Já aqui foi dito, por outras palavras, que todos os eventos que atraiam turistas fora da época alta são de apoiar. Pelo contrário, organizar eventos que geram custos orçamentais em plena época alta, é um erro crasso. Porque o acolhimento turístico nabantino é muito limitado. Donde resulta que, para além de determinada afluência, perdem todos. Os turistas porque são mal recebidos e mal servidos, a actividade turística local (hotéis, restaurantes, cafés...) porque não pode aproveitar. As coisas são o que são.
Isto a propósito da Festa Templária. Realizada em Maio é uma iniciativa a acarinhar, a melhorar, a difundir. Levada a efeito em Julho, representa duplo prejuízo. Deixa de contribuir para incentivar o turismo na época baixa e vem atravancar um período com muito turismo, por vezes até demasiado. Além de, a cada 4 anos, se encavalitar na Festa dos Tabuleiros, que como se sabe já esgota tudo num raio de 50 quilómetros. Assim sendo, qual a utilidade real da Festa Templária para o turismo local?
Em vez de agirem como cidadãos de um país aberto e democrático, onde tudo se pode e deve debater, dando o peito às balas, os visados pela minha crónica anterior resolveram actuar pela calada. Responderam lateralmente e sem dizerem a quem procuram canhestramente atacar.. Os leitores mais interessado nestas coisas, que queiram ler a dita prosa, devem ir a vamosporaqui.blogspot.com e clicar algures do lado direito em templanima.
De acordo com os génios autores da transferência da Festa templária de Maio para Julho, faltava ao evento qualquer coisa. Uma âncora, como usa dizer-se em mercadologia, "ciência" mais conhecida por marketing. E vai daí, descobriram o cerco do castelo pelas tropas do emir de Marrocos Iacub Al Mansor, em Julho de 1190.
Azar dos azares, nem aqui acertaram. Marcaram a dita festa para o segundo fim de semana de Julho, mas o emir só terá cercado o castelo a partir de 16, na melhor das hipóteses. Isto porque uma tropa de 900 pessoas + 400 cavalos + carroças + bestas de carga, não é propriamente um grupo de 50 turistas, que chega e começa logo a visita. Precisam de tempo para se instalarem, para dar de comer aos animais, para reconhecer o terreno. E só depois... Dado que o emir chegou a 13 de Julho...
Ainda segundo os referidos génios, trata-se de aproveitar como âncora não só o citado cerco, mas também uma lendária luta que dizem ter tido lugar junto à Porta da Almedina ou do Sangue. É altamente duvidoso que tenha havido, ali ou alhures, alguma luta com os árabes sitiantes. Que nem sequer terão tentado invadir a fortaleza templária mediante o habitual e prévio trabalho de sapa, devido ao alambor.
Em todo o caso, a lápide que refere o cerco reza apenas que "o mesmo rei tornou para a sua pátria com inumerável detrimento dos homens e das bestas." Portanto com grandes perdas em homens e em animais. Mas não menciona qualquer luta. O que permite supor não ter havido qualquer luta, mas apenas homens e animais vítimas de doenças provocadas pelos mosquitos e as águas salobras dos pântanos do rio Nabão. Porque, que eu saiba, as bestas de quatro patas não combatem. Pelo que, se houve perdas de bestas...
Em conclusão, errar é humano, mas teimar é burrice. Se a ideia é apenas e só aproveitar o tal cerco como âncora, então façam a festa em Julho mas na segunda quinzena. Para serem mais fiéis à história e para não prejudicarem a Festa Grande dos tomarenses.
Quanto ao tal combate lendário junto à Porta do sangue, pode ser celebrada, mesmo que nunca tenha tido lugar, que é o mais provável. Como disse o realizador John Ford, "Quando a lenda se sobrepõe à realidade, filme-se a lenda".
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