quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Celebrar o político artista é que era

No sempre interessante Tomar na rede, Roberta Ferreiro lançou uma ideia choque, para sairmos das ideias gastas. Propõe transformar Tomar num cidade amiga dos maricas e equiparados. Com cortejo LGBT a sair da Mata e monumental banho de espuma na Praça. É uma ideia no meu entender bem arriscada. Direi mais: Ainda bem que Roberta Ferreiro é nome suposto. Se não fora, creio bem que a sua integridade física não estaria assegurada.
O pessoal masculino cá do burgo (e até algum feminino...) considera-se cojonudo. Acham que os têm bem pesados e bem no sítio. Acham... Cá por mim, como gosto de caminhar por aí e não tenho seguro de vida, desejo um belo futuro à ideia da Roberta, mas proponho algo mais consensual.
No meu entender, a cidade daria um passo de gigante na boa direcção se passasse a organizar anualmente o Festival nacional dos políticos artistas. Coisa para dois/três dias, obviamente com comezainas, visitas ao Convento e muita conversa. Discursos, comunicações, comentários e conclusões. Com a devida cobertura das rádios e jornais locais, também com alguns artistas.
O discurso de inauguração seria naturalmente, para respeitar o protocolo, o da nossa simpática presidente, subordinado ao tema "Intrujar os eleitores, devolvendo IRS com uma dívida de 30 milhões às costas, e continuando a sorrir". Seguir-se-ia o malabarista Costa, com uma peça de oratória baralhadora: "Cobrar menos, gastar mais e reduzir o défice. O milagre da multiplicação dos euros".
Honrando o passado recente, o nosso ex-primeiro ministro laranja avançaria então com uma peça brilhante, da qual só o título já dá vontade de chorar: "Como perder ganhando" Portas seria o orador seguinte, para debitar o tema "Submarinos de águas turvas e demissões definitivas".
Após um almoço pantagruélico e para continuar no passado recente, a glória local paivina leria um papel intitulado "Como transformar um estádio num mero campo de treinos, sem desencadear a fúria dos cidadãos". Subiria então ao palco o actual líder da oposição laranja. Titulo da sua intervenção: "Crítica macia, suave e educada, para não ofender nem levantar ondas".
O discreto Rui Serrano, no seu estilo peculiar, dissertaria de seguida sobre "Como perder pelouros e continuar a sorrir", logo seguido por Pedro Marques, que oraria sobre "Como durar em política sem ideias e com pouco esforço". A fechar teríamos Hugo Cristóvão com um pedagógico "Como subir na política sem nunca se colocar em bicos de pés".
Da Assembleia Municipal viria então o bem conhecido e detestado Luís dorme com ela (Com a política, seus mal intencionados. Estavam a pensar o quê? A vida privada de cada um não diz respeito a ninguém.) Luis dorme com ela ensinar-nos-ia "Como presidir a uma câmara sem sequer ter sido candidato".
Procurando equilibrar as coisas, uma vez fortemente aplaudido o amigo Luís, o vereador da CDU, seu amigo, subiria à cena para ler uma peça subordinada ao título "Como restaurar em dois anos um mercado que levou ano e meio a construir, e ainda conseguir envenenar um executivo". Tudo naturalmente sindicado de véspera pelo PCP, que nunca brinca em serviço. Nem fora dele, de resto.
A encerrar os trabalhos, Ivo Santos viria dissertar sobre "Equilibrismo político pluripartidário" e o presidente da Assembleia Municipal limitar-se-ia a agradecer a presença e a participação de todos, já bem comido e bem bebido. O costume.
Era ou não era uma bela jogada política? De artistas para artistas!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Errar é humano, teimar é burrice

Já aqui foi dito, por outras palavras, que todos os eventos que atraiam turistas fora da época alta são de apoiar. Pelo contrário, organizar eventos que geram custos orçamentais em plena época alta, é um erro crasso. Porque o acolhimento turístico nabantino é muito limitado. Donde resulta que, para além de determinada afluência, perdem todos. Os turistas porque são mal recebidos e mal servidos, a actividade turística local (hotéis, restaurantes, cafés...) porque não pode aproveitar. As coisas são o que são.
Isto a propósito da Festa Templária. Realizada em Maio é uma iniciativa a acarinhar, a melhorar, a difundir. Levada a efeito em Julho, representa duplo prejuízo. Deixa de contribuir para incentivar o turismo na época baixa e vem atravancar um período com muito turismo, por vezes até demasiado. Além de, a cada 4 anos, se encavalitar na Festa dos Tabuleiros, que como se sabe já esgota tudo num raio de 50 quilómetros. Assim sendo, qual a utilidade real da Festa Templária para o turismo local?
Em vez de agirem como cidadãos de um país aberto e democrático, onde tudo se pode e deve debater, dando o peito às balas, os visados pela minha crónica anterior resolveram actuar pela calada. Responderam lateralmente e sem dizerem a quem procuram canhestramente atacar.. Os leitores mais interessado nestas coisas, que queiram ler a dita prosa, devem ir a vamosporaqui.blogspot.com e clicar algures do lado direito em templanima.
De acordo com os génios autores da transferência da Festa templária de Maio para Julho, faltava ao evento qualquer coisa. Uma âncora, como usa dizer-se em mercadologia, "ciência" mais conhecida por marketing. E vai daí, descobriram o cerco do castelo pelas tropas do emir de Marrocos Iacub Al Mansor, em Julho de 1190.
Azar dos azares, nem aqui acertaram. Marcaram a dita festa para o segundo fim de semana de Julho, mas o emir só terá cercado o castelo a partir de 16, na melhor das hipóteses. Isto porque uma tropa de 900 pessoas + 400 cavalos + carroças + bestas de carga, não é propriamente um grupo de 50 turistas, que chega e começa logo a visita. Precisam de tempo para se instalarem, para dar de comer aos animais, para reconhecer o terreno. E só depois... Dado que o emir chegou a 13 de Julho...
Ainda segundo os referidos génios, trata-se de aproveitar como âncora não só o citado cerco, mas também uma lendária luta que dizem ter tido lugar junto à Porta da Almedina ou do Sangue. É altamente duvidoso que tenha havido, ali ou alhures, alguma luta com os árabes sitiantes. Que nem sequer terão tentado invadir a fortaleza templária mediante o habitual e prévio trabalho de sapa, devido ao alambor.


Em todo o caso, a lápide que refere o cerco reza apenas que "o mesmo rei tornou para a sua pátria com inumerável detrimento dos homens e das bestas." Portanto com grandes perdas em homens e em animais. Mas não menciona qualquer luta. O que permite supor não ter havido qualquer luta, mas apenas homens e animais vítimas de doenças provocadas pelos mosquitos e as águas salobras dos pântanos do rio Nabão. Porque, que eu saiba, as bestas de quatro patas não combatem. Pelo que, se houve perdas de bestas...
Em conclusão, errar é humano, mas teimar é burrice. Se a ideia é apenas e só aproveitar o tal cerco como âncora, então façam a festa em Julho mas na segunda quinzena. Para serem mais fiéis à história e para não prejudicarem a Festa Grande dos tomarenses.
Quanto ao tal combate lendário junto à Porta do sangue, pode ser celebrada, mesmo que nunca tenha tido lugar, que é o mais provável. Como disse o realizador John Ford, "Quando a lenda se sobrepõe à realidade, filme-se a lenda". 

anfrarebelo@gmail.com

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O castelo data de 1160? Ou de 1130?

Pode parecer um dúvida de pacóvio, mas não é. Conforme se sabe,  quando há dúvidas em História, deve seguir-se o mesmo caminho que quando se tem sede -procurar as fontes. Foi o que fiz esta manhã, acicatado por aquela mudança da Festa Templário de Maio para Julho, que considero uma asneira. Será assunto para outro texto.
No que concerne à história e mais precisamente à história do castelo templário, que é também a história de Tomar, a única fonte coeva (que é como quem diz da época) e por isso incontroversa, é aquela lápide que está do lado direito da escadaria de acesso à Charola:

A lápide original, em latim

                                                     A actualização em português arcaico

A lápide que está à direita é apenas a actualização para português arcaico da original, que está à esquerda e em latim.
Vários historiadores locais e outros estudiosos da questão já foram confrontados com uma incongruência. A data indicada na dita actualização para o início da fundação do castelo é 1168. À boa maneira portuguesa, arranjou-se logo uma explicação algo bizarra. Escreveram ou disseram que deve ler-se 1160 porque 1198 menos os 38 anos da era de César para a de Cristo,.. mas o canteiro se calhar era analfabeto, entendeu mal e gravou mal.
Acabo de dar-me conta que tal justificação não passa afinal de balela nabantina. Mais uma. Em boa verdade, na lápide original, a que está em latim e com "algarismos romanos" a data é mesmo 1168. (O leitor fará o favor de clicar sobre a primeira foto, para ampliar. Já está? Então agora repare nas primeiras letras: E:M:C:L:X:V:III = Era de Mil cento sessenta e oito). O canteiro que cinzelou a inscrição da direita não cometeu portanto qualquer erro. E mais ainda. Uma vez que na mesma lápide original figura a data de 1228 para o cerco do Al Mansor, que se sabe ter ocorrido em 1190, por causa dos tais 38 anos a menos, devido à alteração de era, temos portanto que o início da edificação do castelo foi em 1 de Março de 1130, pois seria uma incongruência usar na mesma lápide duas eras diferentes, uma para o início da construção do castelo, outra para o cerco pelas tropas do Al Mansor. Ou estarei a ver mal?
Aqui fica a dúvida, ao cuidado dos historiadores encartados e outros especialistas locais, que não são nada poucos, mas em geral só aparecem quando já não são precisos...

Adenda:

O leitor Simon enviou um esclarecimento, dizendo que o X de 10 tem a perna que se vê à direita torcida e por isso vale 40. Por conseguinte, 1198. Andamos sempre a aprender. Nunca tinha ouvido ou lido tal coisa. É o que eu digo: aqui em Tomar e no país em geral arranjamos solução para tudo. Menos para o défice, que continua a crescer. Infelizmente.

anfrarebelo@gmail.com

domingo, 21 de fevereiro de 2016

PS Nabantino contra a corrente?

Mesmo com os seus defeitos, entre os quais avultam o rancor, o mau feitio e a carência de capacidade de encaixe, Luís Ferreira lá vai animando a política local. Procurando sempre levar a água ao seu moinho, como é natural.
Desta vez, porém, parece-me que se espalhou ao comprido. Os leitores julgarão, após leitura atenta.
No seu blogue vamosporaqui.blogspot.com, o ex-chefe de gabinete, agora funcionário administrativo destacado na secretaria de uma escola de Alpiarça, escreveu um longo texto, do qual reproduzo as partes que me parecem mais significativas:

"O PS foi para o Município para defender o concelho e os trabalhadores"

..."recordo aqui aquele que foi o primeiro despacho da presidente do município, nos dois anos estruturantes e marcantes desta gestão municipal.
Assim, recordando o primeiro despacho da gestão do PS em Tomar -de revogação do anterior despacho do horário de trabalho de 40 horas, foi um marco, um exemplo, e disse claramente ao que vinha.
(De notar que, para que tal fosse concretizado, não foi preciso nenhuma proposta dos ditos "donos" dos trabalhadores. Bastou o PS querer e fazer)"

Luís Ferreira, Vamos por aqui, 20/0272016 

Enquanto isto ocorre aqui em Tomar, em França, onde as 35 horas estão em vigor há 16 anos:


"Quem trabalha realmente 35 horas semanais?"

"A duração oficial do trabalho vai continuar a ser de 35 horas semanais? Poderá ser modulado nas empresas, mediante "acordos maioritários", declarou o ministro da economia Emmanuel Macron, em 22 de Janeiro, em declarações à margem do forum de Davos, na Suiça.
Em Setembro passado, uma sondagem publicada no jornal Libération, mostrou um país dividido em relação à duração do trabalho. Uma pequena maioria (52%) preferia continuar com as 35 horas semanais, enquanto 40% se declaravam dispostos a renunciar a esse limite."

Mas qual é efectivamente a duração da semana laboral nos diversos países europeus? E a duração das horas extraordinárias? O leitor fará o favor de ler e interpretar o quadro seguinte. A azul o horário oficial de trabalho hebdomadário. A amarelo as horas extraordinárias:


Temos assim Luis Ferreira, em nome do PS local, a vangloriar-se de uma medida decidida pela sua companheira, que no meu entender vai contra a corrente da história e é uma vergonha.
Vai contra a corrente da História porque em França, onde as 35 horas semanais vigoram desde 2000, tanto no sector público como no privado, o Presidente da República e o governo, que são do PS francês, procuram solucionar tanto quanto possível esse problema, sem desencadear a fúria dos sindicatos. Após 16 anos de prática, já terão percebido que afinal as 35 horas por semana são uma ratoeira para todos. Aumentam a despesa pública, retiram competitividade às empresas e não beneficiam os trabalhadores, obrigados a efectuar horas extraordinárias para compensar a perda de salário. Quando conseguem emprego, que os patrões não contratam ninguém só para 35 horas semanais. Demasiado oneroso, dizem.
A referida decisão de Anabela Freitas é também e sobretudo uma vergonha, numa câmara endividada até às orelhas, onde há funcionários excedentários, e numa terra com forte desemprego onde ninguém beneficia das 35 horas na actividade privada.
A referência desdenhosa do ex-chefe de gabinete aos "donos" dos trabalhadores mostra que toda esta sua arenga não passa afinal de mais um episódio lamentável da sua recente luta sem tréguas contra o vereador da CDU.
Por conseguinte, em conclusão, é meu entendimento que Ferreira se espalhou ao comprido e devia ter escrito, para citar as coisas pelos seus nomes verdadeiros: O PS foi para o município para receber benesses, proteger os funcionários do Império dos sentados e explorar os eleitores. Designadamente os consumidores de água, que a pagam bem mais cara que em Lisboa, apesar de ter a mesma origem e o mesmo fornecedor em alta.

anfrarebelo@gmail.com

sábado, 20 de fevereiro de 2016

O Mandanela está bem vivo

A inexistente ou fraca cultura política da generalidade dos tomarenses provoca situações insólitas. Sobretudo porque têm tendência a confundir os seus desejos com a realidade. Nessa senda, na recente salganhada camarária, apeado o Mandanela pelos seus filhos políticos e herdeiros ingratos,  pensaram que o assunto estava resolvido de uma vez por todos. Erro crasso.
O Mandanela tem os seus defeitos, como todos nós. No caso dele muito ampliados por ser um cabotino nato e um provocador político por prazer. Mas também tem muitas qualidades, a principal das quais é um bem muito raro por estas paragens -a inteligência. Algo que é inato, que não se pode adquirir durante a vida. Essa é que é essa! E o Mandanela sabe disso. Que é inteligente e que a malta em geral não o é.
Apeado do cavalo do poder pela sua companheira, pressionada pelos outros filhos políticos do Mandanela, o mártir tem agora a vida facilitada e um futuro político risonho à sua frente. Para já vai mandando mails aos funcionários, aos vereadores e aos membros da AM. Nesses escritos alerta para a influência cada vez maior do vereador comunista Bruno Graça e do ex-presidente Pedro Marques.
Penso que tem razão quanto àquele, mas erra completamente quanto ao vereador IpT, incapaz de controlar ou sequer condicionar o PSD local, pela simples razão que não tem qualquer visão estratégica.
Percebe-se o erro deliberado do Mandanela. Pretende passar a ideia de que os laranjas do executivo não passam afinal de meros verbos de encher, que deixam a querida presidente ir na onda do Bruno, um antigo marxista-leninista, agora integrado eleitoralmente nas hostes comunistas. Situação que, conforme o próprio Mandanela assinala, a breve trecho causará graves prejuízos ao município.
Resta esperar para ver. E constatar que afinal a notícia da morte política do Mandanela não passou de um exagero desses tais que confundem os seus desejos mais íntimos com a realidade envolvente. O ex-chefe de gabinete e principe transitoriamente com menos sorte sabe do ofício político. Por isso adoptou para já o célebre slogan político do Maio de 68, era ele uma criança: Ce n'est qu'un début, continuons le combat! Que é como quem diz  É só o início, vamos continuar a luta!
Isto promete!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Queimar candidatos...

Tomar é um terra de gente pouco politizada e entranhadamente conservadora. Sempre foi. Não por acaso, escassas semanas antes do 25 de Abril, aquando do falhado golpe das Caldas, os militares insubmissos foram dominados e presos por outros militares... idos do tomarense Regimento de Infantaria 15. E desde que há eleições livres para a autarquia, sempre o vencedor tem sido um funcionário ou ex-funcionário público conservador, com a notável excepção do infeliz Corvêlo de Sousa, simples vítima das circunstâncias.
Compreende-se esta tendência generalizada para esperar tudo do estado e logo dos seus empregados, dantes servidores, agora na sua maior parte simples aproveitadores prepotentes. Mormente num concelho em que os eleitores/funcionários são largamente maioritários. Só que a crise iniciada em 2008 não há meio de acabar e a dívida pública não pára de aumentar, mesmo com os malabarismos do artista Costa. E os cidadãos eleitores andam positivamente acagaçados. Para usar uma frase de índole religiosa, não sabem a que santo rezar.
Neste ambiente de incerteza, nervosos e por isso inquietos, os mais ousados resolveram empreender uma fuga para a frente. Assim a fingir que são heróis. Pela primeira vez na história local, um autarca em exercício resolveu anunciar a sua recandidatura mais de 20 meses antes do previsto acto eleitoral. Passada a estranheza, Tomar na rede noticiou que Ivo Santos poderia ser o número dois dessa recandidatura. Surpresa e das grandes, um recente comentador destas lides, que assina José da Silva, um evidente nome suposto ou de empréstimo, foi mais longe. No mesmo blogue Tomar na rede tratou primeiro de assassinar politicamente a recandidata Anabela Freitas, traçou depois um perfil com foto do candidato ideal para a substituir como cabeça de lista da mãozinha e finalmente avançou a apoiar com entusiasmo o candidato que serviu de modelo para a foto do perfil.
É uma técnica conhecida, esta dos perfis à medida, que na política quase nunca dá bons resultados. Que o diga José da Silva, desculpem! José Vitorino, que assim foi designado numa primária interna do PS, feita à medida do seu perfil...e depois perdeu estrondosamente. Porque Roma não paga a traidores e nesse caso os eleitores tomarenses nunca se esqueceram que Vitorino fora antes autarca do PSD...
Desta vez o candidato a candidato até tem boas qualidades, o que aqui em Tomar nem sempre é uma vantagem. Trata-se do professor Ivo Santos, também empresário multifacetado, com algum sucesso. Infelizmente para ele, na minha pouco arguta opinião, esta sua proto-candidatura apenas serve para o queimar. Por um lado, porque o seu perfil foi relativamente mal traçado. Ninguém percebe por exemplo porque carga de água deve o futuro candidato ser da "nova geração", seja lá isso o que for. Por outro lado, lá está, porque Roma não paga a traidores. E o bom do Ivo já foi autarca eleito nas listas do PSD e depois cabeça de lista do CDS numa eleição seguinte. De forma que, surgir agora a encabeçar a lista PS só poderá ser um enterro de primeira classe.
De resto, tenho para mim que quem quisesse queimar simultaneamente a recandidatura da Anabela e a candidatura do Ivo, não procederia de outro modo. É só esperar pela confirmação.

anfrarebelo@gmail.com..

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Tomar, terra dos cinco Tês

Até agora esta santa terrinha tem sido conhecida como Tomar terra templária de turismo. Terra de quatro tês, portanto. Tenho porém a impressão que, pelo caminho que as coisas levam, não tardará muito para sermos conhecidos como a terra dos 5 Tês. Com o tê de TONTICE = coisa de tontos.
Refiro-me à Festa Templária. Alicerçada nas verbas de Bruxelas, a ADIRN -Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte, um organismo sediado alhures, resolveu organizar anualmente em Tomar uma Festa Templária. Naturalmente visando o desenvolvimento do turismo local, posto que este tipo de eventos nunca dá lucro por estas bandas. Com a colaboração de entidades locais, entre as quais o Município (câmara + juntas) e o IPT, a coisa foi marcada para Maio. Uma data excelente para fomentar o turismo fora de época, uma vez que contribui com um evento para alargar a "saison", uma das maiores dificuldades de todas a regiões turísticas europeias.
Porque na edição anterior a afluência não foi a esperada, ou por qualquer outra razão que me escapa, os mentores da Festa Templária conseguiram agora convencer a presidente da câmara e o IPT a mudar a dita festa para Julho. Percebe-se. Em Julho são as férias grandes,  estamos já em plena época alta, pelo que haverá sempre muito mais visitantes, o que melhorará os relatórios a enviar para Bruxelas, via Lisboa, justificando os euros gastos.
Para melhorar a coisa, até foram meticulosos. Escolheram o segundo fim de semana de Julho. E tanto a presidente da autarquia, que dá emprego a dois ou três técnicos superiores de turismo, como o representante do Politécnico, que tem um curso superior de turismo, que forma os ditos técnicos, acederam à ideia dos senhores da ADIRN. Nem ai nem ui. Ninguém se lembrou que no segundo fim de semana de Julho de 2019 temos também a Festa dos Tabuleiros. Assim, além de deixar de contribuir de forma eficaz para fomentar o turismo fora da estação alta, a Festa Templária vai encavalitar-se na tradicional festa grande dos tomarenses. Ou haverá também a intenção subjacente de inovar nessa área, levando alguns tabuleiros a cavalo?
É claro que será sempre possível emendar a coisa, dizendo agora que a Festa Templária será sempre no segundo fim de semana de Julho, salvo quando houver Festa dos Tabuleiros. Mas não passará de mais um remendo. De qualquer forma, mais tontice, menos tontice, praticamente já ninguém se rala, nesta terra cada vez mais dos 5 Tês.
Pobre da terra que tem tão pobre gente!