sábado, 30 de janeiro de 2016

Para quem gosta de jornalismo de qualidade

"A troika está de volta a Portugal

O país saiu do plano de ajuda internacional em Maio de 2014, mas esta visita dos "homens de negro" constitui um teste para o novo primeiro-ministro, o socialista António Costa

Os "homens de negro" estão de volta ao país de Fernando Pessoa. Na passada quarta-feira, 27 de Janeiro, os representantes da troika iniciaram uma visita técnica de uma semana a Lisboa. Missão principal: vigiar o estado de saúde económica de Portugal -sobretudo o seu rigor orçamental, cerca de dois anos após a saída do país do plano internacional de ajuda, iniciado em 2011. Contra um empréstimo de 78 mil milhões de euros, o governo português comprometeu-se então a implementar uma série de reformas drásticas, destinadas a corrigir as finanças públicas e a sair da recessão.
Desde então, Portugal conseguiu regressar com êxito aos mercados financeiros e ao crescimento económico. Mas esta terceira visita "pósprograma" surge mesmo assim como um grande teste para o primeiro-ministro socialista António Costa, que começou a governar em Novembro de 2015.
"O seu antecessor de centro-direita, Pedro Passos Coelho, que dirigiu o país entre 2011 e 2015, era o bom aluno da troika, lembra António Costa Pinto, politólogo na Universidade de Lisboa. Aplicava as reformas exigidas sem discutir, pois estava convencido da necessidade de liberalizar o país."
Já António Costa conseguiu o segundo melhor resultado eleitoral prometendo acabar com as sequelas da austeridade. A sua coligação sustenta-se graças ao apoio (todavia sem participação no governo) do Bloco de Esquerda e dos comunistas, que reclamam medidas sociais. Mas o primeiro-ministro prometeu também controlar as finanças públicas, em conformidade com as exigências de Bruxelas..."O que quer dizer que, para satisfazer os dois campos, será obrigado a fazer um delicado exercício de equiibrista", analisa António Barroso, especialista de Portugal na empresa financeira Teneo Intelligence.
Para o chefe do governo, que foi presidente da Câmara de Lisboa, cidade onde continua a ser muito popular, o desafio é claro: tem de convencer os seus parceiros europeus da necessidade de voltar a dar um pouco de oxigénio à economia portuguesa, favorecendo o consumo. A troika, por sua vez, dá a entender por meias palavras que receia ver Portugal regressar às "maleitas de antes da crise", segundo foi possível apurar junto de fonte próxima dos credores.
Na realidade, a Comissão Europeia mostra-se inquieta ao ver o governo português encarar a possibilidade de reverter várias medidas implementadas nestes últimos cinco anos, tais como alguns cortes nos vencimentos dos funcionários e nas pensões de aposentação. Outro tanto acontece com o aumento do salário mínimo (de 505 a 530 euros, em 14 meses), que entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2016 e fez ranger os dentes em Bruxelas.
Tal como o FMI, os funcionários europeus pensam que Portugal deve continuar com as reformas estruturais. Por exemplo com a redução da burocracia que pesa sobre os empresários, ou abrindo ainda mais o mercado do trabalho, implementando uma fiscalidade que favoreça o investimento em vez da dívida...
A Comissão de Bruxelas aproveitará igualmente a sua presença em Lisboa para examinar detalhadamente o orçamento para 2016, no quadro do "semestre europeu", prática corrente em todos os paises membros da UE, a qual visa evitar que algum deles deixe aumentar o défice. "É um teste importante para a credibilidade de António Costa", adianta uma fonte europeia.
Conseguirá o primeiro-ministro honrar os seus compromissos? Como é que vai financiar as novas despesas já previstas? Poderá renunciar a algumas delas, sem desencadear os protestos da esquerda radical? As discussões prevêem-se muito agitadas.
Teoricamente, Portugal regressou à normalidade orçamental em 2015, reduzindo o défice para 3% do PIB, de acordo com as primeiras estimativas. Mas essa taxa sobe para 4,2% quando se acrescentam os recursos públicos usados no caso do banco BANIF, em Dezembro de 2015. Apesar disso, o governo comprometeu-se a reduzir o défice para 2,6% em 2016, contando com um crescimento económico de 2,3% do PIB. Uma previsão considerada demasiado optimista pela Comissão Europeia, que prevê um crescimento de apenas 1,7% do PIB. "A redução da austeridade deverá contudo favorecer o crescimento económico, o emprego e, por conseguinte, as receitas fiscais", matiza Jesus Castillo da financeira Natixis.
Outro ponto de tensão: a dívida pública, a qual atingiu 130,5% do PIB no terceiro trimestre de 2015. O governo de António Costa conta poder reduzi-la para menos de 126% do PIB, no fim deste ano. Trata-se de um objectivo credível, pensam os economistas. "Mas Portugal continua muito frágil em termos de dívida pública. Qualquer aumento das taxas de juro será fatal para as finanças públicas", considera com inquietação António Barroso, entre outros.

Marie Charrel - Le Monde Economie et Entreprise, 28/01/2016,  página 4,
Tradução e adaptação de António Rebelo

Argumentação de sanita

Na política, como na vida em geral, é sempre conveniente procurar manter um certo nível. O das boas maneiras, no mínimo. Na recente entrevista ao Cidade de Tomar, a nossa simpática presidente parece ter tido um momento de menor atenção. Falando do mandato anterior, declarou que "...nos deixaram muita coisa por fazer. Designadamente estradas para alcatroar, casas de banho que deviam estar abertas ao público, como aquelas que existem atrás da câmara, que nós abrimos."
Ó senhora presidente! Tenha paciência. Argumentação rasteira e negra como a do alcatrão, ainda vá que não vá. De sanita é que não. Porque se trata mesmo de um assunto de merda.
Com cenas destas, bem se pode dizer que a política nabantina está cada vez mais como o crocodilo daquela conhecida história de origem russa -voa mas é assim muito baixinho. Ao nível do alcatrão e das sanitas turcas, que como se sabe são encovadas no pavimento respectivo... Triste sina a nabantina!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Mazagão/El Jadida - Marrocos

Dez aspectos da antiga cidade portuguesa de Mazagão, abandonada por ordem do governo de Lisboa em 1769. Os cerca de 2 mil habitantes vieram para a capital portuguesa, sendo mais tarde levados para Nova Mazagão, a norte do rio Amazonas, no actual Estado de Amapá - Brasil.
As fotos falam por si, excepto duas:1 - A da Porta do Mar, que dá nome ao actual café, situado em frente. 2 - A cisterna portuguesa, de 1542. Para visitar paga-se 10 dirhams = 1 euro. A sua irmã gémea, no Claustro da Micha - Convento de Cristo - Tomar, nem sequer é visitável, apesar de igualmente Património da Humanidade. É o progresso tomarense...











ESPERANÇA > DESALENTO > ESPERANÇA

Regressei de Marrocos com alguma esperança. Ainda em Mazagão (actual El Jadida), li o comunicado do PSD Tomar e não desgostei. Pelo contrário. Não sendo uma obra-prima, nem uma beleza de argumentação, também não envergonha. Demonstra ânimo, vontade de mudar e de acertar. Só aquela ameaça oca do final é que era, quanto a mim, escusada. Mas eu não sou do PSD e os actos ficam com quem os pratica. Vinha portanto com uma réstea de esperança...


Chegado a Tomar, levei logo com um balde de água fria. Lá se foi a esperança e lá voltou o desalento. Falo da estrambótica entrevista da nossa presidente ao Cidade de Tomar. Senhora simpática, educada, geralmente bem vestida e penteada, com evidente facilidade de palavra, confesso que não esperava dela tanto dislate em tão pouco tempo. "Acredito no meu projecto para Tomar", afirma a dado passo. Mas qual projecto?!?! Algumas ideias avulsas do tipo abertura do museu da Levada, Tabuleiros a património da humanidade, turismo judaico? Visivelmente a respeitável autarca confunde ou finge que confunde um monte de tijolos com um muro. Porque algumas medidas descosidas, sem articulação e mal fundamentadas, não constituem nenhum programa. São apenas alibis para tentar entreter o eleitorado. E logros, que saem em geral muito caros, porque raramente têm retornos.
Se bem percebi aquilo que li e reli , Anabela Freitas está convencida de que governou bem até agora. Julga que vai conseguir melhorar a situação local a curto/médio prazo, embora não explique como. E para cúmulo, vê-se como vencedora das futuras eleições locais, o que a levou a apresentar extemporaneamente a sua candidatura. Para garantir o lugar, evitando inoportunas ultrapassagens. Parece-me francamente de quem não tem os pés bem assentes na terra que pisa, nem compreende bem o contexto político em que age.
Agravando a questão, resolveu a simpática senhora autarca usar uma linguagem de soberano absoluto, só ela saberá com que fito: "Porque não admito que quem concorre a eleições... ... saia a meio. A equipa tem que ir até ao fim." ... ... "E a distribuição de pelouros é competência exclusiva minha, quer os vereadores gostem quer não."
Sendo assim, a senhora assume-se como rainha. Fica então por explicar o caso do príncipe consorte, que ao fim de pouco mais de dois anos, teve afinal tão pouca sorte. Caso perdido, portanto?
Resta a esperança PSD. Se quiserem ter a coragem de trabalhar politicamente como se faz por essa Europa aberta fora, julgo que o melhor será marcar até Outubro uma eleição primária aberta para escolher o candidato à autarquia, bem como a restante lista. Eleição primária aberta = todos podem ser candidatos e todos podem votar, filiados ou não no partido, desde que sejam eleitores no concelho, Vamos a isso???

sábado, 16 de janeiro de 2016

Até ao meu regresso


É verdade. Tomar a dianteira 3 vai arejar. Ver como estão as coisas do turismo ali para as bandas de Marrocos, que por aqui já está visto. Marraquexe, Telouet, Ait Benhaddou (foto da capa), Essauira, El Jadida/Mazagão e Casablanca. Organização pessoal, viagem individual. Rebanhos, só quando não há outra solução viável.
Salvo imprevisto, o próximo texto poderá ser lido na tarde de 28 de Janeiro. Até lá deseja-se que tratem de viver o melhor possível. O que nem sempre é simples...

Informação, jornalistas, toalhas e panos de cozinha

Nunca fui, não sou, nem tenciono vir a ser jornalista. Mas nada tenho contra os jornalistas. O que não me impede de escrever o que penso. Como os leitores bem sabem, tenho aqui referido bastas vezes a pouca qualidade da informação local, que me parece ser ao mesmo tempo uma causa e uma consequência da triste situação a que Tomar chegou. Estou equivocado? É possível. Mas a ser assim, agradecia uma demonstração séria e sem margem para dúvidas.
Dos vários manuais de jornalismo que li, concluí que, para haver boa informação/bom jornalismo, é necessário: 1 - Ter os meios para saber; 2 - Ter talento para dizer/escrever; 3 - Ter coragem para noticiar; 4 - Nunca confundir toalhas com panos de cozinha, nem alhos com bugalhos ou bosta de vaca com tijeladas. Numa frase incisiva -Boa informação só com bons profissionais.
Recebi de António Feliciano, jornalista numa das rádios locais, um comentário devidamente assinado ao meu texto Vivemos numa aldeia global. Publico com todo o gosto. Sempre defendi a liberdade de expressão e o direito à informação. O leitor fará o favor de tirar as suas conclusões. E se quiser comentar, já sabe. É só escrever e assinar por baixo. Aqui tem o meu contacto: anfrarebelo@gmail.com



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Vivemos numa aldeia global


Infelizmente, a crise económica que assola a cidade e vai continuar a agravar-se não é só local. É também regional, nacional e mundial, embora mais ou menos grave consoante as cidades, as regiões e os países. A demonstrar que vivemos afinal numa aldeia global, onde os problemas de uns são também os dos outros. No que concerne à crise nos Centros históricos, eis o que noticia o Le Monde (o grande jornal francês de esquerda, com uma tiragem diária de 300 mil exemplares), na página 6 do seu caderno Economia, datado de 12/01/2016:




Tradução: "Centros históricos à venda - Os centros históricos das cidades médias francesas estão confrontados com o encerramento de estabelecimentos comerciais, uns a seguir aos outros. Em causa a dispersão urbana e o desenvolvimento das grandes metrópoles. As zonas turísticas são as únicas excepções."
"O turismo para salvar o comércio tradicional e lutar contra a desvitalização - O turismo como tábua de salvação ? A hipótese é séria. Entre as cidades que ainda escapam à desvitalização figuram as grandes metrópoles, mas também as cidades turísticas, tais como Nice, Saint Jean de Luz ou Sables d'Olonne"

Em resumo: Em França, os centros históricos também definham a olhos vistos e só o turismo os pode salvar. Sucede que -precisão importante para os tomarenses que gostam muito de se vangloriar com a multidão que vem assistir aos Tabuleiros- não é bem o turismo de forma abstracta que pode salvar a economia de centros históricos condenados. A salvação está nas despesas dos turistas. O que é bem diferente.
A experiência demonstra que Tomar está muito mal posicionada nessa área. E vai continuar a estar, caso os responsáveis pelo seu futuro -que somos afinal todos nós- não tenham a coragem necessária para avançar. Para alterar o que está mal. Para mudar para melhor.
Por outras palavras, pouco ou nada adianta, em termos económicos, atrair milhares de visitantes, se depois não sabemos, não queremos ou não podemos agir de modo a levá-los a abrir os cordões à bolsa. Comendo, bebendo, comprando...
Alcobaça, Batalha, Évora, Óbidos ou Coimbra, por exemplo, já vivem também do turismo e dos turistas, porque os seus pontos de interesse se situam nos respectivos centros históricos. Como bem sabemos, não é de todo o caso de Tomar. Cada vez mais turistas vêm visitar o Convento de Cristo = Património da Humanidade = grande atracção a nível internacional. Mas muitos nem sequer chegam a visitar o Centro Histórico. Por isso pouco gastam cá. Os comerciantes locais que o digam...
Porque assim é, se queremos realmente desenvolver a economia turística tomarense, é mesmo imperativo alterar para melhor a situação actual. Fixar como objectivo a alcançar que todos, ou quase todos os visitantes, venham passear e gastar no Centro Histórico. Exactamente aquilo que proponho no meu anterior texto Uma proposta honesta. Trazer os turistas até ao centro da urbe, antes e depois de visitarem o Convento, cobrando-lhes estacionamento e deslocação ida e volta. Incentivando-os assim a consumir. Não por opção política. Simplesmente porque não há outro modo relativamente rápido de revitalizar o Centro Histórico, incrementando em simultâneol o turismo local.
Aqui deixo o meu apelo aos tomarenses de verdade e aos autarcas: Por favor, acudam à cidade. Avancem ou deixem avançar. Não tornem ainda mais difícil o que já não é fácil. É o nosso futuro como comunidade local viva e dinâmica que está em causa. Saibamos todos ser dignos da nossa história e dos nossos antepassados ilustres!