segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Realmente, umas ovelhinhas e cabras na Corredoura davam mesmo muito jeito...

Um leitor e amigo enviou-me um mail, devidamente identificado, que a seguir transcrevo com todo o gosto. É um texto bem informado, bem escrito e bem disposto, coisa cada vez mais rara por estas paragens esquecidas. Ora façam o favor de ler:

"Bom dia caro Dr. Rebelo,
"Vosselência" porque mais velho que eu, lembrar-se-à que há uns anos atrás existiam nas entradas da cidade duas placas de boas-vindas. Uma era da Câmara Municipal (Tomar cidade jardim), outra do Banco Português do Atlântico (em tons de verde). Desapareceram todas, vá-se lá saber porquê. Foi-se o banco, foram-se as placas, foram-se os jardins e não tarda vai-se a câmara. Nem sei do que estão à espera para arrancar à fórmula um.
Vem isto a propósito dos jardins locais e do miserável estado em que se encontram. Parafraseando o sempre muito eloquente Prof. Marreiros, onde antes havia relva muito bem tratada, agora temos um "ervado/florado/trevado" !
Dizem por aí, ou mandam dizer, ou consta ou mandam fazer constar, que o estado a que chegaram os jardins tem a ver com a falta de pessoal e com as limitações impostas à sua contratação. Tem lógica. Se contratam pessoal a mais para os gabinetes, depois não o podem legalmente contratar para o terreno. Tanto mais que os candidatos também rareiam, que isto de trabalhar...
Sendo assim, não poderia Vexa sugerir à Câmara Municipal o melhor de dois mundos, a saber: Pediam aos nossos agricultores, que são cada vez menos por não aguentarem tanto peso fiscal, que trouxessem em cada dia de mercado semanal umas ovelhas e umas cabras, (além do´gado que já por aí há), para começar a dar cabo das ervas que grassam por todo o lado, começando de preferência pela Corredoura, designadamente debaixo dos bancos.
Assim, os cada vez mais pobres e sacrificados agricultores, beneficiavam porque não gastavam dinheiro em forragem para os ditos. A câmara beneficiava igualmente, não só em poupança com pessoal de limpeza, mas igualmente e sobretudo em prestígio turístico, porque ovelhas e cabras a pastar na rua principal de uma cidade, antiga capital templária e com um monumento Património da Humanidade, é coisa rara e nunca vista alhures. Os turistas não dariam descanso aos respectivos apetrechos de fotografia e vídeo.
A cidade que outrora brilhava, está hoje cinzenta, triste e com as ruas cheias de ervas. Então o pelouro dos parques e jardins não é da CDU, vulgo "comunas", que tudo fazem e bem feito? O daqui tresmalhou-se do rebanho?
Faça lá o obséquio de lhes dar uma toutiçada, que isto já passou dos limites.
Um grande abraço e boas toutiçadas,"

C.C."

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Continuem assim e depois queixem-se!

Bastas vezes aqui tenho alertado para a evidente e acelerada decadência da cidade e do concelho. Os estabelecimentos e as empresas que fecham, a população que diminui a olhos vistos, a emigração que aumenta, os profissionais de turismo, sobretudo os operacionais, que são os motoristas e os guias, que boicotam Tomar sempre que possível... 
Tudo em vão, até agora. Quem lê e tem poder de decisão vai dizendo  que são apenas balelas, que não basta afirmar, escrever. Tem de haver provas. Como se estivéssemos num tribunal a julgar o autor destas linhas e todos os que ele -de boa fé e por uma boa causa- contesta e maltrata civilizadamente.
Os excelentíssimos eleitos que temos querem provas? Pois aqui vai uma, indesmentível:



Um dos principais operadores portugueses de turismo, PME de excelência, acaba de lançar um novo produto turístico. Um circuito em autocarro, denominado O nosso Portugal, que em 9 dias dá a volta ao país (ver ilustração), por 790€/pessoa. 
Surpresa das surpresas e certamente surpresa bem triste para quem ande mais arredado destas coisas, o dito circuito faculta a visita a localidades cuja vocação turística não é nada evidente, por óbvia falta de recursos, mas não passa por Tomar. 
A cidade gualdina, capital templária, com um monumento Património da humanidade, que é também o principal, o mais rico historicamente e o mais variado em arquitectura, de todos os monumentos do país, ficou de fora. Foi boicotada. Porque não faz parte do Nosso Portugal? Devido à má vontade daquele prestigiado operador nortenho de turismo? Claro que não!
Sucede apenas que, fartos de aturar as sequelas da incompetência dos políticos nabantinos e constatando que em Tomar se continua a perder sempre bastante tempo em vão, por falta de sinalização adequada, de estacionamento devidamente equipado, de ligação eficaz e rápida entre a urbe e o Convento e de horários adequados neste monumento, resolvem simplesmente evitar uma visita que é muitas vezes uma verdadeira encrenca. E o resultado aí está. Continuem assim, senhores autarcas e senhores políticos locais. E depois queixem-se que este mundo é injusto e cruel. 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Vem mesmo a propósito

Em relação à mensagem anterior, que pretende alertar para a crescente pobreza envergonhada e mendicidade encapotada, ambas provocadas bastas vezes pela mentalidade de pedinte e a atitude de mão estendida à caridade alheia, vem mesmo a propósito esta crónica da revista do Expresso de hoje, que copiei e publico com a devida vénia à autora e ao semanário:



Pobreza de espírito

Segundo Tomar na Rede, sob o título Há mais pobreza em Tomar, a presidente da Cáritas local, Célia Bonet, "refere que há situações de pobreza que já vão na terceira geração. São casos crónicos de famílias em que a Cáritas já apoiou os avós, os pais e agora apoiam os filhos." E por este caminho, acrescento eu, vão ter de apoiar os netos, os bisnetos e por aí adiante. Porquanto, no meu tosco entender, o que estas declarações revelam é um outro tipo de pobreza muito frequente por estas bandas. Gente com mentalidade de pedinte. Que vive permanentemente de mão estendida. Convencidos de que Deus tem lá muito para dar, só é preciso saber pedir. E como a Cáritas é uma organização católica de solidariedade social... Educação deficiente, quando a tiveram. Pobreza de espírito, em suma.
Estou a ser cruel, pensará o leitor. Quiçá assim seja. Mas julgo saber do que falo. A verdade é por vezes  muito incómoda, sem deixar contudo de ser a verdade.
Nasci pobre, muito pobre. Filho de mãe lavadeira, sem emprego fixo. Inteligente, mas analfabeta porque nunca frequentou uma escola. A partir dos nove anos fiquei sem paí. A minha mãe procurou criar-me "sem a vergonha do Mundo", nas suas palavras. Sem se prostituir, queria ela dizer. Foi ajudada episodicamente pela Cáritas da época. "As senhoras da igreja", na sua linguagem popular. Davam-lhe roupa usada, calçado e de quando em quando alguns géneros alimentares.
Mesmo assim, tive frio muitas vezes e passei fome com frequência. Comecei a trabalhar aos 11 anos, como moço de recados no Turismo, após ter sido forçado pelas circunstâncias a abandonar a escola Jácome Ratton. Mais tarde fui guarda-guia no Convento de Cristo.
Após a tropa emigrei, já bem consciente de que esta terra que amo, a minha querida Tomar natal, é madrinha para os forasteiros, mas madrasta para os seus filhos. Lá para as bandas de Paris ensinaram-me finalmente a ser livre, a respeitar sempre os outros e a nunca esquecer que Deus tem lá muito para dar, mas é imperativo trabalhar, estudar, batalhar, raciocinar, fazer planos para o futuro, ir em frente, que o caminho faz-se andando, a vida é movimento e o dinheiro não cai do céu aos trambolhões no fim de cada mês.
Singrei na vida. Fiz o meu percurso com êxito. Não precisei mais da ajuda de nenhuma organização caritativa. E agora o meu filho, magistrado, que nunca sofreu frio ou fome e estudou até onde quis também não. Portanto, no caso da minha família, ajudou a mãe, mas não o filho nem o neto. Posso por isso dizer, sabendo do que falo, que a Cáritas, a Misericórdia, a Cruz Vermelha e tantas outras organizações de solidariedade social, que respeito e admiro, são indispensáveis, mas têm falhado num ponto fulcral, que é afinal a causa de tudo na maior parte dos casos.
De acordo com um velho ditado chinês "Se deres um peixe a um homem, ele alimenta-se uma vez. Se lhe ensinares a pescar, ele vai alimentar-se toda a vida." Neste caso da pobreza de espírito nabantina, parece-me que as organizações de solidariedade social -a Cáritas e as outras- continuam a dar peixe, e felizmente que o fazem,  mas não ensinam ninguém a pescar. E sem isso, nunca mais vamos sair da cepa torta. Infelizmente.
Termino com um pensamento de Bertold Brecht, que dedico a todos aqueles que me acusam de ser demasiado agreste, ressentido: "Todos dizem que o rio é violento, porém ninguém fala das margens que o oprimem."

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Pensem lá um bocadinho por favor


A notícia é do Mirante. Aprovada por unanimidade uma proposta do PSD, para colocação de semáforos temporizados no cruzamento do Flecheiro. Para dar mais segurança aos peões e aos automobilistas, disseram os senhores autarcas. Com franqueza! Estão a tentar enganar quem?
Que se saiba, os atropelamentos de peões nunca ocorreram nas passadeiras com semáforos, temporizados ou não. Por conseguinte, esse argumento não colhe. É oco. Até porque o grande problema do cruzamento de Flecheiro não são os peões e respectiva segurança. São justamente os semáforos, que às horas de ponta provocam longas filas. Porque falta ali uma rotunda, que resolveria tudo. Simplesmente o presidente Paiva, vá-se lá saber por quê, preferiu uma obra atamancada. O cúmulo, para um engenheiro civil.


Reparem por favor na foto supra, com olhos de ver e cabeça para pensar? Não cabe ali uma rotunda, como esta da Ponte Nova?:


Pois expropriem, por utilidade pública, parte daqueles terrenos ainda sem construções. Ficará muito em conta. Não convém, porque são de gente amiga?
Nesse caso, se não cabe, façam uma como a dos bombeiros:


Também não dá?
Então arrisquem mais uma como aquela mini-vergonha da Várzea pequena, alvo de piadas dos condutores:


Basta olhar com atenção para a fotografia para perceber porquê.
E depois eu é que sou má língua e digo mal de tudo...

anfrarebelo@gmail.com

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Tomar consciência

Inopinadamente, a querela tomarense a propósito da péssima mudança de data da Festa Templária, arrastou-me até uma aparente repetição: tomar Tomar. Isto porque, em vez de se abrirem às críticas, os da Templanima afunilam, alambicam. À boa maneira tomarense. De tal forma que já íamos na terceira nona dos idos de Julho de 1190, sem todavia concordar com a data exacta em que o emir Mansor tentou, sem sucesso, tomar Tomar. Isso mesmo: tomar Tomar = conquistar Tomar.
Vai daí, discorri que Tomar a dianteira foi o primeiro blogue a usar o nome da cidade, mas depois vários outros se seguiram, felizmente. E a lista promete alargar-se...
Vejamos. Como pai da criança, escolhi Tomar a dianteira por três razões centrais, a saber: 1- Porque sempre gostei de liderar, de estar mais à frente, de tomar a dianteira; 2 - Porque, para agora estar aqui, teclando estas linhas, foi necessário que, há sete décadas, o meu progenitor resolvesse, ele também, tomar a dianteira, penetrar, gozar e ejacular. Dos milhões de espermatozoides que expeliu então, um conseguiu tomar a dianteira e fecundou um óvulo da minha mãe.  Aqui está o resultado, setenta e tantos anos mais tarde; 3 - Também sempre gostei muito (e continuo a gostar, na medida das minhas reduzidas capacidades), de tomar a dianteira.  Em qualquer posição. Sobretudo na dita do missionário.
Exposta a génese deste blogue, oxalá os mentores de Tomar na rede, Tomar à letra, Tomar opinião e por aí fora ousem fazer outro tanto. É tão divertido brincar com o campo semântico de cada palavra.
Por esta altura, os leitores mais apressados já estarão a pensar -Então e o tomar Tomar? Querem ver que o gajo está a ficar xéxé e se perdeu no raciocínio... Calma amigos! Por enquanto ainda vai tudo bem. Excepto a política local. Vamos lá então.
Após madura reflexão, dou o braço a torcer. E a mão à palmatória: Roberta Ferreira tem toda a razão, ao propor uma parada anual de gays e outros desviantes, que assim teriam ocasião de, por um dia, tomar Tomar.
Sim, porque se já temos Tomar a dianteira, Tomar na rede, Tomar à letra, Tomar nota, bem como o anunciado e mega Tomar opinião, porque não tomar o traseiro (para quem goste) ou tomar no traseiro (igualmente para quem aprecie)?
Chocado, caro leitor? Não é caso para tanto. Se pensar um bocadinho, chegará a uma conclusão que só abona a favor da proposta da Roberta Ferreiro, (nome suposto que invertido (salvo seja!) dá Roberto Ferreira = Palhaço Ferreira). A conclusão é esta: Somos a única cidade do país em que quem sai deixa Tomar atrás. Quer queira quer não. Como está a acontecer aos nabantinos, em matéria de política local. Se lutassem, talvez fosse possivel um dia viver em Tomar a dianteira. Assim, sem interesse, sem protesto, sem luta, nesta apagada e vil tristeza, deixam Tomar atrás. À cautela já fui comprar vaselina. Para aleijar menos...

anfrarebelo@gmail.com

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Celebrar o político artista é que era

No sempre interessante Tomar na rede, Roberta Ferreiro lançou uma ideia choque, para sairmos das ideias gastas. Propõe transformar Tomar num cidade amiga dos maricas e equiparados. Com cortejo LGBT a sair da Mata e monumental banho de espuma na Praça. É uma ideia no meu entender bem arriscada. Direi mais: Ainda bem que Roberta Ferreiro é nome suposto. Se não fora, creio bem que a sua integridade física não estaria assegurada.
O pessoal masculino cá do burgo (e até algum feminino...) considera-se cojonudo. Acham que os têm bem pesados e bem no sítio. Acham... Cá por mim, como gosto de caminhar por aí e não tenho seguro de vida, desejo um belo futuro à ideia da Roberta, mas proponho algo mais consensual.
No meu entender, a cidade daria um passo de gigante na boa direcção se passasse a organizar anualmente o Festival nacional dos políticos artistas. Coisa para dois/três dias, obviamente com comezainas, visitas ao Convento e muita conversa. Discursos, comunicações, comentários e conclusões. Com a devida cobertura das rádios e jornais locais, também com alguns artistas.
O discurso de inauguração seria naturalmente, para respeitar o protocolo, o da nossa simpática presidente, subordinado ao tema "Intrujar os eleitores, devolvendo IRS com uma dívida de 30 milhões às costas, e continuando a sorrir". Seguir-se-ia o malabarista Costa, com uma peça de oratória baralhadora: "Cobrar menos, gastar mais e reduzir o défice. O milagre da multiplicação dos euros".
Honrando o passado recente, o nosso ex-primeiro ministro laranja avançaria então com uma peça brilhante, da qual só o título já dá vontade de chorar: "Como perder ganhando" Portas seria o orador seguinte, para debitar o tema "Submarinos de águas turvas e demissões definitivas".
Após um almoço pantagruélico e para continuar no passado recente, a glória local paivina leria um papel intitulado "Como transformar um estádio num mero campo de treinos, sem desencadear a fúria dos cidadãos". Subiria então ao palco o actual líder da oposição laranja. Titulo da sua intervenção: "Crítica macia, suave e educada, para não ofender nem levantar ondas".
O discreto Rui Serrano, no seu estilo peculiar, dissertaria de seguida sobre "Como perder pelouros e continuar a sorrir", logo seguido por Pedro Marques, que oraria sobre "Como durar em política sem ideias e com pouco esforço". A fechar teríamos Hugo Cristóvão com um pedagógico "Como subir na política sem nunca se colocar em bicos de pés".
Da Assembleia Municipal viria então o bem conhecido e detestado Luís dorme com ela (Com a política, seus mal intencionados. Estavam a pensar o quê? A vida privada de cada um não diz respeito a ninguém.) Luis dorme com ela ensinar-nos-ia "Como presidir a uma câmara sem sequer ter sido candidato".
Procurando equilibrar as coisas, uma vez fortemente aplaudido o amigo Luís, o vereador da CDU, seu amigo, subiria à cena para ler uma peça subordinada ao título "Como restaurar em dois anos um mercado que levou ano e meio a construir, e ainda conseguir envenenar um executivo". Tudo naturalmente sindicado de véspera pelo PCP, que nunca brinca em serviço. Nem fora dele, de resto.
A encerrar os trabalhos, Ivo Santos viria dissertar sobre "Equilibrismo político pluripartidário" e o presidente da Assembleia Municipal limitar-se-ia a agradecer a presença e a participação de todos, já bem comido e bem bebido. O costume.
Era ou não era uma bela jogada política? De artistas para artistas!