quinta-feira, 31 de março de 2016

Olhem para a economia senhores

Quando nestas colunas ou alhures (o que é raro) se alerta para o evidente descalabro económico da cidade e do concelho, há logo quem discorde. A começar pelos senhores eleitos que governam. Esses vêm logo com argumentos capciosos, do tipo "mas temos o Convento Património da Humanidade e a Festa dos Tabuleiros e uma boa qualidade de vida". Pois! O pior é que o verdadeiro motor de qualquer sociedade, aquilo que a faz avançar, é a economia. E aí vamos de mal a pior. Obviamente por culpa de quem nos governa ou devia governar. E também de quem os lá ajudou a pôr com o seu voto mal informado.
O sempre bem informado Tomar na rede publicou um quadro com as transferências do governo central para cada uma das autarquias do distrito. Ou seja, a percentagem das contribuições e impostos cobrados na área concelhia, entregue a cada autarquia. Por conseguinte, um retrato fiel da actividade económica de cada município. Mais movimento = mais dinheiro; menos movimento = menos dinheiro. Tão simples quanto isto.
Simplificando o supra referido quadro, para evitar confusões em cabeças menos apetrechadas academicamente e não só, obtive o seguinte:
  
TRANSFERÊNCIAS TOTAIS
                                            Eleitores                     Transferências              
Santarém          53,418                    13.060.912
 Abra ntes           37.070                    11.486.809 
 Ourém              43.331                    11.410.990
                  Coruche            17.649                    10.151.344                 
 Tomar              37.710                      9.232.128
 Torres Novas    32.546                      8.351.629
Tomar segunda cidade mais importante do distrito, não é? Já foi! E pelo rumo que as coisas levam, um destes dias, em termos económicos, seremos quando muito a primeira aldeia do distrito com um monumento património da humanidade. Ao que chegámos! Por exclusiva culpa nossa. Essa é que é essa!      

quarta-feira, 30 de março de 2016

De algarada em algarada

Adensa-se singularmente a atmosfera política tomarense. Em poucos dias, João Tenreiro pegou-se novamente com Anabela Freitas e Pedro Marques com Bruno Graça. Tudo num ambiente crispado, mais próprio de uma vila sul-americana recente que de uma urbe europeia com mais de oito séculos de história. Lamentável. E ao que tudo indica com tendência para se agravar.
No fundo estão em causa dois problemas basilares: 1 - Nenhuma das formações representadas no executivo tomarense teve ou tem qualquer projecto político para o concelho; 2 - Conscientes de que, devido essencialmente a essa lacuna, andam afinal a marcar passo e a mastigar marmelada desde o início do mandato, sentem-se agora singularmente acossados pelo aproximar das próximas autárquicas, o que os força a tentar sacudir a água do capote e a dar nas vistas, para simular que estão a trabalhar.
O nervosismo é de tal ordem que Anabela Freitas se exalta perante qualquer simples pedido de esclarecimento, revelando assim cada vez mais a sua evidente falta de calo democrático. Pedro Marques, por sua vez, garantiu em entrevista recente e numa evidente incoerência que a sua formação vai concorrer em 2017, mas nada está ainda decidido, Quanto a João Tenreiro, ultrapassada com êxito a recente fase eleitoral interna, parece começar agora a cair na real. Admitiu há poucos dias e pela primeira vez, aos microfones da Rádio Hertz, que não será necessariamente ele o cabeça de lista laranja. Sábia atitude para quem já vai no seu terceiro mandato como dirigente máximo concelhio do seu partido. Mas uma futura alma penada, caso insista em recusar as primárias internas.
Do lado da CDU, persiste a dúvida: O que leva esta formação a manter um acordo político com um parceiro nitidamente sem vontade alguma de o respeitar? Que espera Bruno Graça conseguir com a sua insistência na coligação já praticamente defunta, agora também alvo privilegiado do escorraçado chefe de gabinete?
Agravando tal estado de coisas, não se sabe bem para honrar que santos, o vereador apêndice do PS resolveu apresentar um novo horário de funcionamento para o mercado. A título experimental, ainda por cima. Conhecendo Bruno Graça há décadas e tendo dele uma opinião muito favorável, nunca pensei que viesse a cair em semelhante esparrela. Cuidei que soubesse uma coisa basilar: o mercado é em qualquer terra, por mais modesta que seja, uma actividade tão antiga quanto a própria localidade. Não é por isso nada conveniente alterar aquilo que é tradicional. Ainda menos a título experimental. Ou estou a ver mal ou o mais sensato é deixar funcionar o costume enraizado -um horário igual e sem interrupções todos os dias da semana. Cabe depois aos vendedores decidir quando estão e quando não estão. Tudo o resto mais não será que complicar o que afinal é bem simples. Quanto mais se regulamenta menos claras se tornam as coisas. E sem clareza...
Por tudo isto, parece-me cada vez mais sombrio o futuro desta minha amada terra. Oxalá se trate apenas de excesso de pessimismo da minha parte.

terça-feira, 29 de março de 2016

Cá e lá

Somos todos europeus. É verdade. Mas o clima e as gentes diferem de país para país. De região para região. De terra para terra. E de que maneira. Ora tenha o leitor a bondade de ler a tradução deste excerto do prestigiado jornal Le Monde:


"Em Mantes-la-Ville o triunfo do vazio. Eleito inesperadamente presidente deste município das Ivelines (grande cintura parisiense) o frentista Cyril Nauth não tem projecto nenhum. E a oposição também não." Ou seja, a versão parisiense do que sucedeu e está acontecendo em Tomar. Com duas diferenças importantíssimas. 
"O presidente da câmara reduz as despesas com o pessoal e os subsídios às colectividades. O clube de futebol está entre as primeiras vítimas." Cá a presidente vai fazendo o contrário. Aumenta as despesas com pessoal e os subsídios às colectividades.
Lá, um grande jornal nacional noticia com destaque a falta de vergonha política de um presidente de câmara que se apresentou ao eleitorado sem projecto. Cá, já nem a imprensa local se interessa por tal ninharia. Outras terras, outros usos, outros costumes.
A notícia é bastante longa. Limito-me por isso a traduzir só o primeiro parágrafo:
"Município da região parisiense, com cerca de 20 mil habitantes, caído por descuido nas mãos da Frente Nacional, procura projecto e/ou oposição"  Se houvesse um site adequado, Mantes-la-Ville poderia e deveria publicar um anúncio deste tipo. Dois anos após a eleição surpresa de Cyril Nauth (FN), nada nem ninguém se destaca no pântano político desta cidade situada a cerca de cinquenta quilómetros de Paris. A única na região Ile-de-France dirigida pela extrema-direita."
Porque a esquerda, o centro e a direita foram acumulando erros ao longo dos anos. Tal como em Tomar. Depois queixem-se.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Só agora?!

Em menos de um mês, o PSD pela voz de João Tenreiro e os IpT pela de Pedro Marques, lastimaram-se por não serem vistos nem achados nas reuniões do executivo camarário. Resulta das suas declarações que estão lá apenas porque a legislação vigente a isso obriga. Não passam portanto de meros verbos de encher, de flagrantes inutilidades. E têm consciência disso. Neste contexto, o que os tem levado a pactuar de facto e de forma continuada com tão anómala situação? Só agora dela se deram conta? Ou são as autárquicas de 2017 que já começam a produzir efeitos nos estômagos respectivos?
Já passaram mais de dois anos sobre a posse do actual executivo e as intenções reais da sua maioria relativa foram transparentes desde o início. Com a oposição fragmentada, a simples lógica pragmática aconselhava a busca de maiorias circunstanciais. É certo que tal atitude exigiria o debate aberto, a informação completa e atempada, o respeito pelos outros e pela diferença. Tudo o que os nossos respeitáveis eleitos nunca demonstraram ter ou praticar. É triste mas é a realidade. E as coisas são o que são.
Sem esses atributos indispensáveis para governar com sucesso nos regimes democráticos, e sabendo disso implicitamente, Anabela Freitas e seus parceiros apressaram-se a contrair uma aliança com a CDU, propiciadora de águas calmas durante todo o mandato. Sem necessidade de debater, informar, ouvir ou sequer aturar os outros opositores nominais. Tanto assim foi e é que, na recente crise que culminou com o imprevisto despedimento forçado de Luis Ferreira, a CDU se veio queixar de por vezes também não ter voto na matéria, apesar do acordo subscrito. Pior ainda, Bruno Graça escreveu e não foi desmentido que a presidente marcava reuniões que depois nunca se realizavam. O que vem confirmar a natureza autocrática da minimaioria PS. Sem argumentos, sem estaleca e sem soluções, preferem o facto consumado, o quero posso e mando à moda antiga, anterior ao 25 de Abril. Prática que perdura sem grandes solavancos porque toda a oposição local, incluindo a CDU lhes tem aparado os sucessivos golpes.
Mas quando, durante a próxima campanha eleitoral, alguns eleitores mais afoitos perguntarem aos candidatos PSD/IpT/CDU o que estiveram a fazer no executivo e na AM e para que serviu afinal votar neles, vão naturalmente jurar que sempre estiveram contra a evidente autocracia do PS local. As circunstâncias é que nunca ajudaram. Como de resto vem acontecendo em Tomar desde 74.
De resto, quem é que alguma vez disse que há neste triste e soturno vale do Nabão uma enraizada cultura democrática? Quem foi? 

domingo, 27 de março de 2016

Os novos censores (não confundir com sensores)

O estilo é o homem.
Blaise Pascal (1623/1662)

O tempo da outra senhora, pelo que se constata agora, terá deixada saudades a alguns. Não a mim. Pelo contrário. Adiante. Nesse tempo havia a censura prévia e oficial a todos os escritos e publicações. Era efectivamente exercida por coronéis das forças armadas. Apesar da execrável e a todos os títulos condenável tarefa que exerciam, esses militares tinham pelo menos um mérito. Davam a cara. Sabia-se quem eram, o que faziam e porque o faziam.
Mais de quarenta anos volvidos, eis-me de novo confrontado com a censura e com os censores. Desta feita encapotados. Falsos como Judas. Agindo só pela calada, ou acoitados em nomes supostos. Nojento, é o que penso.
Que pretendem afinal essas criaturinhas, dissimuladas e portanto hipócritas? Apenas e só que eu mude de estilo. Que deixe de ser tão agreste. Que em suma renegue a verdade e não exerça a liberdade de pensamento. Ou que, pelo menos, deixe de ser tão franco e objectivo. É claro que não o farei. Antes a morte que tal sorte.
Não por uma qualquer embirração. Apenas baseado numa série de factores que passo a enumerar:
1 - Esses tais censores encapotados, alguns com falinhas mansas e vocabulário aveludado, armam-se em umbigo do Mundo, detentores únicos da verdade e padrão das boas maneiras locais. Com que legitimidade? Quem os mandatou para tal?
2 - Continua por demonstrar que eu seja, como consta, demasiado agreste ou use fraseado menos próprio. Não será antes o facto de eu procurar dizer sempre a verdade nua e crua que incomoda essas almas penadas? É sabido que a verdade aleija quase sempre alguém.
3 - Mudar de estilo? Eu? Aos 70 passados? Não me façam rir. Porque não mudam antes eles? Porque ainda se não deram conta de que o Mundo mudou e continua a mudar todos os dias?
4 - Quem alguma vez emigrou, vivendo largos anos no estrangeiro, sabe bem que nunca mais voltou a ver o país nem a santa terrinha da mesma forma que os indígenas que sempre cá ficaram. Já em séculos anteriores outros estrangeirados causaram escândalo. Por exemplo Eça de Queiroz no século XIX. Ou Francisco Sá de Miranda, em meados do século XVI. É dele esta quintilha célebre, que deixou numa mesa do Paço Real, quando partiu para o exílio voluntário no Minho:
Homem de um só parecer
De um só rosto de uma só fé
De antes quebrar que torcer
Muita coisa pode ser
Homem da corte não é
5 - Numa prosa lamentável publicada no blogue Tomar na rede, cujas qualidades me parece que se vão infelizmente erosinando com o tempo, escreve-se, numa linguagem desadequada porque sem maneiras, esta pérola: "o velho homem... ...não gosta de ser enxovalhado".
O velho homem visado sou eu. Julgo por isso oportuno perguntar: Além dos masoquistas, alguém gosta de ser enxovalhado? 
Conclusão: Deixem-se de merdas e tratem mas é de se adaptar aos tempos que correm. Sob pena de virem a penar num futuro cada vez mais sombrio. Porque o importante, mesmo importante, é aquilo que eu denuncio. Não eu nem o meu estilo de escrita.
Estou enganado? Talvez. Mas nunca esqueço o velho adágio segundo o qual "Não há pior cego que aquele que não quer ver."

Adenda:

Sei bem que os tomarenses são em geral bastante mais inteligentes do que eu. Não terão portanto qualquer dificuldade para interpretar com correcção a citação de Pascal que encima este escrito. Há porém os outros conterrâneos. Aqueles que são apenas tão inteligentes como eu. Esta adenda é para eles. "O estilo é o homem" pode e deve ser interpretado, na óptica pascaliana, como "Mostra-me como falas ou escreves, dir-te-ei quem és realmente e como ages."

sábado, 26 de março de 2016

Ditos conhecidos, ou nem tanto

Quando se tem coragem de apontar o que está mal, os palermas geralmente olham só para quem aponta.

(Adaptação de uma frase de Amélie Poulain)

Ao contrário da panela, é normal que o passador tenha o fundo cheio de buracos.

Dito popular chinês.

Quem tem telhados de vidro, pode acordar com um corno partido.

Versão moderna de um velho dito popular português.

Os políticos protestam, os jornalistas escrevem, Tomar a dianteira incomoda.

Autor óbvio.

Quem cabritos promete mas cabras não tem, certamente está a tentar enganar alguém.

Dito popular nortenho.

Fidalguia sem comedoria, é gaita que não assobia.

Dito popular transmontano.

Se bem entendo

Se bem entendo, tudo se vai conjugando para termos em Outubro 2017 a mesma escolha eleitoral de 2014. Metaforicamente, entre a tuberculose, a peste e a cólera morbus. Estou a exagerar? Admito. Mas só nas componentes da metáfora. Porque no resto, como os leitores bem sabem... Que escolha real existe quando se quer, por exemplo, comprar um cão de guarda e só podemos escolher entre três ou quatro perdigueiros, que são cães de caça?
Indo ao real, à prática. Que diferenças práticas se têm notado na actuação dos autarcas em funções no executivo camarário? O quarteto 3PS1PC não governa, ou governa mal? É um facto. Mas que acções já desencadeou a oposição 2PSD1PM para alterar tal estado de coisas? Criticaram com veemência? Abandonaram reuniões do executivo como forma de protesto? Mandaram exarar reclamações fundamentadas nas actas? Apresentaram propostas alternativas? Denunciaram na informação local a triste situação a que se chegou? Como bem sabemos todos, a resposta é sempre a mesma -NÃO. Porquê?
Porque na realidade os senhores eleitos, tanto os maioritários como os oposicionistas, sentem no seu íntimo que fazem parte de um escol. Que integram, como comendadores bem entendido, uma nova Ordem de Cristo. Que por isso estão e agem numa plataforma muito acima da população em geral, com a qual só se preocupam aquando das eleições. O resto do tempo consideram que se trata de uma chusma de ignorantes, de invejosos e de maledicentes, que pouco ou nada merecem. E a quem quanto menos se disser, melhor será.
De tal forma que o  divórcio entre eleitores e eleitos é cada vez mais acentuado. Sucedem-se as abstenções entre os 40 e os 50%. Na nova freguesia urbana, mais de metade dos inscritos não votou em 2014. Nestas condições, se insistirem na óbvia patetice de transformarem as eleições autárquicas de 2017 numa simples repetição das de 2014, estou certo que as mesmas causas vão produzir os mesmos efeitos. Não havendo escolha efectiva, os eleitores vão passear. 
E digam-me lá com franqueza: Para além das diferenças físicas, o que distingue realmente Anabela Freitas de João Tenreiro ou Pedro Marques? Como usa dizer o camarada Jerónimo, salta à vista que "é tudo farinha do mesmo saco". E nunca se viu  ou verá pessegueiros a darem nêsperas.
Portanto, tudo devidamente ponderado, se em Outubro de 2017 os candidatos com hipóteses sérias de vencer foram, como por enquanto tudo indica, Anabela Freitas, João Tenreiro e Pedro Marques, não contem com o meu voto. Detesto participar em farsas. Sobretudo quando têm implicações sérias na carteira e na qualidade de vida...