sábado, 9 de janeiro de 2016

Isto quanto mais muda...

Isto quanto mais muda, mais está na mesma. Reproduzo a mensagem de um leitor, recebida ontem: "Vejo que a situação política em Tomar está "animada". Faz-me recordar os últimos tempos do executivo camarário anterior. Continua a intrigar-me como é que Tomar, com tanto potencial, continua estagnada desde há anos. Será correcta a analogia com aquele tipo de famílias aristocráticas decadentes, que gerações atrás detinham poder, riqueza, prestígio, mas agora vivem só dos louros do passado?"
Muito pertinente este seu curto bilhete, caro leitor. Que denota sem querer aquilo que me parece óbvio: foi escrito por um cidadão que não é tomarense nem vive em Tomar. Se assim não fora, se calhar andaria cego, como quase todos os de cá.
Disse-o Lavoisier, mas afinal sucede o mesmo na política como na química: "As mesmas causas, nas mesmas condições exteriores, produzem sempre os mesmos efeitos." Não deve por isso surpreender ninguém a similitude entre a triste situação deste executivo e a tragédia que foi o anterior. Também agora estão, ou simulam estar, equivocados. Antes, a culpa fora do Paiva e do Corvêlo, agora o bode expiatório é Luís Ferreira. Que tudo tem feito, é bem verdade, para ser assim crucificado, com a sua excepcional inteligência prática desbaratada em bazófias, arrogância, cabotinismo, manipulações várias...Uma pena. Mas daqui não resulta que o ex-chefe de gabinete tenha sido o único ou sequer o principal factor da grave crise nabantina.
Dizia-me há dias um dos intervenientes activos no presente imbróglio: "Todos os problemas internos e externos da câmara têm origem no Luís." Esta perfeita ilustração do aqui já antes referido complexo de Édipo é extremamente grave, pois esconde o essencial. Luís Ferreira causou imensos problemas mas o fulcral, que afinal condiciona tudo o resto, continua sem ser mencionado ou tido em conta: O município de Tomar arrecada cada vez menos receitas, mas gasta cada vez mais com encargos permanentes. Exactamente como acontece com o governo de Lisboa...e o de Atenas. Por conseguinte, não nos iludamos. Algo terá de mudar mesmo. E quanto mais tarde pior.
Sucede que no actual executivo camarário me parece haver um único eleito que, tal como a seu tempo o Botas de Santa Comba, sabe o que quer e para onde vai. O Botas era de extrema-direita; o dito autarca é do extremo oposto. Mas na política os extremos tocam-se, tal como na física nuclear os átomos iguais se repelem e os contrários se atraem. Isto para dizer que, no meu fraco entendimento, o projecto implícito do dito vereador não tem qualquer viabilidade nos tempos mais próximos. Estamos portanto condenados à permanência na estaca zero, caso insistam em não provocar eleições intercalares.
Sobre a sua alusão às velhas famílias aristocráticas decadentes, caro leitor, julgo útil referir que, no caso de Tomar, há um enorme equívoco quanto à nossa herança sociológica. Apregoamos os Descobrimentos como a grande epopeia do país, quando afinal se tratou apenas e só de um empreendimento levado a cabo primeiro pelo Infante D. Henrique, com os dinheiros da Ordem de Cristo;  depois pela própria Ordem, até ao final do reinado de D. Manuel. mestre da Ordem antes de ser rei. Quando a coroa, na pessoa de D. João III, tomou conta da Ordem e dos descobrimentos, sucedeu o mesmo que tem acontecido com as nacionalizações .Foi o descalabro e a multi-secular agonia, que nos trouxe até onde hoje estamos: Pobres, tristes, sem ideias, sem esperança, porém arrogantes e com afigurações. Tanto em Tomar como no país...
A mudança afinal é para quando?!?!

Contacto: anfrarebelo@gmail.com

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

E agora???

E agora??? perguntam em tom angustiado aqueles tomarenses interessados nas coisas da sua terra. Que também não são assim tantos. Os da esmagadora maioria estão como sempre foram: amorfos, imobilistas, medularmente conservadores e seguidistas. Agora, para tentar perceber o que aí vem na área política nabantina, parece-me indispensável proceder como na medicina -efectuar um diagnóstico tão completo quanto possível e só depois prescrever uma terapêutica.
Uma vez que no fim de contas isto anda tudo ligado, começo por ter em conta que também desta vez a informação local escrita (que a outra nem a oiço) esteve ao seu nível habitual. Só o Mirante é que apresenta uma cobertura escorreita e suficiente da crise em curso. Mas o Mirante não é um semanário tomarense...
Indo à crise. Sejamos argutos: Esta crise tem afinal duas componentes que convém separar. Há por um lado a luta política de Bruno Graça, visando afastar Luís Ferreira, por já ter percebido há muito que é ele a cabeça e o motor da actual maioria relativa. E o único travão eficaz no que se refere às legítimas ambições da CDU a nível local. Por outro lado, em simultâneo, vai-se desenrolando um drama edipiano, que a CDU tem sabido aproveitar. Os filhos políticos de Luís Ferreira, que são afinal todos os membros do executivo, excepto a CDU e o PSD, apaixonaram-se pela mãe, não em termos físicos, mas apenas enquanto símbolo do poder, e tentam por isso "matar" o pai. Não por mero sadismo. Como condição indispensável para se verem finalmente livres de um tutor demasiado exigente e excessivamente prepotente, porque ultra-inteligente e com enorme traquejo político, mas infelizmente também cabotino até à medula. O que retira protagonismo aos tutelados...
Para já, graças à tenacidade obstinada do vereador Bruno Graça, ambos os sectores conseguiram uma vitória importante, porém parcelar e transitória. Atingiram o companheiro e tutor da presidente na carteira, sem contudo lhe retirar a sua capacidade principal -governar por interposta pessoa. Gravemente ferido onde menos lhe convinha, o ex-chefe de gabinete dispõe contudo de recursos intelectuais como nenhum outro (excepto talvez Bruno Graça) para tentar "dar a volta por cima". Não me surpreenderia por aí além se fosse o próprio PS a provocar eleições intercalares, aproveitando a evidente anemia das restantes forças locais, bem como a manifesta incapacidade da CDU para ir além de um vereador.
A não ser assim, vamos continuar neste lamaçal até final do mandato. Com todos os intervenientes agarrados à gamela, uns por isto, outros por aquilo, outros ainda por isto e mais aquilo.
Haveria ainda, é verdade,  a hipótese de fortes protestos da população, susceptíveis de forçar uma mudança a curto prazo. Mas isso aqui em Tomar é como esperar calor tórrido num dos polos...

Contacto: anfrarebelo@gmail.com

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Um mártir para conseguir mais votos ?

Em plena crise política tomarense, José Gaio, o mais arguto jornalista tomarense, apesar de emigrado na Suiça, faz no seu Tomarnarede algumas perguntas muito pertinentes. Destaco esta: "Qual o papel de Bruno Graça (CDU) no meio de toda esta disputa política?" Embora discordando da expressão "disputa política", por considerar que se trata antes de mera disputa familiar entre os filhos políticos de Luís Ferreira e o seu pai ditador e abusador, reconheço ser ainda assim uma interrogação fundamental. Porque a câmara tem sobrevivido e continua em funções exclusivamente graças à evidente abnegação de Bruno Graça. Que não é nenhum ingénuo e muito menos um analfabeto político. Por conseguinte...
Procurando responder à justa interrogação de José Gaio, fui reler o longo comunicado da CDU e dele respigo o seguinte:
1- Em Novembro de 2013, a CDU apresentou uma proposta sobre a situação financeira do município e manifestou-se contra a nomeação de Luís Ferreira como chefe de gabinete. "Nem a proposta nem a opinião foram tidas em conta" informa agora a dita coligação.
2 - "Em Dezembro de 2014, as contradições entre os vereadores do PS e o chefe de gabinete agudizaram-se... ... Face à situação, a senhora presidente assumiu o afastamento do seu chefe de gabinete como uma decisão indispensável ao bom funcionamento e imagem do executivo, primeiro até à Assembleia Municipal de Fevereiro de 2015, depois até à Assembleia Municipal de Abril, depois  até à Festa dos Tabuleiros, depois até à semana seguinte às eleições de 4 de Outubro e finalmente até 1 de Novembro de 2015."
3 - Em 2 de Outubro de 2015 a CDU entregou à presidente da câmara uma declaração da qual Tomar a dianteira destaca o seguinte: "A CDU considera que a decisão do sr. Luís Ferreira de concorrer ao procedimento de mobilidade interna na sua carreira, passando de funcionário do Município de Alpiarça para o de Tomar, é uma decisão do seu foro pessoal.
Contudo, a CDU de Tomar manifesta a sua total discordância em relação a este processo e dele se demarca, por considerar que ofende os mais elementares princípios da ética democrática e política."
4 - Supostamente em Novembro ou Dezembro de 2015, Bruno Graça é taxativo: 1. - "As reuniões...continuam a não ocorrer. Há mais de 3 meses que não se realiza nenhuma reunião entre os quatro eleitos"; 2. - "Nada foi avançado sobre o posicionamento do sr. Luís Ferreira na estrutura do município; 3. - A redistribuição de competências continua por realizar. ... ... ..."
Face a este rol de problemas da mais variada espécie, lógico seria que o vereador da CDU já tivesse renunciado aos pelouros que exerce e assim acabado com a coligação apenas nominal (tanto mais que nem precisa do inerente vencimento), precipitando a realização de eleições intercalares. Mantendo-se por assim dizer a meio da ponte, dá a ideia de estar a compor uma imagem de mártir, como forma de vir a conseguir mais votos em futura consulta eleitoral. Todavia, manda a verdade acrescentar que também deixa a porta escancarada à restante oposição: "A CDU tomará posições autónomas nas reuniões de Câmara e da Assembleia Municipal, face a propostas e posições apresentadas pelas diferentes forças políticas presentes nestes órgãos."
O PSD e o os IpT estão à espera de quê para convocar uma reunião conjunta visando um acordo tácito para deixar o  executivo sem quorum, forçando assim eleições intercalares? Não lhes convém?
Os IpT ainda nada disseram sobre o o actual momento, o que não pode deixar de surpreender. Quanto ao PSD, publicaram um comunicado mal amanhado, todavia com uma frase excelente sob todos os pontos de vista: "Temos uma câmara espartilhada, limitada, desorganizada, sem rumo e sem projectos para o concelho de Tomar." Eu não diria melhor. E então? Avançam ou saem de cima?

Contacto: anfrarebelo@gmail.com


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Caso PARQT: Mais um balde de água fria

Conforme deixei claro na mensagem de 27/12 sobre o escândalo PARQT, a esperança é sempre a última a morrer. Estava então convencido que, após quase três anos de espera, iria finalmente poder consultar um dos processos mais controversos da autarquia nabantina. Engano meu. Ingenuidade a mais. Esta resposta da senhora presidente oficial da edilidade é como o célebre algodão do anúncio -não engana ninguém:


Vou portanto ter de aguardar que a justiça siga o seu curso, para depois, se ainda estiver vivo e com  a cabeça a funcionar normalmente, poder aceder ao âmago da questão. Entretanto, esta carta da autarquia, certamente já influenciada pelo manifesto clima de crise que reina ali para as bandas da Praça da República, denota um outro factor importante: a grosseira agressividade desencadeada pelo meu pedido insólito, inoportuno e inconveniente. Escrevo isto porquanto, para pasmo meu e como o leitor pode verificar, contrariando todas a regras da boa educação e do protocolo, a dita resposta não contém qualquer fórmula final de cortesia, que devia de ter. Nem cumprimentos, nem saudações, nem adeus, nem passe muito bem. Nada. Apenas a assinatura e o cargo.
Tomei nota e tenciono continuar a incomodar, sempre com a devida correcção, tentando honrar o meu dever de cidadania. Entretanto, qualquer político local que deteste ser incomodado e mesmo molestado com as minhas iniciativas, tem um excelente remédio ao seu alcance -renunciar ao cargo. Tudo visto e ponderado, penso que ontem já era tarde.  

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A lenta erosão da câmara nabantina

Após a reunião de ontem, ficou a saber-se que Luís Ferreira deixou oficialmente de ser o chefe de gabinete de Anabela Freitas, Hugo Cristóvão é promovido a vice-presidente e o vereador Serrano deixou os seus pelouros, deixando de estar em regime de permanência. Soube-se também que Virgílio Saraiva passa a ocupar o lugar de Ferreira e Hugo Cristóvão a gerir os pelouros de Serrano.
É para já o culminar do modus operandi de Luís Ferreira.  Nas autárquicas de 2013, para robustecer uma lista fraca, foi convencer Serrano, antes vice-presidente de Abrantes, a integrar a candidatura PS em Tomar. Apesar de tomarense, Serrano hesitou. Ferreira ofereceu-lhe então perspectivas aliciantes: vice-presidente e, mais tarde, já com Anabela como deputada, a presidência e futuro cabeça de lista. Serrano aceitou, o PS ganhou, instalaram-se no poder.
Pouco confortável com a escolha de Ferreira para chefe de gabinete, Serrano confessou em roda de amigos que o demitiria logo que pudesse. Confissão imprudente, que logo chegou aos ouvidos do pouco estimado Ferreira. Que, politicamente muito ágil, foi lesto na decisão: Anabela seria substituída como candidata a deputada. e Serrano não passaria a presidente substituto nem conseguiria a cabeça da lista.  A conclusão provisória aí está. Um empate técnico. Ferreira vai continuar a ser o presidente efectivo, mas deixa de receber à roda de 3 mil euros mensais + despesas de representação. Serrano continua vereador, mas perde os pelouros e também cerca de 3 mil euros mensais + despesas de representação. E agora?
Como por aí se diz, a previsão é uma ciência difícil, sobretudo quando se trata de prever o futuro. Apesar disso, julgo não ser complicado prever novos solavancos no executivo tomarense e, sobretudo, um final de mandato caótico. Numa curta frase: O PS já perdeu a próxima eleição, desde que entretanto o PSD ou os IpT consigam arranjar um candidato em condições. Porque com cavalos cansados e outros cabeçalmente pouco escorreitos, não vamos longe.
Ameaçador, Luís Ferreira já declarou que vai "continuar a partir a espinha à direita". Mas até nisso está enganado. Infelizmente, para o bem e para o mal, a direita local não tem nesta altura coluna vertebral. E não se pode partir o que manifestamente não existe.
Pobre gente. Pobre terra. Ou, como desabafava o outro: Só nos faltava mais esta! Chiça!!!

Para contactar o autor: anfrarebelo@gmail.com

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Sobre o PDM de Tomar

Em reacção ao seu texto "Ele há coisas", gostaria de lhe dar a minha visão, como técnico da área e como cidadão.
Revejo-me na cultura do planeamento. Entendo que é um pilar importante para a construção de sociedades mais desenvolvidas, capazes de reagir melhor às incertezas que o futuro sempre reserva. Ainda me recordo de quando cheguei a Tomar, para trabalhar na revisão do respectivo PDM. Tendo terminado o curso escassos meses antes, estranhei e fiquei surpreendido com o grau de improvisação com que se abordavam as coisas. (Não havia, por exemplo, dados sistematizados que resultassem em informação para apoiar o processo de planeamento...) Aqui pode residir uma das causas para que o PDM se torne um grande monstro, quando à partida não há levantamentos actualizados e geralmente as poucas actualizações que existem, ou não estão datadas ou foram efectuadas sem critério explícito.
Perguntará decerto: Mas então, o que fazem os técnicos e técnicos superiores do município? No meu entendimento e pelo contacto que tenho tido com outras autarquias locais além da CMT, o problema reside na gestão dos recursos humanos. Os elementos competentes estão "atulhados" de trabalho até aos cabelos. Os outros passeiam-se alegremente pelo local de trabalho, sem que sejam alvo de qualquer penalização remuneratória, de progressão na carreira...
No que se refere à utilidade do PDM, consigo perceber que enquanto cidadão o veja como inútil. Infelizmente, até hoje a administração central e a local ainda não foram capazes de se concertar para verterem a utilidade deste instrumento na vivência das populações. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o PDM não é só um regulamento de parâmetros urbanísticos. A meu ver essa é até a parte menos relevante de um instrumento de planeamento à escala municipal. Verdadeiramente importante é não hipotecar, traçando um quadro de futuro para o concelho. Ou seja: A - Deixar espaços-canal para infra-estruturas relevantes, mesmo que estas só venham a ser executadas ao fim de 20 ou 30 anos; B - Dar orientações para a estruturação e requalificação das áreas de actividade económica existentes, reservando espaços para novas áreas, na eventualidade de virem a ser necessárias; C - Programar uma rede de equipamentos colectivos, ajustada às necessidades da população e reservar espaços para a sua edificação, para evitar os erros que se têm cometido, localizando os citados equipamentos nas "sobras" das áreas de cedência dos loteamentos mais recônditos, com condições de acessibilidade que deixam muito a desejar; D - Tentar minimizar a ocupação dispersa do território, altamente nefasta para a gestão das infra-estruturas e do próprio espaço florestal. E poderia acrescentar tantos outros assuntos, muito mais relevantes do que se o muro pode ter uma altura máxima de 0,90m ou 1,00m. Ou se a cércea deve alinhar com as edificações confinantes, ou com a média do alinhamento da frente dessa rua.
A difusão no seio da população do PDM enquanto instrumento de gestão territorial, devia ser encarada como prioritária. Ou seja: não custaria nada ter um fluxograma apelativo, com a estratégia do plano, uma planta com o modelo de ordenamento (a estratégia vertida territorialmente), bem como um outra planta de ordenamento de grande formato no balcão de atendimento ao munícipe.. Tudo completado com um sistema de monitorização básico, com verdes, amarelos e vermelhos, alimentado por contributos da população, de investidores e contínuo trabalho técnico.
Quanto ao processo de revisão, apesar de até agora ter registado várias debilidades, há nele um aspecto que deve ser destacado: A participação pública. Dos muitos processos de revisão do PDM que conheço (uns em que estive integrado, outros que colegas meus me transmitem), é difícil encontrar algum que tenha tido tanto envolvimento das Juntas de freguesia. Foram elas que colectaram as intenções e preocupações dos seus fregueses, que agora constam detalhadamente na proposta de plano a apresentar oportunamente.
Desculpe este texto longo e maçudo, mas este projecto é muito importante para mim. Foi com ele que iniciei a minha actividade profissional. E foi aí em Tomar que vivi durante ano e meio. Por isso, gostaria de contribuir activamente para um futuro melhor para esse concelho.
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João Pedro Reis

domingo, 3 de janeiro de 2016

Prá mentira ser segura...

Disse o grande Aleixo que:
Prá mentira ser segura
 E atingir profundidade
Deve trazer à mistura
        Qualquer coisa de verdade

Em recentes declarações à informação local que temos, a senhora presidente oficial da câmara disse ter sensibilizado o ministro da saúde para a necessidade de voltar a  haver Medicina interna no hospital de Tomar. Argumentou que o nosso hospital serve também os doentes dos concelhos de Ferreira do Zêzere e Ourém. 
Impávidos, serenos e obedientes como sempre, os periodistas nabantinos ouviram, calaram e noticiaram. Contudo, se no que toca a Ferreira os doentes vêm mesmo para Tomar, nitidamente à falta de melhor, quanto a Ourém a música é outra e bem diferente por sinal.
Se a senhora presidente eleita tivesse ouvido com atenção o que lhe disse o seu camarada ministro, teria tomado a devida nota de um detalhe que muda tudo. Disse aquele governante que está a desenvolver esforços para que os utentes possam ter plena liberdade de escolha do seu médico e do seu hospital. Exactamente aquilo que desde há muito reivindicam os cidadãos de Ourém.
Com mais população que Tomar, pagando mais impostos ao estado e com muito menos desemprego, Ourém não tem um verdadeiro hospital. Durante anos sacrificados aos caprichos administrativos do governo, resolveram começar a enviar os seus doentes para o hospital de Leiria, bem superior a qualquer um dos que integram o Médio Tejo. E foi isso o que referiu o camarada ministro. Doravante Ourém passará a fazer oficialmente o que já faz há muito particularmente -mandar os seus doentes para Leiria. Por conseguinte, a senhora presidente oficial mentiu dizendo a verdade. A tal técnica denunciada pelo poeta Aleixo.
De resto, para aqueles tomarenses mais teimosos, que são a grande maioria, avanço uma pequena comparação fotográfica Tomar - Ourém. Para ver se começam finalmente a encarar a realidade tal como ela é.
As 6 fotos seguintes são do Agroal. As 3 primeiras mostram aspectos da margem situada no concelho de Ourém. As 3 últimas focam aspectos da margem nabantina...
Aquele prédio com fachadas a azul, amarelo e branco, se estivesse no concelho de Tomar, já teria custado chatices sem fim ao seu proprietário. Admitindo que os empatas nabâncios alguma vez tivessem aprovado semelhante projecto, herético para a santa inquisição local. É por isso que não há prédios na margem nabantina. Já houve. Em tempos que já lá vão...