quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Quantos leitores? Quantos ouvintes?

Mesmo lá longe, no frio suiço de Zurique, ou se calhar por isso mesmo, Tomar na rede aceitou imediatamente o repto que aqui foi lançado a todos os órgãos de comunicação sobre Tomar. Fica-se assim a saber que há entre 33 e 35 mil consultas diárias de página no blogue dirigido por José Gaio e pouco mais de 150 aqui em Tomar a dianteira. Guardadas as proporções, a mesma diferença abissal que existe entre o Correio da manhã, com uma tiragem diária de 130 mil exemplares, e o Diário de Notícias, bem mais antigo, mas que se fica pelos 14 mil exemplares. Um pouco menos que o Público, outro jornal de qualidade que vende menos de 15 mil exemplares diários, apesar de ter duas edições, uma no Porto, outra em Lisboa.
Surpreendido perante estes dados, caro leitor? Não  é caso para tanto. Afinal estamos num país em que os dois jornais de maior difusão são A Bola e o Record. Já percebeu agora?
No que se refere à diferença oceânica entre Tomar na rede e Tomar a dianteira 3, há que ter em conta os seguintes factores: 1 - Tomar na rede é um blogue generalista, que publica tudo e de vários autores. Tomar a dianteira só publica crítica e notícias comentadas, de um só autor; 2 - Tomar na rede tem já dois ou três anos; Tomar a dianteira 3 tem apenas 3 meses; 3 - Tomar na rede publica notícias e outros textos de uma área alargada, que inclui todo o distrito de Santarém, enquanto que Tomar a dianteira se fica pelo comentário crítico sobre a cidade e o concelho; 4 - Tomar na rede anuncia festas e dá relevo às actividades desportivas, assuntos que Tomar nunca aborda por decisão do seu autor. 5 - Tomar na rede aceita e publica comentários, mesmo de qualidade muito duvidosa; Tomar a dianteira acabou com essa prática. E não está arrependido.
Concluindo, temos duas coisas do mesmo género, porém totalmente diferentes. Tomar na rede é um blogue generalista de grande difusão, cuja qualidade e regularidade honram o seu autor, o Dr. José Gaio, a quem aqui tiro o meu chapéu e felicito muito sinceramente pelo seu sucesso.
Tomar a dianteira é apenas aquilo que sempre quis ser -um blogue confidencial onde apenas se pode seguir o discurso crítico de um comentador, porventura fraco, porém frontal, sincero e descomprometido.
Óptimo seria que Cidade de Tomar, O Templário, Rádio Hertz e Tomar à letra se enchessem de coragem e dessem o peito às balas, anunciando as suas tiragens e audiências reais. Mas duvido muito que o venham a fazer. É mais cómodo e rentável em  termos de prestígio continuar a manter o actual estado de coisas. Que permite a alguns falar de cátedra, quando afinal poucos os ouvem ou lêem.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Uma infantilidade

A notícia vinha no Correio da Manhã de ontem. Alguns municípios  -91 entre os 308 existentes- vão devolver IRS aos contribuintes residentes fiscais, numa percentagem que varia de concelho para concelho. Percorri a lista e confesso ter ficado embasbacado. O município de Tomar vai devolver cerca de 150 mil euros!
Posso estar a ver mal, mas parece-me  uma infantilidade. Mais uma. Por um lado, porque entendo ser pouco ou nada racional estar a devolver parte dos impostos já cobrados, quando se sabe que a dívida municipal ultrapassa os 30 milhões de euros, o que implica encargos apreciáveis com juros. Alguns a 9%, como no caso do litígio com a ParqT. E já que mencionei o caso ParqT: Então a nossa simpática presidente decidiu deixar de pagar as prestações mensais, a que por decisão judicial o município está obrigado, alegando falta de disponibilidade orçamental, e agora resolve devolver impostos já cobrados? 
Por outro lado, sendo os tomarenses escandalosamente explorados nos preços da água que consomem + respectivas alcavalas, e não podendo mudar de fornecedor, dado o monopólio municipal de facto existente no concelho, não seria preferível baixar esses preços e taxas, em vez de andar a brincar aos concelhos ricos e generosos, distribuindo "rebuçados" só a alguns munícipes? Sim, porque os residentes concelhios que são realmente os mais necessitados nem sequer pagam IRS. Estão isentos. Por conseguinte não podem ser abrangidos pela devolução...daquilo que não pagaram. Mas podem beneficiar de eventuais reduções nos abusivos custos da água fornecida pelos SMAS.
Senhoras e senhores autarcas, por favor pareçam e sejam adultos competentes, dignos dos cargos que ocupam. Não desacreditem ainda mais a classe governante dos aviários partidários que temos. Deixem-se de reinações políticas, A conjuntura não está para isso. Se é que alguma vez esteve ou vai estar. 

Qual a audiência de Tomar a dianteira - 3 ?

À falta de tema mais interessante, eis alguns elementos estatísticos sobre este blogue. São dados incontestáveis porque facultados pela própria Google, portanto sem hipótese de maquilhagem. Todos os números se referem a visitas de página, ou seja ao total de pessoas que clicaram para ver determinado texto.

Consultas de página de ontem, 15/02/2016...................................................................156
Consultas de página nos últimos 30 dias................................................................... 3.325
Consultas de página desde o reinício do blogue, em 15/11/2015..................................6.846

TEXTOS MAIS CONSULTADOS

A lenta erosão da câmara nabantina, 05/01/2016.........................................................156
Uma história alarmante..., 11/02/2016........................................................................133 
Bronca em obra desembargada, 10/02/2016................................................................120

ORIGEM GEOGRÁFICA DOS VISITANTES

Portugal.......................................................6.259
Suiça..............................................................289
Estados Unidos...............................................78
Inglaterra.........................................................34
Polónia............................................................25 
Brasil...............................................................21
Andorra...........................................................10
Espanha...........................................................10
França................................................................6
Marrocos.......................................................... 6 

No meu entender, seria de todo o interesse que cada órgão de comunicação lido/ouvido na urbe publicasse de quando em vez as suas estatísticas. Bem sei que haveria surpresas bastante desagradáveis, mas as coisas são o que são. Escreveu A. Lincoln, presidente dos USA, que "É possível enganar algumas pessoas durante algum tempo, mas impossível enganar toda a gente durante toda a vida." Venham de lá essas audiências!                          .

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Cenas de caça...ao voto

Noticia a Rádio Hertz que o vereador Tenreiro voltou a interpelar a presidente Anabela, para que lhe forneça  informações sobre sucessivos subsídios a duas associações da casa -a dos bombeiros municipais e a da câmara e serviços municipalizados. Na minha óptica, trata-se apenas de mais uma cena de caça...ao voto.
Tenreiro tem eleições internas previstas para o mês que vem. O que o obriga a ir apresentando trabalho, levantando caça e tentando abatê-la. Sob pena de não conseguir a almejada reeleição A vida politico-partidária é assim. Por isso, com punhos de renda, para não espantar a caça, lá foi dizendo que até apoia também as ditas e meritórias associações, querendo porém saber qual o destino de sucessivos subsídios camarários.
Por seu lado, já na corrida para Outubro do próximo ano, a presidente vai procurando caçar votos na ampla reserva municipal. Usa para isso duas armas bem conhecidas e de eficácia comprovada: Os subsídios às colectividades concelhias e as cedências gratuitas do autocarro, numa indecente concorrência aos industriais do sector, que asseguram emprego e liquidam com língua de palma as suas obrigações fiscais.
É claro que nenhuma destas salganhadas -afinal apenas caça ao voto mal disfarçada- se distingue pela clareza de processos. Nem podia. Tal como acontece de resto com essa outra contestável prática dos presidentes de junta, que para caçar votos organizam anualmente várias excursões gratuitas com comezaina e bailarico, oficialmente só para a 3ª idade, mas afinal para quem apareça, desde que seja eleitor na freguesia...
Não havendo clareza de processos nem de intenções, é lógico que à presidente do executivo não interessa revelar detalhes. Pelo contrário. Lá diz o ditado que o segredo é a alma do negócio. Foi o que aconteceu mais uma vez. A simpática Anabela respondeu polidamente ao seu colega de executivo, mas negou de facto os elementos solicitados. Atitude particularmente grave nesta altura do mandato.
Como é comum dizer-se, à mulher de César não lhe basta ser séria. Tem de parecê-lo. E quando acaba de ser forçada a exilar o seu César, a coisa é ainda mais necessária. Resta agora saber se o vereador Tenreiro resolve ser duro, ou continuar tenrinho como até aqui. Se for duro e recto, apresentará na próxima reunião do executivo um pedido escrito, ao abrigo do disposto no artigo 5º da Lei 46/2007 - Lei do direito à informação. E aí a presidente não se pode refugiar em conversas de circunstância. Terá mesmo de fornecer os elementos solicitados, no prazo legalmente estipulado. Ou pelo menos facultá-los para consulta.
Caso o bom do João prefira continuar tenrinho, para não assustar prematuramente a caça nem ferir as conveniências do momento, então terei de ser eu a desencadear o processo. Indo até aos tribunais...administrativos se necessário for.
Aqui fica o repto. Sem qualquer ambiguidade, porque eu não ando na caça ao voto.  

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Um barco à deriva e uma proposta para ornamentar

Se dúvidas houvesse sobre o facto da governança municipal não passar afinal de um barco à deriva em mar agitado, os factos aí estão para o confirmar. Numa semana, a imprensa local e nacional publicou anúncios da câmara sobre a revisão de planos de pormenor. Concretamente o do Mercado/Flecheiro e o do Núcleo Histórico. No caso daquele, trata-se de tentar resolver, legalizando-o, o escandaloso caso do novo Lar da Misericórdia, pronto há mais de dois anos mas ainda encerrado. Quanto ao outro, nada transpirou mas será decerto, como já vem sendo hábito, para endireitar mais uma ou outra aselhice anterior. E não tarda vamos ter mais planos de pormenor, como o da zona do Pingo doce, por exemplo. Para ir entretendo o pessoal, no quadro da política do faz de conta.
Tudo isto acontece numa altura em que a simpática presidente insiste na afirmação de que estão a trabalhar, mas cá fora ninguém vislumbra em quê. Sucede até que a revisão do PDM, iniciada já ninguém sabe bem quando, nunca mais é dada por concluída. Porquê? Porque o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita? Se é o caso, tenham então a decência e a coragem de o dizer...
Neste ambiente de viagem sem rumo definido, de barco à deriva, os laranjas locais resolveram avançar agora com uma proposta para ornamentar. Assim, sem ponderarem devidamente a coisa. Pretendem uma paragem na zona do Mercado Municipal para os autocarros de turismo largarem e tomarem passageiros-turistas.
É uma estranha proposta, sem cabimento, digo eu, porque: 1 - Não me consta que o Mercado Municipal de Tomar tenha algum interesse especial para o turismo organizado, o único que chega de autocarro. É um mercado como o de Torres Novas, do Entroncamento, de Ourém e tantos outros...onde não me consta que haja locais de paragem para autocarros de turismo; 2 - Um autocarro de turismo não é a mesma coisa que um autocarro da carreira, que toma 2 ou 3 passageiros aqui e larga 1 ou 2 acolá.  O autocarro de turismo regra geral transporta 45/55 turistas, que embarcam e desembarcam em bloco em cada paragem, o que implica inevitavelmente uma imobilização entre 15 e 30 minutos. Digam-me por favor onde é que, na zona do mercado e às sextas-feiras, um autocarro parado durante mais de um quarto de hora não causa transtorno ao trânsito normal? 3 - Admitindo que algum guia ou motorista de turismo caísse na patetice de largar clientes para irem fazer compras ao mercado municipal, quanto tempo teriam de esperar depois pelos inevitáveis retardatários, estacionados naquela confusão das sextas-feiras?
Não, senhores autarcas laranjas. Assim não vão lá. Se presentemente os profissionais de turismo nem sabem bem como fazer quando vêm a Tomar, julgam que alguma vez vão levar  os clientes a visitar um mercado que não é especialmente apelativo para turistas? Ficam-se pelo Convento e já não é mau de todo, dadas as bem conhecidas limitações nabantinas. O resto são sonhos de quem nunca trabalhou em turismo nem viajou em circuitos turísticos. Especialistas de ideias gerais...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

É uma experiência muito enriquecedora...

No passado dia 11 relatei e publiquei aqui fotos da minha caminhada até Carvalhos de Figueiredo, na freguesia urbana de Tomar. Procurei assim  alertar para os perigos evidentes dessa estrada. Onde não houve qualquer melhoramento nos últimos 15 anos, excepto o novo atravessamento da via férrea. Naturalmente, agi com a ideia subjacente de pedir soluções rápidas e eficazes aos detentores do poder. Apenas falei em passeios a título comparativo, dizendo que já foram feitos na Estrada de Coimbra e na de Leiria.
O blogue Tomar na rede teve a amabilidade de "linkar" o dito escrito, o que naturalmente ampliou e muito a sua audiência. Foi quanto bastou para que um prendado habitante da urbe, que cá não nasceu se é quem julgo, aproveitasse a aberta para usar da sua habitual logorreia. Exarou o corajoso anónimo este brilhante comentário no citado blogue, com direito a repetição de "Já agora", belo exemplo de grande destreza no uso da língua-mãe:"Já agora esse blogueiro queria passeios ao longo de qualquer estrada. Não tem noção do que diz. Os automobilistas é que obrigatoriamente por lei devem ser prudentes assim como os peões. Já agora porque não passeios com calçada portuguesa a ladear as autestradas?"
Tratando-se de quem penso, é costume lamentar-se da falta de "graveto". Esta sua elegante e polida prosa mostra, mais uma vez, que além do "graveto" lhe faltam outras coisas: inteligência, educação, boas maneiras, respeito pelos factos e pelos outros, recato, sentido da realidade. Mas em contrapartida denota excesso de prosápia, de paleio ornamental e sobretudo inveja, muita inveja! Ele sim, não tem a noção do que diz.
Noutra matéria de índole local, li na página da Rádio Hertz isto: "Autocarros de turismo podem ter local de "desembarque" na área do mercado municipal" Segue-se uma curta prosa sobre o tema, na qual o jornalista de serviço cita a dado passo um conhecido autarca laranja nabantino -"Temos de equacionar a colocação naquele local de um local de desembarque para deixar passageiros. Poderá ser uma valorização para aquilo que já existe."
Tenha piedade dos leitores, distinto senhor autarca! É muito local em semelhante localização. A fazer lembrar os velhos tempos dos seus avós. Do "Há sócios que são sócios e sócios que não são sócios...", de saudosa e tragicómica memória.
Visivelmente o senhor tem alguns problemas com a língua pátria. Acontece. Resta-lhe continuar a aprender...e ir pedindo que o ajudem nessa área. Não será o único. Nem é vergonha nenhuma.
Concluindo, neste sábado cinzento e chuvoso em que estava sem tema -É uma experiência muito enriquecedora partilhar da vida de uma urbe que conta com tais concidadãos. Respira-se cultura e conhecimento por todos os lados. Estou cada vez mais contente por aqui ter vindo ao mundo.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Uma história alarmante e triste numa dúzia de imagens

Como tinha de ir comprar um pequeno acessório a Carvalhos de Figueiredo, resolvi alterar o percurso da usual caminhada. Fui e regressei a pé. Não tive problemas. Confesso porém que me senti pouco tranquilo durante o trajecto, que considero muito perigoso. Passo a contar, apoiado nas fotos:

O primeiro sobressalto aconteceu aqui. Após alguns metros a matutar que é preciso ter muito pouco brio profissional para, em pleno século XXI, projectar e/ou aprovar um passeio com apenas 40 centímetros de largo numa área urbana, dei-me conta que simplesmente não havia mais passeio. No limite da cidade!

 Sem passeio, tinha três hipóteses: 1 - Ir pelo meio da erva...

 e pelos charcos, todo contente por estar caminhando no quilómetro 98 da estrada nacional 110, que nos liga a Coimbra, ou 2 -  Ir pelo meio da estrada.

Não tendo tendências suicidas nem masoquistas, optei pela 3ª hipótese. Atravessei a via, mas não me valeu de nada. Do lado oposto, o passeio termina em triângulo, mesmo antes da curva.

Continuei em frente, porém com o credo na boca. Não há valeta, não há passeio nem berma marcada. E também já não tenho idade para ir por cima do muro.

Mesmo onde se mantém a sinalização da berma, anterior às obras do viaduto ferroviário, continua a não haver valeta ou passeio.

Logo a seguir à Capela de S. Lourenço, a demonstrar que o desmazelo não acontece só com a estrada, eis o estado lamentável em que encontra o caminho que durante séculos permitiu à população o acesso ao rio. Até mandaram ou deixaram entulhar a margem.

Mais adiante, outra confirmação do miserável estado de toda aquela zona. Espaço há. Valeta e passeio é que não!

E quando há valeta, não há passeio, nem marcação de berma. Os peões que se desenrasquem!


Foi o que tive de fazer durante todo o percurso. Aqui, já de regresso, vinha mais tranquilo, porque caminhando pela valeta, mas afastado da faixa de rodagem. O que é bem mais seguro, numa curva com pouca visibilidade.

Afinal foi sol de pouca dura. Acabada a valeta, fui forçado a ir para a estrada novamente.

E, sem nenhuma sinalização das bermas, se tivesse sido atropelado, o culpado seria eu, por caminhar em plena faixa de rodagem. Ninguém diria então que não tivera outro recurso, por nem sequer haver bermas marcadas...

Perante tal miséria em plena cidade e na principal via de acesso, os senhores autarcas que temos conseguem dormir descansados? A senhora presidente continua a pensar que a criticam porque a câmara está a trabalhar, como declarou recentemente? Não será exactamente o oposto?
Aquele pequeno passeio na antiga Rua de Coimbra, onde agora a brigada da câmara anda toda entretida quando não chove, era mesmo prioritário em relação a esta desgraça calamitosa, que todos os dias põe em perigo vidas humanas? Tudo isto parece normal ao respeitável presidente da junta urbana, que até mora para as bandas de Carvalhos de Figueiredo?
Trata-se afinal da principal entrada em Tomar, para quem vem de Lisboa ou do sul. As outras duas entradas, a de Coimbra e a de Leiria-Ourém, já têm passeios há anos. Nesta estão há espera de quê? Que haja mortos a lamentar?