quinta-feira, 10 de março de 2016

Outra vez o inventado fórum

Noticia a Hertz, habitual fonte fidedigna daquilo que a autarquia pretende que se saiba, que Anabela Freitas transmitiu aos seus pares do executivo mais uma notícia desagradável. A comparticipação europeia para as obras no inventado (o termo é meu) fórum romano é afinal inferior ao solicitado. Vai ser portanto inevitável alterar os planos existentes, em conformidade com esta nova realidade, acrescentou a nossa simpática presidente. Fiquei assim a saber que infelizmente o inventado fórum saletiano ainda mexe. É lamentável, digo eu.
Não vou aqui alongar-me outra vez sobre a triste e até caricata história do alegado fórum. Limito-me a repetir que nunca ninguém -para além da sua inventora- confirmou que ali tenha existido um fórum romano. Ou mesmo qualquer edificação dessa época. O que lá se pode ver leva a pensar, no meu entender, que se trata de parte dos alicerces de uma das duas igrejas ali existentes ainda no século XVIII -Santa Maria de Selho e S. Pedro Fins. Isto se tivermos em conta os afastamentos entre os elementos visíveis. Se entrarmos na mitologia, aquilo pode ser tudo. Até o lupanar do Imperador Caracala.
Mas não é esse o problema. Fórum, igreja, ou nem uma coisa nem outra, há ali um terreno vazio, no qual a autarquia pretende investir largas centenas de milhares de euros. Baseada em quê? Num PDM elaborado de forma caótica, tendo na respectiva comissão técnica de acompanhamento a senhora inventora do fórum, tão retorcido e complexo que nem a respectiva revisão a autarquia actual consegue concluir com êxito. Com que objectivos pretende o executivo "recuperar o fórum" ? Apresentar obra? Conseguir mais uns lugarzitos para o pessoal da cor? Para instalar lá o quê? Com que verbas?
Ou muito me engano ou estamos perante mais um avatar, um mono, tipo Núcleo de Arte Contemporânea, Complexo da Levada, Edifício dos Cubos...ou aquela minúscula casota ali no Mouchão, que nunca ninguém julgou necessário explicar para que serve ou para que foi edificada.
Pobre terra que tal gente tem.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Não resisto...

Não resisto.´É mais forte do que eu. Tenho de desabafar. Anunciado com pompa e circunstância; congregando das melhores cabeças nabantinas, salvo algumas evidentes excepções, o novo blogue Tomar opinião está afinal a revelar-se um razoável fiasco. De todo o areópago que o compõe, pelo menos segundo foi difundido, praticamente só o Mário Cobra é que se esforça. Todos os outros, com uma pequena ressalva para António Lourenço dos Santos e Carlos Trincão, parece estarem na retranca Ficaram-se pelo texto inaugural. Era só basófia? Ou vamos ter grandes novidades em breve?
Em qualquer caso, considero uma vergonha que, decorridas mais de 24 horas, ainda ninguém tenha avisado o Mário que o seu texto mais recente está "empastelado". Há uma parte em duplicado. Sinal de que ainda ninguém o leu? Seria o cúmulo.
Sei bem que a informação e a iniciativa privada devem ser inteiramente livres. Mas de modo algum isentas de críticas. Para apresentar obra assim como a do Tomar opinião, pelo menos até esta data, valia mais estar quedo.
Desculpem lá o desabafo cidadão...

Incompetência e mentiras

O comissário europeu da Economia, o francês Moscovici, por acaso também socialista, foi despachado pela Comissão Europeia a Lisboa com um único objectivo -Acabar com a mentira de António Costa/Centeno, ao dizerem que o já célebre Plano B não vai ser necessário. O francês foi ontem extremamente claro perante as câmaras da TV: Não se trata de saber SE vai ser ou não necessário pôr em marcha o dito plano (que implica mais medidas de austeridade, acrescento eu), mas QUANDO vai ser inevitável. Ou seja: Já não se trata, e se calhar nunca se tratou, de saber se sim ou não. Apenas de determinar quando avançar com o tal Plano B, Indispensável segundo Bruxelas, não necessário segundo Costa e Centeno. Infelizmente para os já bem causticados contribuintes que somos todos nós, nestas coisas de finanças, Bruxelas tem sempre razão. E leva sempre a sua avante. Até em Atenas, com um governo que se considera de extrema esquerda.
Nada adiantam portanto as mentiras de Costa e Centeno. Que me parece saberem isso muito bem. Agem assim, mentindo deliberadamente, como agora veio demonstrar o citado comissário gaulês, apenas para ganhar tempo, para ir flutuando...que o governo não vai durar toda a legislatura.
Aqui pelas margens do Nabão, onde o poder está igualmente nas mãos de socialistas, acolitados pela CDU, também se mente, mas por omissão. A nova Rádio Alpiarça, divisão de contactos com a informação nabância, não se cansa de propagandear obras que afinal ninguém vê. Pior do que isso, só O MIRANTE, na sua mais recente edição, difundiu a informação dada por Anabela Freitas ao executivo em recente reunião. Disse a nossa simpática presidente que desgraçadamente (este adjectivo é meu) não vai haver financiamento europeu -os tais dinheiros europeus tão ansiados- nem para o Parque nómada, destinado a realojar a comunidade cigana do Flecheiro, nem para a requalificação do dito Espaço, nem para o complexo da Levada, onde já estão enterrados 6 milhões de euros, seis!
O Mirante não diz, e por isso também não sei, qual foi a reacção dos restantes membros do executivo autárquico, perante esta razia nas promessas da presidente. O que não me impede de formular as perguntas que me parecem pertinentes -direi mesmo indispensáveis- e que não foram (ainda?) feitas pela espécie de oposição que temos:
1 - Porque razão, até agora, só um órgão de informação sediado na Chamusca é que noticiou a referida e infausta matéria? Os outros jornalistas são cegos, surdos e mudos? Em louvor de que santo?
2 - Qual a fundamentação oficial para a recusa de financiamento para os ditos projectos? Tomar a dianteira sabe, por exemplo, que Bruxelas dispõe de fundos de milhões de euros para a melhoria das condições de vida das comunidades nómadas. Por conseguinte, não bate a bota com a perdigota. Se há fundos disponíveis, porque chumbaram o projecto tomarense?
3 - Os projectos agora chumbados foram capazmente redigidos, estruturados e argumentados por colaboradores qualificados? Quem foram esses colaboradores? Os ditos projectos não contemplados podem ser consultados, ao abrigo do direito à informação?
4 - O executivo tem a certeza de que os citados documentos foram entregues atempadamente e nos serviços correspondentes? Não terá havido casos em que se pretendeu comprar carne numa loja de moda feminina?
Lincoln disse há dois séculos que "É possível enganar alguém durante toda a vida e enganar toda a gente durante um certo tempo. Mas é impossível enganar toda a gente durante toda a vida." O povo português é ainda mais preciso: "Apanha-se mais depressa um mentiroso que um coxo." Amen!

anfrarebelo@gmail.com

terça-feira, 8 de março de 2016

Sobre o momento político local

Concluídas as eleições locais nos partidos que contam -PS e PSD- tudo como dantes, com os mesmos representantes. Mau sinal portanto. Sobretudo quando se pensa um bocadinho e se conclui que, em mais de 40 anos de democracia, os tomarenses ainda não conseguiram eleger uma única vez um presidente da câmara capaz. Houve o Murta, pela AD, que fez umas coisitas, como a iluminação do então estádio ou o Património da humanidade para o Convento. Houve bastante depois o Paiva, que fez muitas obras, a maioria asneiras de todo o tamanho. E pronto. Dos outros é melhor, mais fácil e mais confortável nem falar. Melhor, porque dá menos trabalho. Mais fácil, porque dispensa morosas pesquisas em busca de realizações inexistentes. Mais confortável enfim, porque a cidade é pequena e todos os ex-presidentes nela têm familiares e amigos...
Mais de quarenta anos de erros, portanto. Culpa exclusiva de quem vota "mal" por ignorância? Creio que não. Sobretudo culpa das direcções partidárias, que nunca apresentaram candidatos credíveis. Tiveram receio de vir a ser ultrapassadas, ou até atropeladas e esmagadas. O seguro morreu de velho!  Vai daí, os eleitores são forçados a optar não pelo melhor, mas pelo menos mau dos cavalos presentes na corrida. Por isso, temos agora o executivo municipal e a AM que temos. Tanto na maioria como na oposição. Com a câmara a ser liderada, de facto e à distância, por um eleito que faz parte da Assembleia Municipal. Lindo, não é? E com resultados brilhantes!
Tudo isto porque os nossos aprendizes políticos ainda não se terão dado conta de que os computadores e a Net vieram alterar totalmente e para sempre as regras do jogo. Dantes, bastava afastar alguém. Agora, mesmo exilado à força, qualquer um pode continuar a governar na sombra. Basta para isso dispor de um computador, da respectiva senha de acesso, e controlar o governante titular sem autonomia ideológica.
Daqui decorre, parece-me, que em Outubro de 2017, já ali adiante, corremos fortes riscos de termos direito a mais do mesmo. Sermos forçados a escolher entre vários montes de sucata, quando o lógico seria optar entre peças novas e sem defeitos. Ora sucede que, no meu entender, em termos de sucata, a actual ganha. Por três motivos principais: 1 - O eleitorado tomarense detesta a mudança. Só em último caso. 2 - Os funcionários públicos, no activo ou aposentados, com os respectivos familiares, constituem a maioria do eleitorado concelhio, e já perceberam que o PS é quem melhor os defende. 3 - As sucatas laranja anteriores foram bem piores, como todos sabemos e ainda não esquecemos. Para não falar do governo Passos Coelho e da sua detestada austeridade.
Assim sendo, ou o PSD local arranja maneira de meter o medo no roupeiro e ousa escolher quem melhor o represente, ou já perdeu sem apelo nem agravo possível. E para escolher um candidato credível, desenxovalhado e ganhador, só conheço um método eficaz e inatacável -uma eleição primária, aberta e sem ratoeiras dissimuladas. Sem isso nada feito. A derrota é certa. 

segunda-feira, 7 de março de 2016

Uma terra de costumes demasiado brandos

Somos mesmo uma terra de costumes demasiado brandos, de hábitos excessivamente macios. Quando afinal me limito a escrever num estilo directo, aqui e ali rugoso, logo me acusam pela calada de acutilância em demasia. Agora até esse bem-vindo meteoro que assina José da Silva e que ignoro quem seja, vem pedir por escrito para não o matar. Subentendido: não me desacredite, não seja violento comigo, poupe-me, em suma.
Fiquei pasmado ante semelhante prosa, ainda por cima de qualidade. Sim, porque eu procuro ter sempre o cuidado de separar a forma e o conteúdo. Coisa que, pelos vistos, José da Silva não quer entender. É lá com ele. E não vai interferir de forma alguma na minha maneira de escrever, nem no meu modo de pensar.
Há nesta prosa mais recente do excelente, mas infelizmente anónimo prosador local, um facto que me pareceu sobremaneira importante. Refere vários trechos do escrito que lhe dediquei, porém cala deliberadamente a parte referente à informação local e  ao querido Ivo Querido. Exactamente como sucedeu no acto de pirataria informática, de que fui vítima anteontem. O delinquente subtraiu dois parágrafos da minha peça que, coisa curiosa, eram exactamente sobre os falidos órgãos de comunicação locais e ... o querido amigo Ivo Querido. Ele há coisas!
Como é evidente, cada qual tem dos políticos locais as opiniões que quer (se sabe e está habituado a usar o cérebro), ou que pode (nos restantes casos, que na minha tosca opinião são de longe os mais numerosos). O que não deve, sob pena de descrédito total, é confundir bexigas de porco, mesmo cheias de ar, com lâmpadas eléctricas. Nada tenho de pessoal contra Pedro Marques, ou contra qualquer outro político nabantino. O que não me coíbe de falar claro e mijar a direito quando se trata de os apreciar politicamente. Porque sou contra os costumes demasiado brandos. Porque em democracia ninguém deve ser intocável. Nem sequer os comentadores!
Escreve José da Silva que Pedro Marques se está tornando numa referência, pois que nas reuniões camarárias todos o temem. Ó senhor José, ou lá quem é! Tenha santa paciência! Antes de mais, não é preciso muito para atemorizar aqueles nossos conterrâneos agora sentados à mesa do orçamento municipal e à mesa do executivo, por esta ordem, em quase todos os casos. Depois e sobretudo, porque o facto do ex-presidente ser eventualmente temido pelos seus pares actuais, não impede que a opinião pública tomarense o tenha já condenado definitivamente enquanto candidato à autarquia. Como de resto vêm demonstrando os sucessivos e insatisfatórios resultados eleitorais dos IpT. Pode-se não gostar. Mas é um facto. Não desmentível, que os factos são obstinados. Mesmo negados, continuam a existir e a impôr-se. O que muito incomoda os politiquelhos locais. Entre outros.

anfrarebelo@gmail.com

Fala o presidente da Universidade de Stanford - Conclusão

A prioridade são os estudantes e não o conforto dos professores.



Visto daqui de França, parecem coisas mais fáceis de realizar em Silicon Valley...
Desengane-se É muito difícil! É preciso estar sempre a lembrar que a prioridade são os estudantes e não o conforto dos professores. Mesmo se compreendo perfeitamente que não é nada fácil mudar a  maneira de ensinar. Mas o mais importante é realmente essa capacidade dos nossos estudantes para aprenderam em novos domínios que actualmente não imaginamos sequer.

Trata-se portanto de "aprender a aprender" ao longo de toda a vida...
Sem dúvida. É o maior desafio dos nossos dias. Designadamente para encontrar um emprego. No meu tempo, sabia que teria três ou quatro empregos no máximo, durante toda a minha existência. Agora os jovens pensam mais em termos de carreira linear. Projectam-se  numa grande variedade de carreiras e irão trabalhar para 10 ou 15 patrões diferentes. Vão ser obrigados a colocar-se permanentemente em questão. O mundo avança tão depressa que nós somos aliás incapazes de lhes ensinar agora aquilo que têm de saber dentro de 10 anos.

Se mesmo assim fosse incitado a designar a principal evolução para o próximo decénio, qual seria?
O big data [em português megacentros de dados]. Porque se vai transformando na ferramenta central de ajuda à decisão numa quantidade de domínios.

O acesso a esses dados de massa e pessoais faculta um poder considerável a certas empresas privadas. Que contrapoder poderá a universidade opor-lhes?
Ensinar a ética aos seus estudantes. É o que estamos a fazer desde 2014, a partir do primeiro ano. Os nossos estudantes têm aulas sobre as questões éticas ligadas às suas especializações respectivas: engenharia, informática, medicina, economia, etc. Frequentam igualmente aulas de filosofia. O mundo torna-se cada vez mais complexo e rápido. Dar-lhes acesso a uma capacidade de pensar  para adoptar as melhores decisões, é fundamental antes de exercerem o poder que será o deles quando entrarem no mundo do trabalho, onde vão ser forçados a agir em tempo real. É portanto crucial facultar-lhes antes os bons reflexos.

A Universidade a opor-se a interesses privados ultrapoderosos. Não é uma simples utopia?
Podemos lutar. Explicar. Elaborar argumentação. Dizer o que está bem e o que não está. Não sei se vamos ganhar essa batalha. Mas temos o dever de combater até ao fim.

Entrevista conduzida por Laure Belot e Emmanuel Davidenkoff
Le Monde - Economie et Entreprise, 4/3/2016, página 5
Tradução e adaptação de António Rebelo

domingo, 6 de março de 2016

Fala o presidente da Universidade de Stanford. A primeira no ranking mundial

Este texto destina-se sobretudo (mas não só) a quem está ligado ao ensino, à investigação, à leitura, e tem a cabeça ainda a carburar em pleno. Julgo que ali para as bandas da Quinta do Contador, sita na Estrada da Serra, haverá todo o interesse em adoptá-lo com leitura de cabeceira. Para reler de tempos a tempos. E conseguir eventualmente perceber porque há tantos alunos no IPL e tão poucos no IPT, ano após ano.

"Alcunhado por Marc Andreessen, o fundador de Netscape, de "padrinho de Silicon Valley", John Hennessy, 63 anos, vai abandonar em Setembro a presidência da Universidade de Stanford, que exerce há 16 anos. Graças ao seu impulso, a universidade californiana conquistou o primeiro lugar mundial em todos os rankings internacionais existentes.
Actualmente a viajar pela Europa, para promover o fundo de 700 milhões de dólares (636 milhões de euros), que acaba de lançar em parceria com Philip Knight (Nike), para atrair para Stanford  "a nova geração de líderes mundiais", Hennessy explicou-nos como é que a universidade a que ainda preside esteve na origem  de Google, Snapchat, Instagram e Linkedin e tem tentado antecipar as necessidades de um mercado de trabalho tornado praticamente imprevisível pela fulgurância das inovações tecnológicas.

Preconizou a interdisciplinaridade em todas as formações universitárias. Em que é que isso corresponde às necessidades das empresas?
Um dirigente deve naturalmente ter a sua especialização Mas deve também e cada vez mais ser potencialmente capaz de interagir e de trabalhar com outras pessoas, de outras disciplinas. Repare no problema da mudança climática. Não há solução mágica. Climatologistas, economistas, políticos, especialistas em tecnologias alternativas, têm de trabalhar em conjunto.  Os desafios com que nos defrontamos, na economia, na política ou no ambiente, necessitam de capacidades de colaboração para serem resolvidos. E isso aprende-se.

É fácil pôr as disciplinas a dialogar? Em França não é nada evidente...
Sossegue. Nos Estados Unidos também não! Na indústria, as abordagens transversais são mais fáceis de iniciar, porque no final tem de surgir um produto, tem de se criar valor. No mundo académico, pelo contrário, as pessoas têm tendência para trabalhar em silo. Tínhamos contudo uma vantagem: a existência de um campus universitário reunindo num pequeno perímetro múltiplas disciplinas. Criámos a seguir incitações para que investigadores e estudantes trabalhem em conjunto. Concedemos por exemplo facilidades de financiamento para investigações transdisciplinares.

Mais inesperado ainda, em pleno coração de Silicon Valley: O senhor colocou a arte no centro do campus universitário. Que resultados antevia?
As grandes sociedades têm sempre grandes artistas: a cultura traz profundidade, o que se respira aliás em França por todo o lado. E depois queríamos igualmente permitir aos estudantes o acesso a algo que poderia transformar-se numa fonte de alegria e de bem estar para toda a vida.
Mas a arte tem igualmente uma virtude pedagógica: a sua frequentação e a sua prática estimulam a criatividade; confrontam-nos com ideias diferentes que saem dos formatos estabelecidos. Procurámos por isso dar aos estudantes aquilo a que eu chamo confiança criativa. Ensinar-lhes a emitir e a receber críticas sem ficar ofendido. Esta competência é de um valor inestimável.

Mesmo as empresas que se proclamam buscadoras de criatividade, revelam por vezes alguma dificuldade para aceitar essas "ideias diferentes que saem dos formatos estabelecidos".
O desafio para uma empresa consiste em manter  o relâmpago da inovação, designadamente nas grandes organizações. Google, por exemplo, dedica muita energia para conservar essa agilidade. Em Silicon Valley, as ideias pouco ou nada ortodoxas aparecem por todo o lado. Aliás, idealmente as universidades deveriam ser esse lugar onde as ideias aparecem permanentemente e deveriam reinventar-se de igual modo.

Com o aparecimento das formações de massa via Net (Moocs), Silicon Valley prometeu revolucionar as universidades. por hora as mudanças são poucas...
É uma ingenuidade pensar que um modelo único poderá responder a todas as necessidades. Alguns estudantes preferem realmente um vídeo em vez de um manual em papel, designadamente os mais jovens. Mas há outros que não. A grande novidade do Moocs consiste em permitir um ensino de massa, sejam quais forem os ritmos e as bagagens académicas de cada um.
Há uma vertente ainda pouco explorada nessa matéria. Refiro-me ao modo como estas abordagens podem articular-se e enriquecer o ensino, quanto mais não seja evitando que os estudantes tenham de regressar a casa alombando com 10 quilos de livros.
Outras inovações estão a ser testadas. É o caso das aulas invertidas -as flipped classroom- que consistem em assimilar as lições fora das aulas, realizando depois sessões para experiências, para aprofundar, para trabalhar em grupo. Parece algo muito eficaz, o mesmo acontecendo com o recurso ao big data para personalizar o ensino.

Essas abordagens tornam o ensino mais barato?
Permitem sim senhor. E sem renunciar à exigência de qualidade, o que é particularmente importante no contexto financeiro do ensino no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, por exemplo, o financiamento público diminui drasticamente desde há anos.

Considera a mudança suficientemente rápida?
As nossas instituições são terrivelmente lentas. Urge experimentar, tentar modelos pedagógicos novos, avaliá-los e ver se valem a pena ou não. É o que fazemos em Stanford.

(Continua amanhã)

Laure Belot e Emmanuel Davidenkoff, Le Monde - Economie et Entreprise, 04/03/2016, página 5
Tradução e adaptação de António Rebelo