sábado, 23 de abril de 2016

Monos e mistérios nabantinos

Apesar de relativamente pequena e com cada vez menos população, a antiga capital templária oferece ao passeante pedonal alguns monos e mistérios dignos de registo. Tomar a dianteira 3 andou por aí e registou os mais evidentes. Aqueles que melhor mostram o triste estado a que isto chegou. Por culpa de todos nós, tomarenses. Porque os autarcas são eleitos pela população. Embora se saiba muito bem que, nesta altura do campeonato, qualquer nabantino que se preze não pode deixar de proclamar, com ar convicto -"Eu não votei neles". Deve ter sido a graça do Espírito Santo que encheu as urnas...

Quiosque da Várzea Pequena. Funcionou meia dúzia de meses. Desde então nem ata nem desata. Nem abrem concurso para a respectiva exploração, nem removem dali.

 Coreto da Várzea Pequena. Em tempos idos, de boa memória, havia concertos todas as semanas e a parte inferior servia de base de apoio para os jardineiros. Agora há ali um concerto quando há e os jardineiros municipais foram-se.

Casinhota do Mouchão. É um dos insondáveis mistérios da cidade. Nunca serviu para nada e também nunca ninguém explicou qual foi a intenção de quem projectou semelhante aborto. Para bar ou café é demasiado pequena. Para barraca de cão demasiado grande. A Câmara está à espera de quê para remover tal trambolho?

Sanitários da Rua da Fábrica. Encerrados há mais de 30 anos, ali continuam a ornamentar a paisagem. Muito rural como se pode ver pela vegetação. A autarquia está à espera de quê para mandar demolir? E para instalar ali um pequeno rebanho? Alimentação não lhe ia faltar...

Quiosque do Mercado. Encerrado há anos. Consta que pertence a um particular. A ser verdade, o dito cujo tem pago a respectiva licença de ocupação da via pública? Estão à espera de quê para o retirar dali? Que acabe a crise?

 Antiga churrasqueira do Mercado. Encerrada há quase uma década. Foi edificada por um particular, mediante licença da autarquia. Diz-se que não tem condições mínimas para poder reabrir. A ser assim, ou se fazem obras de reabilitação ou há que demolir. Estão à espera de quê? Que a Câmara acabe de pagar a sua gigantesca dívida?

 Pavilhão desmontável do Mercado. Um erro monumental dos senhores autarcas. Custou cerca de 250 mil euros e nunca serviu capazmente para aquilo a que se destinava -servir de mercado transitório. Houve até necessidade de instalar um sistema de rega por aspersão na cobertura, para reduzir o calor no interior. Devia ter sido apenas alugado, mas resolveram comprar. Ignora-se com que argumentos. Agora vazio, desde o retorno do mercado às instalações de origem, não sabem o que fazer com tal mono, que ali continua, fechado e a degradar-se. Mal empregado dinheiro!

Sanitários da Mata dos Sete Montes. Continua por explicar o que terá levado o competente presidente Paiva a aprovar um projecto de sanitários com recepção. A qual nunca serviu até agora. E não se prevê quando tal possa vir a acontecer. Foi mais uma despesa sumptuária...

 Via pedonal de acesso ao Convento, através da Mata dos Sete Montes. Apesar de publicitada com visita guiada de jornalistas e população, foi e é um autêntico embuste.  Até tinha candeeiros de iluminação pública, que nunca funcionaram, pois a Mata fecha ao pôr do sol. Entretanto todo esse equipamento já foi roubado. 
Quanto ao acesso pedonal ao Convento, a autocrática administração daquele monumento sempre alegou falta de pessoal para nunca manter aberta a porta à ilharga da Torre da Condessa. E sem isso, adeus ligação ao Convento. É o Estado ao serviço dos que deviam ser seus servidores.


sexta-feira, 22 de abril de 2016

Há mesmo discriminação no Convento de Cristo

A questão inicial

A Associação Canto Firme tem realizado ultimamente no Convento de Cristo alguns espectáculos teatrais, enquanto a Associação Fatias de Cá foi e está na prática impedida de continuar a fazer teatro naquele monumento. O que configura a priori uma situação de discriminação. Donde a  mensagem "Discriminação no Convento de Cristo?", publicada nestas colunas em 19 do corrente.

A atitude da direcção do Convento de Cristo

Apesar de expressamente interpelada neste blogue e na supracitada mensagem, a direcção do Convento de Cristo não respondeu até esta data. Mantém-se assim fiel a uma tradição daquela casa, que já vem de antes do 25 de Abril. Dos tempos em que não havia liberdade de opinião nem de informação. Os actos ficam com quem os pratica.

A resposta da Associação Fatias de cá



A resposta da Associação Canto firme



Conclusão de Tomar a dianteira 3

1 - Do exposto resulta claramente que existe, actualmente e de facto, uma situação de óbvia discriminação no Convento de Cristo, no que concerne ao uso daquele monumento para espectáculos teatrais. Há uma associação favorecida em detrimento de outra, o que é ilegal. A responsabilidade por tal facto não pode contudo ser assacada nem à Canto Firme nem à Fatias de Cá.

2 - Essa óbvia situação de favorecimento pode ser sanada mediante a celebração de um protocolo entre a Fatias de Cá e a DGPC, semelhante ao já existente entre a Canto Firme e aquele organismo governamental, mencionado no ponto 4 da resposta publicada acima.

3 - Agradece-se aos dirigentes das associações em causa a evidente boa vontade e óbvio espírito de colaboração. Que são afinal deveres de cidadania, mas que merecem ser assinalados, porque assaz raros nesta terra abençoada.

4 - É uso chamar a isto jornalismo de investigação. Cumpre no entanto esclarecer que nem Tomar a dianteira 3 é um órgão de informação, nem o seu gestor se considera jornalista. Para que conste.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

HUMOR - Autarcas nabos em Viseu

                                         Correio da Manhã, 20/04/2016, página 19

Isto anda tudo trocado na política autárquica. O rio Nabão corre em Tomar mas é em Viseu que há autarcas nabos. Vejam só e vejam bem: Acabar com o trânsito automóvel e o estacionamento nas ruas do centro histórico de Viseu! Que raio de ideia mais estapafúrdia! Que patetice, senhores! Os automóveis e a respectiva circulação urbana fazem parte da paisagem citadina. São património histórico que é imperativo proteger. Assim parece pensar quem preside em Tomar. Deixem-se portanto de heresias contra a ordem natural das coisas. Suspendam sine dia esse concurso que agora anunciam e venham mas é aprender a Tomar, a veneranda capital templária.
Felizmente que na terra gualdina, onde é visível que a população respira felicidade por todos os poros, temos um excelente exemplo de uma empreitada que já vai em mais de seis milhões de contos e permite que na prática a autarquia tenha agora um parque de estacionamento mesmo à ilharga, continuando porém tudo como anteriormente. Graças a Deus, e à notável acção dos sucessivos autarcas, os tomarenses que habitam no Centro histórico continuam a poder beneficiar de trânsito e estacionamento à porta. Mesmo nas ruas mais estreitas, do tempo das carroças. Onde alguns moradores -raros é verdade- até reservam os seus lugares de estacionamento. Ou estacionam em cima dos passeios. Lugares cativos portanto. A demonstrar que, havendo boa vontade dos senhores autarcas, tudo é possível. Mesmo o insólito e inadmissível, porque abusivo.
E nem sequer valerá a pena preocupar-se com os autarcas que venham a seguir, senhores edis da terra de Viriato. Esses farão decerto como em Tomar. Procederão como o Pangloss, o imortal personagem de Voltaire. Dirão que tudo vai bem no melhor dos mundos possíveis. Guardarão de Conrado o prudente silêncio e, quando lhes forem pedidos esclarecimentos ou solicitada a consulta do controverso processo ParqT, alegarão que continua em segredo de justiça. Há anos que é assim.
Fumos de corrupção?! Nem pensar! Isso é coisa para a América Latina. Sobretudo no Brasil. Que, como é sabido, foi descoberto, colonizado e povoado inicialmente por ingleses e nórdicos em geral...
Caixas de robalos por baixo da mesa? Que não! Que não! Há apenas a registar o caso do vereador que celebrou contratos com a Águas do Centro e quando terminou o mandato foi para lá trabalhar. O caso do presidente que celebrou empreitadas com a Aquino e Rodrigues e quando terminou o mandato foi para lá trabalhar E finalmente, por agora, o caso de outro presidente que celebrou contratos com a Resitejo e quando terminou o mandato foi para lá trabalhar. E lá se mantém. Mas nada quanto à ParqT, certamente enquanto se mantiver o propalado segredo de justiça...que não vai manter-se eternamente. Aguardemos portanto. Esperançados, que quem procura sempre encontra.
Mas até agora, nada de anomalias graves. Estamos apenas perante episódios característicos da política à portuguesa. Tudo legal, em suma. É a vida política em Portugal. Versão post 25 de Abril. Os militares deram-nos a democracia de bandeja e o resultado aí está.
Desculpem lá a evidente má língua.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Discriminação no Convento de Cristo? - 2

É típico desta terra: quando há um problema qualquer, em vez de esclarecer as coisas cabalmente, desvia-se a atenção para os detalhes. Neste caso dos espectáculos teatrais no Convento e da eventual discriminação entre associações culturais nabantinas, que nada justificaria, um leitor foi prestável no esclarecimento. Adiantou que houve desvio de dinheiros na gestão da cafetaria conventual e do catering dos espectáculos do Fatias de Cá, dando assim a entender que cessou a actividade teatral daquele grupo na Casa da Ordem de Cristo por carência de fundos.
Quando escrevi o texto anterior ignorava essa questão do desvio de dinheiros. Perante a surpresa proporcionada pelo amável leitor, apressei-me a contactar o Fatias de Cá. Que imediatamente confirmou os factos. E adiantou que continuam a proceder ao respectivo apuramento rigoroso. Segundo a mesma fonte, terão desaparecido fundos na ordem dos 50 mil euros. Porém, nada adiantou por enquanto a respeito da eventual implicação desse desfalque na realização dos espectáculos teatrais.
Igualmente bem ao estilo tomarense, a direcção do Convento de Cristo, único alvo da mensagem anterior, fechou-se até agora na redoma da sua elevadíssima importância e nada disse ao reles e inconveniente blogue que é Tomar a  dianteira. Vamos por isso continuar a aguardar as devidas informações factuais, que respondam de uma vez por todas à questão central: Tem havido ou não discriminação de facto na fruição das instalações do Convento de Cristo por parte das associações culturais? 

terça-feira, 19 de abril de 2016

Discriminação no Convento de Cristo?

Ao longo dos anos, António de Sousa e o Canto Firme vêm desenvolvendo uma acção notável na área da música, na cidade, no Convento e alhures. Igualmente ao longo dos anos, Carlos Carvalheiro e o Fatias de Cá vêm desenvolvendo uma acção notável na área do teatro, na cidade, no Convento e alhures.
A dada altura, Carlos Carvalheiro e a Fatias de Cá foram foram impedidos de continuar a realizar os seus espectáculos teatrais com comida e bebida no Convento de Cristo, situação que se mantém. Razão apresentada por quem de direito: Falta de pessoal e de condições mínimas de segurança.
Surgem agora António de Sousa e o Canto Firme com um espectáculo em tudo semelhante aos do Fatias de Cá, encenado pelo actor João Mota, que tem lugar no Convento de Cristo e já vai na terceira representação. A pergunta é inevitável: Não há pessoal nem condições de segurança para uns, mas há para outros?
O Convento de Cristo, a veneranda Casa da Ordem, é Património da Humanidade e portanto de todos nós. A começar naturalmente pelos tomarenses, que estão mais próximos. Seria lastimável que nele se praticasse qualquer forma de discriminação, do tipo filhos e enteados, mesmo encapotadamente. 
Sendo as coisas aquilo que são -ou pelo menos aparentam- quem superintende no Convento de Cristo, aqui e/ou na Ajuda, deve uma explicação cabal à população. Caso a mesma não surja, Tomar a dianteira será forçado a invocar onde convenha a lei do direito à informação. Há acções intoleráveis. A discriminação hipócrita é uma delas.

anfrarebelo@gmail.com

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Ao menos as boas maneiras, senhores!

Passava na Praça da República. Ouvi música e vi bastante gente junto aos Paços do Concelho. Aproximei-me. Actuava a Tuna da Faculdade de Medicina da Universidade da Extremadura, de Badajoz. Muito público nos degraus e sob os arcos. Janelas sacadas do piso nobre repletas de estudantes femininas do Politécnico. Procurei e voltei a procurar entre a numerosa assistência. Nem um autarca, nem um funcionário superior em representação do município. Lamentável. Porque, quer se queira quer não, ali é a casa de todos nós. E quando uma agremiação vem apresentar cumprimentos ou simplesmente exibir-se à nossa porta, o mínimo que devemos fazer é estar presentes. Fazer as honras da casa, diz o povo inculto. Simples questão de boas maneiras, escrevo eu. De saber viver em sociedade, afinal.
Coisa praticamente impensável, mas se um dia destes a Nabantina, a Gualdim Pais ou a Tuna do IPT se forem exibir frente à alcaidaria da capital raiana e não estiver lá nenhuma entidade credenciada para fazer as honras da casa, logo a delegação forasteira dirá cobras e lagartos, palavras e palavrões. Agora imaginem o que irão dizer os futuros médicos espanhóis da cidade onde já o nosso primeiro rei partiu uma perna. Num habia nexexidade, diria o diácono Remédios, de boa memória.
Mas quem julga conhecer bem tanto os autarcas nabâncios como os tomarenses em geral já percebeu tudo. Em anos futuros, se os organizadores tunantes do IPT quiserem melhorar o acolhimento aos seus convidados, designadamente com a presença de autarcas e funcionários superiores da autarquia, o melhor será providenciar uma boa refeição, tipo feijoada com muito tintol, no salão nobre dos Paços do Concelho. Vão ver que não faltarão eleitos nem chefes disto e daquilo... 
E assim nos vamos afundando. Pouco a pouco, mas eficazmente. Naquela lama que sai da base do corpo de todos nós. Dado estar a falar de boas maneiras, não seria adequado escrever merda. Mas é disso mesmo que se trata. Já estamos afogados nela pelo menos até à cintura. E mesmo assim o cheiro pestilento parece não incomodar grande gente. Habituamo-nos a tudo!

domingo, 17 de abril de 2016

A lixeira autárquica

A notícia é da Rádio Hertz, na prática o único órgão de informação local que acompanha com algum rigor e regularidade a actividade da autarquia. Em entrevista, o vice-presidente Hugo Cristóvão, por quem tenho muita estima e consideração, declarou àquela rádio  que vai ser muito difícil apurar responsabilidades num estranho e condenável caso de perdão de dívidas por parte dos SMAS, a consumidores de elevado poder de compra. Acrescenta a notícia que os factos ocorreram em 2009/2010 e foram denunciados pelo vereador Pedro Marques na reunião camarária da passada segunda feira.
Temos assim, como tomarenses-eleitores-contribuintes-consumidores-explorados pelos SMAS que:
1 - Há seis ou sete anos os serviços municipalizados de Tomar perdoaram, sem qualquer cobertura legal, dívidas a consumidores de água com recursos para as pagar, uma vez que ao que consta se tratou de consumos provenientes de rega de jardins e enchimento de piscinas. Porquê?
2 - O vereador Pedro Marques, único autarca ainda em funções que já nessa altura integrava o executivo municipal, só agora achou oportuno denunciar a referida prevaricação. Porquê?
3 - Em vez de primeiro mandar, como lhe compete, apurar responsabilidades através do indispensável inquérito administrativo, para depois punir os responsáveis que são funcionários, uma vez que executaram sem protestar por escrito ordens manifestamente ilegítimas porque sem cobertura legal, o vice-presidente da autarquia limita-se a dizer por antecipação que "por muito que nos custe, vai ser muito difícil apurar responsabilidades". Porquê?
No estado actual das coisas e até novas informações substantivas, tudo isto configura, uma vez mais, uma situação de manifesta lixeira autárquica, no duplo sentido do termo. Lixeira autárquica, pois estes autarcas que temos, embora sendo bons cidadãos e boa gente, como políticos já deviam estar na lixeira da História, por manifesta inadequação ao mundo actual e às suas tranquibérnias. Lixeira autárquica outrossim, visto que, uns conscientemente, outros sem disso sequer se darem conta, andam afinal todos  a procurar governar-se, mas também a lixar os cidadãos pagadores que somos todos nós. Até quando?
Até ao dia em que os eleitores tomarenses decidirem finalmente deixar de se comportar como um rebanho manso e calado. Julgo que é bem capaz de levar o seu tempo...