por serem das mais altas do país. Mas que autoridade moral tem o município de Tomar para exigir ao governo semelhante decisão, quando se sabe que os SMAS-Tomar também praticam os preços mais altos do país nos serviços que fornecem à população? No caso das ex-SCUT, quem não quer pagar, vai pelas estradas nacionais. No caso dos SMAS-Tomar, quem não quer continuar a ser roubado, como é que faz? Trata-se de um monopólio, que agora até tem um representante do PCP no seu conselho de administração...

terça-feira, 26 de abril de 2016

Temos homem?

Numa excelente peça no seu blogue thomaropinião (que não consegui "linkar", certamente por burrice minha) , Lourenço dos Santos enumera de modo claro as múltiplas mazelas que afligem os tomarenses, num cerrado ataque à actual gerência autárquica. Nem sequer poupa os seus amigos PSD, nem a conformista população tomarista, quando refere que, apesar dos preços escandalosos, "O silêncio continua a reinar. Tudo parece estar bem no reino da água e dos SMAS". 
Finalmente! Ao cabo de todos estes anos de má memória, finalmente aparece alguém que ousa dar o peito às balas e chamar os bois pelos nomes. Fico muito contente. Não só por constatar que tenho agora na blogosfera tomarense alguém para me suceder. Também e sobretudo porque o novel crítico autárquico adopta afinal o meu estilo de escrita, que anteriormente criticou algumas vezes. Lá diz o povo: "Só os burros é que não mudam".
Tudo bem, por conseguinte? Nem lá perto. Apenas um passo na boa direcção. Bem modesto, pois o Tomar opinião é por enquanto praticamente confidencial. Falta portanto fazer tudo o resto. Desde logo passar à prática. Convencer a hostes laranja a escolher um candidato a candidato que manifestamente começa a destoar do estilo daquela casa. Depois, elaborar um projecto simultaneamente exigente, mobilizador e eficaz para esta desgraçada terra. Enfim, conseguir o voto maioritário dos conformistas tomaristas -que são a grande maioria- sempre à coca de quem lhes prometa mais com menos trabalho em prol da comunidade. Não vai ser nada fácil. E depois ainda virá a governação municipal, que urge libertar do actual estilo reumático, que não poupa ninguém. Nem a curiosa maioria, nem a bisonha oposição.
Boa sorte, António! Que bem precisas! A procissão ainda nem sequer saiu da igreja. Chegará a desfilar?

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Lembrando a data querida...

Há 42 anos, militares cansados da guerra em África e descontentes com as injustiças do governo, revoltaram-se. Derrubaram um regime caduco, tal como haviam feito os seus antecessores em 28 de Maio de 1926. Com uma notável diferença. Enquanto o 28 de Maio acabou com a 1ª República, que era pluripartidária e acabou num sistema de partido único, o 25 de Abril acabou com um regime ditatorial e está na origem da democracia em que felizmente continuamos a viver.
Convém no entanto ter sempre presente que o motor inicial dos capitães de Abril foi o binómio guerra colonial/promoções injustas. Estavam fartos de guerra após sucessivas comissões em África e muito descontentes por terem sido ultrapassados nas promoções por oficiais milicianos. Donde o golpe militar que só mais tarde alargou o seu âmbito, proclamando então como objectivos centrais os famosos 3 D: Descolonização, Democratização, Desenvolvimento.
A descolonização fez-se. Mal, mas fez-se. A democratização está aí, felizmente bem viva. Se assim não fora, eu não poderia escrever este texto sem correr graves riscos. Quanto ao desenvolvimento, houve algum. Mas infelizmente o principal foi na máquina do Estado. Temos agora um autêntico Império dos Sentados, cuja maioria nada faz para além de ocupar os lugares, receber os vencimentos, gastar recursos públicos e chatear o próximo.
Mas também têm direito à vida, que é como quem diz ao emprego. Pois têm. Porém, nos países anglo-saxónicos, cuja administração pública é em geral bem mais magra que a portuguesa, o desemprego é também muito inferior ao nosso. Porque será?
E já agora: Porque será que em Portugal o único serviço realmente eficaz e quase sem falhas é o fisco? Porque será que depois de pagarmos pontualmente IRS, IMI, IRC, IVA a 23%, selo do carro e impostos leoninos sobre os combustiveis, quando precisamos de algo dos serviços públicos, que antes pagámos com língua de palmo, temos de pagar segunda vez aquilo que solicitamos ou usamos (certidões, licenças, outros documentos, ex-SCUTS, consultas médicas...)?

domingo, 24 de abril de 2016

Excesso de impostos mata o imposto

A fórmula é bem conhecida por esse mundo fora. Infelizmente menos em Portugal. E os nossos amáveis governantes fingem ignorá-la. Pudera! Não lhes convém mesmo nada. O conceito inicial deve-se ao americano Artur Laffer, ilustrado pela chamada curva de Laffer, em forma de sino. A ideia é afinal bem simples. Segundo aquele economista estado-unidense, a partir de um certo nível de imposição os contribuintes sentem-se espoliados e começam a procurar meios para fugir à respectiva liquidação.
É o que está a suceder em Portugal. Com o IVA a 23% quando em Espanha é de apenas 18%; com os impressos de IRS a 60 cêntimos quando por essa Europa fora são gratuitos; com as certidões a 20 euros, quando em França por exemplo são gratuitas; com os combustíveis pelas ruas da amargura; alguém considera surpreendente que não haja investimento, que falte emprego, que a população emigre?
Veja-se o caso tomarense. Pagamos a água da rede mais cara que os lisboetas, apesar de a origem ser praticamente a mesma -a albufeira do Castelo do Bode. Uma vez que o respectivo transporte para Lisboa é naturalmente bem mais oneroso que para Tomar, isso significa que a autarquia tomarense anda a roubar às claras os seus eleitores. Pela calada mas com eficácia. Porquê? Para quê? Para alimentar a sua burocracia voraz e a sua legião pletórica de funcionários sentados.
Se a esse esbulho evidente juntarmos a atitude pouco simpática dos eleitos e dos senhores funcionários, muitos dos quais se consideram intimamente donos da autarquia; se acrescentarmos também a infernal burocracia local e um PDM que nasceu mal e vem crescendo ainda pior, temos as principais causas do declínio tomarense. Que é irreversível no actual estado de coisas. E cujas consequências estão escancaradas à vista de todos. Na Corredoura e na Alameda -as duas principais zonas comerciais da ainda cidade- existem lojas fechadas há anos, à espera de arrendatários que nunca mais aparecem. Porque os potenciais candidatos fogem de Tomar a sete pés.
Que fazer, perguntaria o Lenine de má memória, se ainda vivesse. Exactamente o oposto daquilo que ele preconizava. Menos Estado, menos burocracia, menos impostos, menos taxas, menos funcionários, menos despesa pública, menos regulamentos... Basta olhar com atenção para os Estados Unidos, para o Canadá ou para as restantes colónias britânicas e seguir-lhes o exemplo.
Os direitos dos trabalhadores? Os empregos dos funcionários? O sistema de saúde? A educação? As reformas? Não me consta que americanos, canadianos, australianos e assim estejam a fugir dos seus países respectivos. Mas os portugueses estão. E os tomarenses também. Que remédio! Sem condições mínimas não há iniciativa privada. Sem iniciativa privada não há criação de riqueza, nem empregos produtivos. Sem uma coisa e outra não há crescimento económico. Sem crescimento económico a dívida pública vai continuar a crescer. Como a iremos pagar? E actualmente o chamado "serviço da dívida" = juros + despesas de gestão, equivale à dotação orçamental de um dos principais ministérios. Até quando vamos continuar a padecer?