sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Mazagão/El Jadida - Marrocos

Dez aspectos da antiga cidade portuguesa de Mazagão, abandonada por ordem do governo de Lisboa em 1769. Os cerca de 2 mil habitantes vieram para a capital portuguesa, sendo mais tarde levados para Nova Mazagão, a norte do rio Amazonas, no actual Estado de Amapá - Brasil.
As fotos falam por si, excepto duas:1 - A da Porta do Mar, que dá nome ao actual café, situado em frente. 2 - A cisterna portuguesa, de 1542. Para visitar paga-se 10 dirhams = 1 euro. A sua irmã gémea, no Claustro da Micha - Convento de Cristo - Tomar, nem sequer é visitável, apesar de igualmente Património da Humanidade. É o progresso tomarense...











ESPERANÇA > DESALENTO > ESPERANÇA

Regressei de Marrocos com alguma esperança. Ainda em Mazagão (actual El Jadida), li o comunicado do PSD Tomar e não desgostei. Pelo contrário. Não sendo uma obra-prima, nem uma beleza de argumentação, também não envergonha. Demonstra ânimo, vontade de mudar e de acertar. Só aquela ameaça oca do final é que era, quanto a mim, escusada. Mas eu não sou do PSD e os actos ficam com quem os pratica. Vinha portanto com uma réstea de esperança...


Chegado a Tomar, levei logo com um balde de água fria. Lá se foi a esperança e lá voltou o desalento. Falo da estrambótica entrevista da nossa presidente ao Cidade de Tomar. Senhora simpática, educada, geralmente bem vestida e penteada, com evidente facilidade de palavra, confesso que não esperava dela tanto dislate em tão pouco tempo. "Acredito no meu projecto para Tomar", afirma a dado passo. Mas qual projecto?!?! Algumas ideias avulsas do tipo abertura do museu da Levada, Tabuleiros a património da humanidade, turismo judaico? Visivelmente a respeitável autarca confunde ou finge que confunde um monte de tijolos com um muro. Porque algumas medidas descosidas, sem articulação e mal fundamentadas, não constituem nenhum programa. São apenas alibis para tentar entreter o eleitorado. E logros, que saem em geral muito caros, porque raramente têm retornos.
Se bem percebi aquilo que li e reli , Anabela Freitas está convencida de que governou bem até agora. Julga que vai conseguir melhorar a situação local a curto/médio prazo, embora não explique como. E para cúmulo, vê-se como vencedora das futuras eleições locais, o que a levou a apresentar extemporaneamente a sua candidatura. Para garantir o lugar, evitando inoportunas ultrapassagens. Parece-me francamente de quem não tem os pés bem assentes na terra que pisa, nem compreende bem o contexto político em que age.
Agravando a questão, resolveu a simpática senhora autarca usar uma linguagem de soberano absoluto, só ela saberá com que fito: "Porque não admito que quem concorre a eleições... ... saia a meio. A equipa tem que ir até ao fim." ... ... "E a distribuição de pelouros é competência exclusiva minha, quer os vereadores gostem quer não."
Sendo assim, a senhora assume-se como rainha. Fica então por explicar o caso do príncipe consorte, que ao fim de pouco mais de dois anos, teve afinal tão pouca sorte. Caso perdido, portanto?
Resta a esperança PSD. Se quiserem ter a coragem de trabalhar politicamente como se faz por essa Europa aberta fora, julgo que o melhor será marcar até Outubro uma eleição primária aberta para escolher o candidato à autarquia, bem como a restante lista. Eleição primária aberta = todos podem ser candidatos e todos podem votar, filiados ou não no partido, desde que sejam eleitores no concelho, Vamos a isso???

sábado, 16 de janeiro de 2016

Até ao meu regresso


É verdade. Tomar a dianteira 3 vai arejar. Ver como estão as coisas do turismo ali para as bandas de Marrocos, que por aqui já está visto. Marraquexe, Telouet, Ait Benhaddou (foto da capa), Essauira, El Jadida/Mazagão e Casablanca. Organização pessoal, viagem individual. Rebanhos, só quando não há outra solução viável.
Salvo imprevisto, o próximo texto poderá ser lido na tarde de 28 de Janeiro. Até lá deseja-se que tratem de viver o melhor possível. O que nem sempre é simples...

Informação, jornalistas, toalhas e panos de cozinha

Nunca fui, não sou, nem tenciono vir a ser jornalista. Mas nada tenho contra os jornalistas. O que não me impede de escrever o que penso. Como os leitores bem sabem, tenho aqui referido bastas vezes a pouca qualidade da informação local, que me parece ser ao mesmo tempo uma causa e uma consequência da triste situação a que Tomar chegou. Estou equivocado? É possível. Mas a ser assim, agradecia uma demonstração séria e sem margem para dúvidas.
Dos vários manuais de jornalismo que li, concluí que, para haver boa informação/bom jornalismo, é necessário: 1 - Ter os meios para saber; 2 - Ter talento para dizer/escrever; 3 - Ter coragem para noticiar; 4 - Nunca confundir toalhas com panos de cozinha, nem alhos com bugalhos ou bosta de vaca com tijeladas. Numa frase incisiva -Boa informação só com bons profissionais.
Recebi de António Feliciano, jornalista numa das rádios locais, um comentário devidamente assinado ao meu texto Vivemos numa aldeia global. Publico com todo o gosto. Sempre defendi a liberdade de expressão e o direito à informação. O leitor fará o favor de tirar as suas conclusões. E se quiser comentar, já sabe. É só escrever e assinar por baixo. Aqui tem o meu contacto: anfrarebelo@gmail.com



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Vivemos numa aldeia global


Infelizmente, a crise económica que assola a cidade e vai continuar a agravar-se não é só local. É também regional, nacional e mundial, embora mais ou menos grave consoante as cidades, as regiões e os países. A demonstrar que vivemos afinal numa aldeia global, onde os problemas de uns são também os dos outros. No que concerne à crise nos Centros históricos, eis o que noticia o Le Monde (o grande jornal francês de esquerda, com uma tiragem diária de 300 mil exemplares), na página 6 do seu caderno Economia, datado de 12/01/2016:




Tradução: "Centros históricos à venda - Os centros históricos das cidades médias francesas estão confrontados com o encerramento de estabelecimentos comerciais, uns a seguir aos outros. Em causa a dispersão urbana e o desenvolvimento das grandes metrópoles. As zonas turísticas são as únicas excepções."
"O turismo para salvar o comércio tradicional e lutar contra a desvitalização - O turismo como tábua de salvação ? A hipótese é séria. Entre as cidades que ainda escapam à desvitalização figuram as grandes metrópoles, mas também as cidades turísticas, tais como Nice, Saint Jean de Luz ou Sables d'Olonne"

Em resumo: Em França, os centros históricos também definham a olhos vistos e só o turismo os pode salvar. Sucede que -precisão importante para os tomarenses que gostam muito de se vangloriar com a multidão que vem assistir aos Tabuleiros- não é bem o turismo de forma abstracta que pode salvar a economia de centros históricos condenados. A salvação está nas despesas dos turistas. O que é bem diferente.
A experiência demonstra que Tomar está muito mal posicionada nessa área. E vai continuar a estar, caso os responsáveis pelo seu futuro -que somos afinal todos nós- não tenham a coragem necessária para avançar. Para alterar o que está mal. Para mudar para melhor.
Por outras palavras, pouco ou nada adianta, em termos económicos, atrair milhares de visitantes, se depois não sabemos, não queremos ou não podemos agir de modo a levá-los a abrir os cordões à bolsa. Comendo, bebendo, comprando...
Alcobaça, Batalha, Évora, Óbidos ou Coimbra, por exemplo, já vivem também do turismo e dos turistas, porque os seus pontos de interesse se situam nos respectivos centros históricos. Como bem sabemos, não é de todo o caso de Tomar. Cada vez mais turistas vêm visitar o Convento de Cristo = Património da Humanidade = grande atracção a nível internacional. Mas muitos nem sequer chegam a visitar o Centro Histórico. Por isso pouco gastam cá. Os comerciantes locais que o digam...
Porque assim é, se queremos realmente desenvolver a economia turística tomarense, é mesmo imperativo alterar para melhor a situação actual. Fixar como objectivo a alcançar que todos, ou quase todos os visitantes, venham passear e gastar no Centro Histórico. Exactamente aquilo que proponho no meu anterior texto Uma proposta honesta. Trazer os turistas até ao centro da urbe, antes e depois de visitarem o Convento, cobrando-lhes estacionamento e deslocação ida e volta. Incentivando-os assim a consumir. Não por opção política. Simplesmente porque não há outro modo relativamente rápido de revitalizar o Centro Histórico, incrementando em simultâneol o turismo local.
Aqui deixo o meu apelo aos tomarenses de verdade e aos autarcas: Por favor, acudam à cidade. Avancem ou deixem avançar. Não tornem ainda mais difícil o que já não é fácil. É o nosso futuro como comunidade local viva e dinâmica que está em causa. Saibamos todos ser dignos da nossa história e dos nossos antepassados ilustres!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A passo de cágado reumático

Há cerca de cinco anos atrás procurei alertar os responsáveis locais para a necessidade urgente de proporcionar aos visitantes e aos residentes instalações sanitárias decentes. Na sua edição de amanhã Cidade de Tomar inclui uma reportagem assinada por Elsa R. Gonçalves sobre o mesmo tema. Cinco anos mais tarde! Que mudou entretanto? Pouco ou nada. As retretes de S. Gregório fecharam. As da Calçada de S. Tiago foram arranjadas e estão agora apresentáveis. As da Cerca idem idem. As situadas junto à Abegoaria Municipal e à Estação da CP vão de mal a pior. As da Cerrada dos Cães originam problemas frequentes, devido à sua péssima localização. As de Santa Maria dos Olivais estão fechadas quando são mais necessárias. As do ex-estádio raramente estão asseadas. E é cá um fedor...
É o progresso nabantino. A passo de cágado reumático. E depois alguns eleitos locais ainda têm o desplante de se lamentar. Como se a culpa não fosse deles.
Pobre gente. Pobre terra.

anfrarebelo@gmail.com

Quantos vieram afinal à Festa dos Tabuleiros ???

Logo a seguir à  mais recente edição da Festa Grande de Tomar, vulgo Festa dos Tabuleiros, a informação local que temos deu largas à habitual megalomania nabantina. Foi noticiado que a festa tinha atraído a Tomar mais de um milhão de visitantes. Leu bem. Mais de um milhão de visitantes. Como não houve bilhetes de entrada para assistir ao cortejo, nem qualquer outra forma de contagem, cada qual disse o que lhe deu na real gana. 
Publica agora Tomar na rede uma peça sobre as entradas anuais nalguns monumentos, que pode ser lida aqui  Conquanto se trate de uma notícia a ler com cautela, é muito útil para tentar aferir o total de visitantes que vieram mesmo assistir aos Tabuleiros.
Trata-se de uma notícia a ler com cautela porque, como quase sempre sucede, comporta algumas ratoeiras. Neste caso e antes de mais, porque se refere apenas aos monumentos explorados pelo IGESPAR, o que exclui, entre outros os palácios e o Castelo de Sintra, o palácio de Queluz, a Sé de Lisboa,  a Capela dos Ossos, em Évora, a Universidade de Coimbra ou o Palácio da Bolsa, no Porto, por exemplo. O que naturalmente torna qualquer comparação bastante problemática.
Depois porque, mesmo no ãmbito dos monumentos geridos pelo IGESPAR, há discrepâncias a ter em conta. Esta, por exemplo, que altera singularmente as estatísticas: Enquanto o Convento de Cristo emite e portanto contabiliza bilhetes pagos e bilhetes gratuitos só para fins estatísticos, Batalha e Alcobaça, por exemplo, só emitem bilhetes pagos, excluindo por conseguinte dos totais anuais os milhares de alunos de todos os graus de ensino, que Tomar inclui. Por isso anuncia mais visitantes do que Alcobaça.
Ainda assim, a notícia de Tomar na rede permite ter uma ideia mais fundamentada sobre o total de visitantes por ocasião da Festa dos Tabuleiros. uma vez que fornece dados verificados e documentados, em vez de meras hipóteses mirobolantes, oriundas de cérebros nem sempre devidamente formatados. 
Sendo certo que, como já escrevi alhures, a grande maioria dos turistas que vêm a Tomar visita o Convento e tendo em conta que em 2015, ano de festa, a antiga sede da Ordem de Cristo registou um acréscimo de 55 mil entradas em relação ao ano anterior, pode-se dizer que isso se deveu aos que vieram para assistir ao Cortejo dos Tabuleiros.
Por conseguinte, se a informação local tivesse noticiado a verdade ao estimar mais de um milhão de visitantes, apenas menos de 5,5 visitantes em cada 100 teriam visitado o Convento. Convenhamos que é manifestamente pouco. Mais razoável será, digo eu,  partir de um elementar cálculo de probabilidades, em que um visitante tanto pode ir ao convento como abster-se. Porque já conhece, porque custa 6 euros ou porque é preciso subir ou porque são só pedras velhas... Teremos então uma hipótese 50/50, o que nos dará à volta de 100 mil visitantes durante toda a festa tomarense. O que já é muito bom. Mas desmente com factos provados os génios locais, que não há meio de conseguirem distinguir e separar a realidade e a fantasia. Por isso estamos como estamos.
Pobre gente. Pobre terra.

anfrarebelo@gmail.com