sábado, 5 de março de 2016

Três novidades na paupérrima paisagem politica tomarense

Há três novidades significativas na paupérrima paisagem política tomarense, neste primeiro trimestre de 2016. O reaparecimento de Tomar a dianteira, o novo blogue Tomar opinião e o comentador com o pseudónimo José da Silva, no Tomar na rede.
Sobre o reaparecimento de Tomar a dianteira e os previsíveis engulhos que não deixará de causar, nada direi. Ninguém deve ser juiz em causa própria. Mormente quando se tem um juiz na família mais próxima.
No que se refere ao blogue Tomar opinião, já dei a conhecer a minha opinião em texto aqui publicado há dias. Factos posteriores confirmam aquilo que aí disse. Apenas 3 mensagens novas em 5 dias, num blogue colectivo, impelem os leitores a ir vasculhar alhures. E sem leitores, Tomar opinião será mais um cadáver na já lúgubre paisagem informativa tomarense.
Quanto ao IPS -Imprevisto Pseudónimo Silva, de Tomar na rede, constato que apareceu no radar da informação local de forma totalmente inesperada. Dele já tive o prazer de ler textos de alto quilate, uns obra de um médico-cirurgião escalpelizador especialista de problemas locais, outros dir-se-ia que burilados por uma dama da alta sociedade tomarense, se houvesse tal coisa. Infelizmente também, peças menos conseguidas, toscas mesmo. Acontece a todos. Até a mim. Tem dias.
Mas o grande óbice de IPS é a sua incapacidade de previsão. Donde Imprevisto. No sentido que dava ao vocábulo a senhora minha sogra: -"Você é muito previsto. E acerta quase sempre."
Pois com IPS acontece exactamente o oposto: raramente acerta uma. Escrevendo sobre a minha humilde pessoa, apodou-me de eventual senador, quando em Tomar é sabido que, se alguma vez elouquecesse (oxalá que não!) e resolvesse reingressar na política tomarista, seria como encenador. Nunca como senador. Primeiro erro de IPS.
A dado passo, praticamente indigitou o querido Ivo, Ivo Querido de seu nome, ex-eleito PSD e ex-cabeça de lista CDS-PP, como candidato à autarquia pelo PS, em 2017. Curiosamente pela mesma ocasião em que Tomar na rede noticiava que o mesmo Ivo fora sondado para ir em 2º lugar na lista de Anabela Mandada, perdão!, de Anabela Freitas, naturalmente pelo PS.
Contactos recentes permitiram concluir, com razoável fiabilidade, que no fim de contas o querido Ivo nem sequer tenciona vir a ser candidato. Apesar de ter tentado, até agora debalde, adquirir um ou mais dos 4 falidos órgãos de informação local. Que não aceitaram a oferta generosa a pronto pagamento, apesar de há muito vendidos às conveniências dos anunciantes. Particularmente ao mais importante de todos eles -o Município de Tomar.
Mais recentemente, IPS deixou-se arrastar pela balela difundida nas escolas de comunicação social, cujas linhas de fundo americanas lhes dizem que praticamente ninguém lê textos jornalísticos que excedam as 400 palavras. Vai daí o nosso comentador resolveu começar a parcelar as suas análises sábias. Sem querer, enveredou pelo modelo dos telenovelos, criando expectativa nos leitores.
Entretanto escreveu sobre Pedro Marques, criticando o seu passado longínquo, mas garantindo que ele é agora outro homem, mais maduro, mais sereno, mais discreto. Até o classificou como "fiel da balança". Esqueceu-se que estamos já na era das balanças digitais, que não têm fiel. Apenas números.
Pelo que, neste novo contexto, o antigo presidente Pedro Marques mais não é que um was been. Já foi!
Na peça publicada esta manhã, que conclui a de ontem, IPS previne o PSD Nabão. Escreve ele que, caso não arranjem e apresentem um candidato credível em 2017, perdem para Anabela Mandada. Uma vez que anteriormente vaticinou que a actual presidente não deverá ser candidata, apesar de já se ter proclamado tal, para evitar que lhe roubem o lugar, cabe perguntar-lhe: -Afinal em que ficamos?
Uma nota final, fora do fulcro da questão, mas bastante significativa. Sou forçado a reconhecer que Sérgio Martins tem razão com o seu paradigma de Tomar e os triângulos. Dantes tínhamos Abrantes - Tomar - Torres Novas, ou Tomar - Roma - Jerusalém. Agora temos também Alpiarça - Nazaré - Tomar, com forte ventania CDU. Aguardemos os capítulos das próximas cenas

sexta-feira, 4 de março de 2016

Quiçá inadvertidamente, Tomar na rede acertou em cheio


Repare o leitor atentamente na ilustração acima. O excelente blogue Tomar na rede, dirigido pelo jornalista José Gaio, titulou: Eleições no PSD de Tomar com lista de continuidade. Depois, se calhar antevendo eventuais dúvidas dos leitores nessa questão da continuidade, enfeitou a notícia com excertos do programa dos candidatos laranja.
E foi feliz, que em geral a sorte protege os audazes: ..."necessário continuar com o trabalho de auscultação e evasão da sociedade civil...", escrevem os PSDs, citados por Tomar na rede. Por outras palavras: Ouvir os eleitores, mas calçar logo os patins. Para se pôr a milhas e não ter de os aturar.
Já se sabia que os políticos nabantinos têm uma evidente tendência para se evadirem da realidade e dos problemas da população concelhia. É porém a primeira vez que dirigentes partidários em funções admitem praticar a evasão da sociedade civil. Foi uma gralha? Pois foi. Mas muito a propósito e muito significativa. Porque quase sempre a caneta foge para a verdade do momento.
Parabéns Zé Gaio! Ao titular "PSD de Tomar com lista de continuidade", acertaste em cheio. Se calhar sem querer. Mas o que conta é o resultado final.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Abrir ao público a alcáçova do Castelo Templário?

Em declarações recentes que tiveram algum eco na informação local, a senhora directora do Convento de Cristo disse estarem em curso diligências no sentido de abrir à visitação turística as ruínas da alcáçova do Castelo dos Templários, bem como as dos Paços do Infante D. Henrique, que ficam à ilharga. É uma excelente ideia. Temo no entanto que aquela dirigente pública esteja a pensar em algo bem diferente.
Isto porque, no seu estado actual (ver fotos), as ditas ruínas só não são visitáveis porque estão fechadas. E estão fechadas por falta de pessoal. Ultrapassado este óbice básico, bastará efectuar algumas reparações simples, designadamente no patim apodrecido de acesso ao adarve e nas ridículas portas de rede, que estão literalmente presas por arames.









Feito isso, será então possível ao público em geral admirar os magníficos panoramas da cidade e dos seus arredores, a partir do varandim, do adarve ou do último piso da Torre de Menagem, há largos meses no escuro durante a noite. 
É porém minha convicção que a senhora directora deve estar a pensar em restauro, recuperação, reconstituição e afins. Se assim é, a meu ver, mais vale abandonar a ideia desde já. Conforme bem mostram as fotos, o que agora existe dos velhos paços henriquinos e da alcáçova, infelizmente não tem conserto possível. Podem resolver ali fazer o que quiserem, inclusivé um parque infantil ou mesmo um circo. Só que não terá praticamente nada a ver com as anteriores edificações, com o chamado Convento velho, entretanto caído em ruínas bem antes do século passado. Sucessivamente Paços do Infante, de D. Manuel I, de D. João III e de D. Catarina já viúva, os restos que agora ali estão são a consequência directa da mudança para o Convento novo, obra de D. João III, ocorrida durante o domínio filipino.
Mas a senhora directora tem outros problemas em mãos. Oxalá queira e possa resolvê-los. Falo designadamente da vergonhosa entrada no monumento (ver fotos), por onde não cabem cadeiras de rodas, pessoas com canadianas ou muletas, carrinhos de bébé ou obesos. Quando afinal o monumental portal manuelino da igreja, por onde dantes se entrava, fica mesmo ali ao lado.





Refiro-me também à porta sempre fechada da Torre da Condessa, a impedir a ligação entre a Mata e o Convento, quando é sabido que  a Câmara gastou centenas de milhares de euros na implementação de uma via pedonal para esse efeito, sem qualquer uso desde há mais de 5 anos... Menciono outrossim aquelas partes do monumento ainda não acessíveis aos visitantes, como por exemplo a cisterna do Claustro da micha, a Sala dos cavaleiros ou as instalações da Santa Inquisição, incluindo a prisão subterrânea junto à Torre de Dª Catarina.
Finalmente, mas não menos importante: Para quando um horário de abertura ao público mais compatível com a realidade turística? Encerrado no primeiro dia do ano? No domingo de Páscoa? No Dia do trabalhador? No Natal? Fechado a partir das 6 e meia no Verão? Então quem percorre centenas de quilómetros nesses dias para vir visitar o monumento bate com o nariz na porta? A pergunta impõe-se: O monumento está ao serviço do público pagante de impostos, portagens e entradas, ou das conveniências dos digníssimos senhores funcionários públicos, teoricamente servidores do Estado?


Como se pode ver, a senhora directora tem muito com que se ocupar, se essa for realmente a sua intenção. Daqui lhe desejo desde já muita coragem e muito boa sorte.

anfrarebelo@gmail.com

quarta-feira, 2 de março de 2016

Sou forçado a gritar outra vez: -Quem acode ao Convento de Cristo?

A informação é desta manhã e de fonte totalmente segura. Terminadas as obras que estão a realizar-se na fachada norte do Convento de Cristo, aquela parte inferior que ainda não está pintada de branco, (Ver foto 1)



com cerca de 4 metros de altura, vai ser pintada de amarelo. É verdade! De amarelo! É mais um escândalo semelhante ao da destruição do alambor do castelo. E na mesma área. Lembram-se?
Esta estranha ideia de uns senhores funcionários superiores instalados no Palácio da Ajuda tem, dizem eles, uma justificação técnica: Trata-se de compatibilizar, na medida do possível, toda a fachada norte com o embasamento do torreão do gaveto.


Sucede que tal argumento é falso. Não tem qualquer base séria, por dois motivos. Primeiro, o embasamento do citado torreão de ângulo foi feito com blocos de calcáreo, devidamente aparelhados e bujardados. E não simplesmente com uma parede de reboco, posteriormente pintada de amarelo, como agora pretendem fazer.. Segundo, o dito embasamento termina do lado esquerdo do Portal Filipino. A partir daí, o nível exterior do terreno corresponde grosso modo ao nível interior. Tanto no Claustro da Hospedaria, como no da Micha ou nas Salas da Inquisição, ditas das Cortes. Não existe portanto, nem nunca existiu, qualquer embasamento. (Ver foto 2)
Assim sendo, caso insistam nessa estapafúrdia ideia de pintar um gigantesco rodapé a amarelo, o mencionado Portal filipino vai ficar "enterrado" até às orelhas num mar amarelo. E os tomarenses nunca mais voltarão a ver aquilo que sempre conheceram: A fachada norte do Convento toda branca e com a patine dos séculos.
Perante mais este atentado contra o nosso património, a Câmara e a AM vão ficar caladas, como no triste caso do alambor destruído? Os tomarenses vão continuar a assobiar para o lado? E a prestigiada informação local? Como vai proceder? 
O alerta aqui fica. Quem acode ao Convento de Cristo?

Adenda
Vendo a coisa com optimismo, que o mesmo é dizer fazendo das tripas coração, há apesar de tudo nesta asneira monumental  uma vertente menos má. Ao optar pelo amarelo para a parte inferior da fachada, os autores da ideia revelaram ser adeptos do Estoril, que equipa dessa cor.
Olha se calham a ser do Benfica ou do Sporting!

anfrarebelo@gmail.com

Lá haver áudio-guias no Convento há. O pior é o resto!

No decorrer da cerimónia de lançamento do excelente roteiro para visitar o Convento de Cristo, de Luiz Pedrosa Graça, referi a dado passo da minha intervenção de apresentação daquela obra, que o Convento de Cristo era um dos raros monumentos Património da Humanidade onde ainda não havia áudio-guias à disposição dos visitantes. Falando logo a seguir, a senhora directora daquele monumento gerido pelo IGESPAR, organismo sediado em Lisboa, corrigiu-me. Afirmou que eu estava enganado, pois havia sim senhor áudio-guias à disposição do público.
Aproveitei a manhã soalheira do feriado municipal para subir, uma vez mais e com prazer, a multi-secular Calçada de S. Tiago, e fui informar-me. De acordo com os dados que me foram facultados, há realmente áudio-guias. Portanto, a senhora directora do monumento tem razão. Porém, digo eu, na prática é como se não houvesse. Desde logo, porque na sala onde os turistas compram os bilhetes, não existe qualquer indicação sobre a disponibilidade desse recurso electrónico. Por conseguinte, os visitantes ignoram a existência de tal equipamento, pelo que não o podem solicitar.  Depois, porque afinal apenas existem 10 aparelhos. Dado que o seu uso é gratuito, ao que me foi dito, logo que venha a existir a indispensável indicação, vai ser preciso que os numerosos visitantes tenham muita sorte para conseguirem um áudio-guia disponível.
Acresce que os citados dispositivos apenas fornecem informação em português, espanhol e inglês. Coitados dos visitantes franceses e outros francófonos! Que são assim ignorados, quando afinal até são, de acordo com os dados estatísticos que consegui recolher, os principais visitantes do monumento.
Não há, que eu saiba, elementos estatísticos sobre a nacionalidade dos visitantes do Convento de Cristo. Todavia, é possível contornar tal lacuna recorrendo aos dados publicados pelo Turismo de Portugal e referentes a 2013, último ano disponível.  De acordo com esses elementos, em 2013 os turistas franceses foram os que mais dinheiro gastaram em Portugal. Deixaram cá 1.668 milhões de euros. Seguiram-se os ingleses, os espanhóis e os alemães.
Igualmente em 2013, os espanhóis foram os que mais usaram os hotéis na região centro, com um total de 205.518 dormidas, seguidos dos franceses com  97.177 e dos ingleses com apenas 24.464 pernoitas.
Sendo assim, a senhora directora do Convento de Cristo desculpará que pergunte: -Porque raio há áudio-guias em inglês e em espanhol, mas não há em francês? Será uma serôdia e pacóvia retaliação por em 1810 os soldados gauleses de Napoleão terem infelizmente queimado alguns quadros da Charola e o imponente cadeiral do Coro manuelino?
Concluindo, é meu entendimento que estamos como diria o outro: Lá haver áudio-guias no Convento há. O pior é o resto!

anfrarebelo@gmail.com

terça-feira, 1 de março de 2016

A minha opinião sobre Tomar opinião

Conforme anunciado, apareceu hoje na Net, para os profanos, a primeira edição do blogue colectivo Tomar opinião. Ao que me contaram, já existia antes uma pré-edição, só para iniciados detentores da senha de acesso . Instigado por amigos e pela curiosidade fui ver/ler. Lamento dizer que não fiquei entusiasmado. Nem lá perto. Mas pode ser que esteja enganado, ou que  venham a melhorar. Oxalá!
Para já, parece-me terem vindo confirmar que um blogue deve ser sempre como a escrita que o compõe -um exercício solitário e quase nunca sereno, apesar das aparências. Os autores pensam de modo diferente. Ainda bem. O pluralismo é salutar. Resolveram agir em grupo. Oxalá venham a ter sorte. O tempo o dirá.
António Cartaxo da Fonseca, o verdadeiro pai da biblioteca municipal de Tomar, conhecia muito bem e adorava  a sua terra natal, apesar de ter passado a maior parte da sua vida na capital. Já aposentado e muito antes dos blogues, tive o privilégio de com ele conviver. Durante as nossas conversas, caminhando de cá para lá na Praça da República, ao fim da tarde,  o seu comportamento foi sempre idêntico. Mal se aproximava um terceiro comparsa, mesmo se amigo dele, exclamava: -Peço licença para bater em retirada. Mais de dois tomarenses à conversa, nunca deu nada de bom. E no novo Tomar opinião, os intervenientes por escrito ultrapassam já a meia dúzia...
Nesta primeira edição, topei inesperadamente com algumas prosas intragáveis. E tropecei em noções que julgava definitivamente postas parte pela muito reduzida inteligência local, que alguns dos autores integram. Penso designadamente em "bota-abaixo", "crítica construtiva" ou "expressão livre e responsável, diversificada e ampla". Seja lá isso o que for.
E já me ia a esquecer, quando afinal devia ter começado por aí. Dizia o senhor de Lapalisse que se deve começar sempre pelo princípio, prosseguir pelo meio e acabar no fim. Pois indo ao começo, agora que estou quase no fim, devo dizer que o título do blogue não me parece dos mais felizes. Porque se pode tomar muita coisa, mas uma opinião nunca tomei. Por conseguinte, Tomar opinião deverá querer dizer apenas que é a opinião de Tomar. Mas Tomar alguma vez teve alguma opinião de jeito? E em que se basearam os padrinhos do título para se considerarem a opinião de Tomar? Os blogues e outros meios de informação nabantinos pré-existentes não contam? Abaixo as ideias totalitárias!
As estatísticas implacáveis da Google acabarão por informar os autores de Tomar opinião se vale ou não a pena continuar. A menos que gostem de escrever exclusivamente para memória futura. Há gente para tudo.
Boa sorte para o blogue. Boa sorte para todos.

anfrarebelo@gmail.com

O antes e o depois

É uma das principais maleitas locais, a manifesta incapacidade para prever, que demonstram tanto os projectistas como os decisores, políticos ou não. Noutros termos: Tanto os projectistas como os decisores desta desgraçada terra não conseguem ver antes aquilo que depois da obra feita entra pelos olhos dentro. Os exemplos abundam:
1 - Quem escolheu aquela estátua do Gualdim Pais não conseguiu prever que, uma vez no seu pedestal e visto do lado sul, o fundador de Tomar parece estar de pau feito. Pronto para tomar a dianteira, ou mesmo o lado oposto.
2 - Quem projectou as recentes obras da Estrada do Convento, acrescentando o  passeio sem incluir o alargamento da via, não conseguiu prever que, uma vez a obra concluída, deixou de ser possível o cruzamento de dois veículos pesados. O que obrigou a proibir o trânsito de pesados num dos sentidos.
3 - Quem tomou a decisão de proibir o trânsito de pesados na Estrada do Convento, no sentido descendente, não conseguiu prever que ia ser prejudicial para os comerciantes da cidade, pois muitos autocarros com turistas deixaram de vir cá abaixo.
4 - Quem tomou a decisão de mandar projectar e fazer obras nos Moinhos da Ordem, com a finalidade de ali instalar três museus três!, não conseguiu prever que a autarquia nunca teve nem tem recursos humanos nem monetários para semelhante empreendimento. E lá se foram mais 6 milhões de euros em vão...
5 - Quem tomou a decisão de fazer obras no estádio, apesar de engenheiro da especialidade, não conseguiu prever que afinal as verbas disponíveis nem sequer chegavam para fazer os balneários, entre outras coisas.
Poderia continuar, mas para quê? Doenças assim, tarde ou nunca têm cura. Resolvi mencionar tudo isto apenas como intróito para outro escrito sobre a Festa templária.  Outro? pensará o leitor. Pois. Outro. Mas pode sossegar que não vou de novo "bater na ceguinha". Querem a festa em Julho, por causa da "âncora", do Mansor e da previsível grande afluência de público? Pois que seja. Por mim, já disse o que tinha a dizer.



Ficou-me porém uma questão a roer aqui no estômago. Que é esta: Os geniais organizadores já previram tudo o que pode vir a acontecer nesta pobre urbe, lá para meados de Julho? Já pensaram na meteorologia? Já consideraram a hipótese -muito provável- de termos então temperaturas acima dos 35 graus centígrados e noites de ananases? Já encararam o problema dos participantes, com capacetes, escudos, cinturões, cotas de malha de ferro, capas, hábitos, botas altas, archotes a arder e assim? Será que vão aguentar, nas simulações de combates e no desfile? Como tencionam os geniais organizadores ultrapassar estas e outras questões? Vão distribuir toalhas turcas fabricadas na China? Lenços de papel? Garrafas de água? Leques sevilhanos vindos também da China? Ventiladores portáteis?
É pouco provável que cá esteja por essa altura. Se todavia estiver, faço como o cão da foto abaixo. Sei de antemão que, a haver desastre, os geniais organizadores não deixarão de declarar convictamente que ninguém podia prever semelhante coisa. Não há pior cego que aquele que não quer ver. Até porque, acrescentarão decerto, o Mansor também veio cercar o castelo em Julho. Pois foi. Mas vinha de uma terra aonde o clima é bem mais quente que em Tomar. E, tanto quanto sei, os árabes nunca usaram, por exemplo, cotas de malha de ferro, nem archotes em Julho...