sábado, 16 de abril de 2016

As plantas e os animais e as pessoas

As plantas são indispensáveis para a vida na terra porque sem elas não havia renovação de oxigénio e morríamos todos disse a senhora professora e acrescentou que as plantas podem ser pequenas médias ou grandes sendo as pequenas geralmente flores ou ervas as médias arbustos e as grandes árvores que podem ser ornamentais fruteiras de sombra ou para madeira mas isso também depende muito do sítio onde nascem que a sorte de uma sucupira da Amazónia não se pode comparar com a de um plátano do Mouchão um pinheiro da Cerca ou um salgueiro da margem do Nabão isto para já não falar das coitadas que vêm ao mundo em mau sítio como por exemplo num caminho rural ou numa rua nabantina e que cedo são esmagadas ou arrancadas neste caso quando são que há falta de pessoal e as pessoas também são como os animais e as árvores pois todos têm a sua utilidade sendo certo que ninguém planta um choupo para dar sombra compra um boi para animal de companhia ou adquire um malmequer para lhe colher os frutos e por isso não consigo entender o que leva as pessoas a votarem nos eleitos que temos aqui na autarquia indiscutivelmente úteis e competentes só faltando ainda saber em quê mas vamos dar tempo ao tempo que acabaremos por ter todas a respostas naturalmente quando já não fizerem falta nenhuma porque é o que quase sempre acontece digamos portanto que à falta de melhor os nossos autarcas em geral têm todos entre outras serventias por enquanto ignoradas excelentes vozes para tocar piano tal como os salgueiros chorões das margens do rio dão excelentes frutos para quem queira fazer dieta de emagrecimento rápido e assim são as coisas e assim vai o Mundo que como referiu o padre António Vieira quando a doutrina não entra e por isso não surte efeito ou os que ouvem não podem ou o pregador não sabe e isto já foi no século XVII mas continua muito actual sobretudo aqui em Tomar mas não só que não tarda novo trambolhão neste adorável e formoso jardim à beira mar plantado e quase cume da cabeça da Europa toda no dizer do Zarolho há mais de quinhentos anos.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Hoje não...

Hoje não há a habitual peça diária. Na sequência da notícia de ontem, segundo a qual a economia portuguesa afinal vai crescer menos que o previsto pelo Centeno, era para escrever sobre o ilusionista António Costa, a aprendiza Anabela e a política pretensamente socialista das farturas, que inevitavelmente nos vai levar à miséria, que é com quem diz a mais austeridade, Contudo, após mais madura reflexão, resolvi continuar a elucubrar, mas sem escrever. As estatísticas aqui do blogue mostram que o leitorado de Tomar a dianteira detesta más notícias. Gostam mais de rotundas mentiras, desde que correspondam aos seus desejos profundos. Bom proveito. Na medida do possível, procurarei sempre evitar que possam fazer comigo como se fazia na antiguidade: matar o mensageiro quando a mensagem não agrada.
Tenham mais um dia descansado, com refeições fartas e bem regadas, porque é por aí que lá vamos. Aonde? Vocês sabem.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Conversa fiada

Incomodada com a reacção do eleitorado tomarense, geralmente demasiado brando, perante o escandaloso lucro anunciado pelos SMAS, a simpática presidente Anabela Freitas desta feita reagiu prontamente. Anunciou e mandou publicar nos órgãos ao seu serviço que o citado lucro vai servir para melhorar a limpeza urbana e reduzir as taxas cobradas aos explorados consumidores de água. Tenho para mim que é apenas conversa fiada. Mais precisamente prematura propaganda eleitoral, tentando desde já assegurar uma  cada vez mais hipotética reeleição. Candeia que vai à frente alumia duas vezes.
É provável que as referidas taxas até baixem, sobretudo em 2017. Mas só poderá ser uma redução cosmética, do tipo do aumento das pensões anunciado pelo governo Costa. Se viermos a pagar menos um euro ou dois já será uma festa. Isto porque o bicho está e vai continuar na fruta. A experiência mostra que, nos concelhos onde as águas e saneamento foram privatizados, os consumidores pagam menos. Como por exemplo em Ourém, cuja população continua crescendo enquanto a de Tomar diminui, e onde o presidente Paulo Fonseca, apesar de socialista, não reverteu as citadas concessões. Porque terá sido? Porque é um socialista dissidente? Desnaturado? Ou simplesmente realista?
Quanto à limpeza urbana, vai decerto mudar qualquer coisinha no aspecto actualmente miserável das nossas ruas e dos nossos parques e jardins, para que no essencial tudo possa continuar como até aqui -uma vergonha. Isto porque melhorar tais serviços implica arranjar mais meios humanos, mais máquinas e mais consumíveis. Tudo aquilo que a autarquia não pode pagar nas condições actuais, porque tem excesso de pessoal supérfluo. Há chefes e funcionários de secretária a mais. Faltam varredores, jardineiros, pedreiros, operadores de máquinas, carpinteiros... E não há disponibilidade orçamental para aumentar as despesas com pessoal, posto que a câmara cada vez recebe menos em impostos e transferências do governo.
Julgo que Anabela Freitas sabe tudo isto muito bem. Tal como sabe igualmente que não pode nem deve despedir ou mandar para casa com o vencimento integral os funcionários supérfluos, pois deles depende a sua desejada reeleição, cada vez mais problemática. São os funcionários e os pensionistas que votam PS. Não os empresários ou os proprietários.
Entretanto, os desgraçados munícipes de uma parte da cidade antiga, praticamente ao lado dos Paços do Concelho, vão continuar a pagar o mesmo que os outros consumidores, sem contudo terem direito à mesma qualidade de serviço. Refiro-me àquela zona histórica cujas infraestruturas de águas e esgotos ainda datam da primeira metade do século passado e cuja modernização continua aguardando melhores dias. Matéria sobre a qual Anabela Freitas foi omissa
Mas temos os museus da Levada. Custaram perto de 6 milhões de euros, mas valeu a pena! É ver as filas de visitantes a comprarem os seus bilhetes e a entrarem, para se extasiarem ante tais maravilhas...


quarta-feira, 13 de abril de 2016

O porco só pensa na bolota

Podia começar pelo clássico "diz-me do que falas, dir-te-ei quem és e o que vales". Neste caso porém, sem querer comparar bípedes em princípio inteligentes com quadrúpedes em princípio broncos, parece-me mais adequado o anexim alentejano "o porco só pensa na bolota". Isto porque, pasme-se, "A qualidade das refeições escolares foi objecto de análise no executivo municipal", diz a Rádio Hertz. Que acrescenta esta conclusão de mão cheia dos senhores edis tomarenses: "A alimentação não tem a qualidade que se deveria exigir."
Noutros termos e se bem entendi, num concelho onde abundam os problemas magnos em todos os sectores, sete maduros à volta de uma mesa, alguns dos quais generosamente estipendiados e fazendo disso modo de vida, resolveram entreter-se a conversar sobre a sua, lá bem no fundo, principal preocupação -cuidar da barriguinha. Porque, guiado pelos hábitos da casa, não acredito que tenham analisado ou sequer debatido a coisa. Isso tem regras e exigiria bastante trabalho prévio. Limitaram-se por isso a debitar generosas generalidades, entremeadas com vacuidades polivalentes.
A prova do que afirmo é que, lendo a notícia da Hertz, nem sequer se fica a saber porque é que a comida escolar não tem a qualidade que se deveria exigir". Gordura a mais? Tempero a menos? Excesso de sal? Pouco peixe? Carne fraca? Pouca variedade? Mau aspecto? Confecção deficiente? Pouca quantidade? Tudo perguntas sem resposta. Os encarregados de educação e as adoráveis criancinhas queixam-se. Mas de quê?
Gente vivida, de grande pedalada, que rompeu vários fundilhos nos bancos das universidades e nas cadeiras das bibliotecas, ou em casa a olhar para o ecrã, os directores dos agrupamentos escolares não tiveram qualquer dificuldade para ir logo ao âmago da questão: No fundo, terão deduzido, o que os senhores autarcas querem é ir enchendo os bandulhos respectivos. naturalmente com comida da melhor qualidade possível. E bem regada!
Vai daí convidaram os membros do executivo para uma ou várias almoçaradas à custa dos contribuintes. Belo tiro, sim senhor! Que mata diversas peças. Umas de pele bem grossa, outras de bico amarelo.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Mais uma aselhice

Os adoráveis autarcas que temos primam por comportamentos que eu pelo menos não consigo entender muito bem. Agora, assim de repente, sem qualquer aviso à informação local, resolveram mandar sinalizar na Várzea Grande, lado poente, dois lugares reservados para autocarros. Supõe-se que de turismo. Apenas dois lugares! Quando vierem três autocarros, com alunos para visitar o Museu dos fósforos, o que é usual, o terceiro vai estacionar onde? Junto ao acampamento cigano? Pensando melhor, até que nem seria má ideia organizar visitas guiadas àquela triste curiosidade, logicamente com a colaboração dos seus habitantes. Afinal até eu já paguei e participei numa visita guiada à Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.
Voltando ao estacionamento e às vistas amplas dos nossos eleitos. Passamos agora a ter no total  8 lugares de estacionamento reservado para autocarros de turismo. Dois na Várzea Grande e seis junto ao Convento. A título de exemplo, a simpática e minúscula vila de Marvão, aninhada nas suas multicentenárias muralhas, oferece aos visitantes seis lugares, seis! de estacionamento para autocarros, mesmo à entrada do castelo. Tantos quantos os existentes no novo parqueamento junto ao Convento de Cristo. Que recebe anualmente quatro vezes mais visitantes que Marvão. Por aqui se pode ver a usual largueza de vistas dos actuais ocupantes dos Paços do Concelho. Que Deus os abençoe e ilumine os meus escritos! Para evitar ser tão agreste...
Resta mencionar um detalhe muito saboroso e bem tomarense. De acordo com a inscrição legalmente obrigatória no dorso dos sinais de trânsito, esta deliberação sobre lugares de estacionamento reservado para autocarros data de Março de 2007. Nove anos para implementar uma deliberação assim tão complexa... vá lá, vá lá! Podia ser bem pior! E mostra mais uma vez que estamos mesmo muito bem servidos.



segunda-feira, 11 de abril de 2016

Andar à deriva dá nisto

Enquanto António Lourenço dos Santos ataca de forma acutilante a actual gestão autárquica, a informação local noticia que os SMAS registaram no ano passado um saldo positivo ligeiramente superior a meio milhão de euros. No seu blogue Tomar opinião, o evidente candidato a candidato PSD Lourenço dos Santos mostra que decidiu usar também e finalmente o meu estilo agreste, que tem criticado. Decerto por ter concluído, tal como eu, que com paninhos quentes nos vamos enterrando pouco a pouco. E vá de denunciar com acutilância a falta de limpeza, a falta de qualidade nos espaços verdes, a falta de planos e a falta de rumo. Tudo evidências chocantes, perante as quais os tomarenses continuam impávidos e serenos, à espera de milagres. Parafraseando Lopes Graça -Acordai gentes!
Pela mesma ocasião, os SMAS noticiaram ufanos que conseguiram em 2015 um lucro ligeiramente superior a meio milhão de euros. O que corresponde grosso modo a 14 euros por eleitor concelhio. Um vergonha. Porque é a prova evidente de que andamos a ser escandalosamente roubados, pagando tarifas desadequadas, só possíveis porque a autarquia abusa da sua situação de monopólio e da passividade doentia dos tomarenses. Já se sabia, uma vez que bebemos a mesma água dos lisboetas mas pagamo-la bastante mais cara. Esta é apenas mais uma confirmação.
Além de nos esbulharem sem necessidade real, os senhores autarcas que temos mostram também a sua óbvia inépcia em matéria de gestão, ao manifestarem alegria perante o referido lucro dos SMAS. Deviam era ter vergonha. Em pleno centro urbano, a 50 metros dos Paços do Concelho, há ruas ainda sem separação de emissários, sem sarjetas eficazes, sem rede de gaz e com distribuição de água através de condutas com mais de 50 anos e em amianto, matéria há muito proibida na UE. Se até conseguem um lucro confortável ao fim do ano, porque raio ainda não fizeram as obras indispensáveis? Porque os consumidores se vão calando, e quem cala consente, não é? Mas olhem que por vezes os vulcões adormecidos...
Lá estou eu também à espera de um milagre! Vê-se bem que sou tomarense.

domingo, 10 de abril de 2016

A melhor solução

Vimos no texto anterior que os ciganos tomarenses, habitantes do miserável e chocante acampamento do Flecheiro, são sedentários. Há mais de 40 anos, acrescente-se. Carece por isso de sentido prático procurar obter fundos comunitários para a instalação de um parque destinado a nómadas. Além de não se ver bem onde poderia ser instalado a contento dos interessados.
Sedentários portanto, os ciganos continuam a ser em grande parte casos sociais, por manifesta marginalidade em todos os sentidos. Nem a sociedade se esforça muito para os integrar, nem eles no fundo se querem integrar. Para alterar positivamente tal estado de coisas, acabando de vez com o triste espectáculo do Flecheiro, é por isso indispensável e urgente proporcionar-lhes antes de mais alojamento digno. Cujos encargos mensais terão naturalmente de pagar. Em último caso mediante desconto coercivo no rendimento de subsistência. 
Tanto Bruxelas como Lisboa ou a banca comercial, dispõem de recursos para a construção de habitações sociais. Ponto é que a autarquia tomarense se deixe de blábláblá de circunstância e passe a trabalhar eficazmente no sentido de resolver o problema dos ciganos da borda do Nabão. Assim: 1 - Não sendo legalmente possível, porque discriminatório, projectar e edificar um bairro só para os ciganos; 2 - Não sendo realista pretender alojar toda a comunidade nas habitações urbanas actualmente existentes; 3 - Conhecidos os pruridos racistas não assumidos da população tomarense de menores recursos materiais e intelectuais, que a impelem a rejeitar os ciganos; há várias soluções disponíveis, mas só uma é a melhor.
Tenho para mim que essa melhor solução do problema cigano nabantino é o realojamento no Bairro 1º de Maio. Não no actual, que manifestamente há muitos anos que está a pedir uma reabilitação de fundo. Não só para facultar condições actuais de habitabilidade, mas também para pôr cobro a chocantes situações de abuso e manifesta ilegalidade (agregados cujo rendimento é superior ao fixado para a ocupação de alojamentos sociais, gente que tem casa noutro lado e subaluga a do bairro ou a mantém fechada por que é barata, quintais ocupados com construções ilegais sem condições mínimas de segurança...)
Creio que andaria bem a autarquia encomendando um projecto para a construção de 200 habitações sociais, em edifícios de 3 pisos (r/c + 2), nos actuais quintais, que nada justifica nos nossos dias. Uma vez concluído esse novo conjunto, nele seriam realojados todos os membros da comunidade cigana do Flecheiro que assim o desejem, bem como os actuais moradores do bairro que satisfaçam as condições legalmente fixadas para  beneficiarem de habitação social.
Concluído o realojamento, o velho bairro 1º de Maio que agora existe seria demolido e os terrenos assim tornados livres transformados em lugares de estacionamento e espaços verdes. Quanto à favela do Flecheiro, ao que parece a actual gerência camarária tem um projecto. Terá mesmo? Ou será, mais uma vez, apenas 31 de boca?
Sucintamente é isto. Haverá coragem? Haverá empenhamento? Haverá capacidade? Logo veremos...